sábado, fevereiro 18, 2017

Não fale nada

Não te é necessário dizer nada,
Ourives de palavras que sou,
Leio tuas reticências qual vocábulos.

Silêncio é flecha gélida
Que enches tua aljava.
Meu amor é teu alvo,
pintado em meu peito desnudo.

Antes de teus próximos fonemas,
Permite-me enterrar meu bem querer
Sob a capa de gelo de seu desdém.

Não fale nada,
Pois teus silêncios enganam menos,
São respostas melhores que tuas verdades.

domingo, dezembro 25, 2016

Passarinho

Seu amor é passarinho.
Ferido,
consertei suas asas.
Ainda tendo medo do céu,
devolvi seu gosto de voar.
O ingênuo amor desatende a barganhas,
não ouso guardá-la nas grades do meu peito,
não te forço a entrar em meu mundo.
Havendo amor, você já estaria.
Prefere cantar ao longe
colhendo admiração de muitos
e vir quando quiser
para um pequeno espetáculo.
Querida, meu amor é gaiola,
deleito-me em suas exibições,
encanto-me com tuas cores
e todo o fausto de sua estética,
todavia, você precisa ir.

Pedestal

Não corro atrás de você, querida,
correr é pra bandido e polícia.
Vem aqui, mantenha-se ao lado,
acompanhe-me toda a vida.

Não há caça nem caçador.
Existem apenas dois iguais.
Não pense que você é um troféu
empoeirando no aparador.

Desce desse seu pedestal,
desce desse pedantismo
de ser adorada como ídolo.
Carne e sangue são de mortal.

terça-feira, novembro 22, 2016

Prólogo

Te vi como em uma livraria.
Tantas obras, de enfadonhas a instigantes.
Alguns desses volumes folheei,
umas histórias parodiadas.

Vi tua capa e me fascinei.
Li teus olhos e quantos contos estes já leram?
E esse sorriso, quantos já encantou?

Abri essa capa e li tua alma.
Os olhos investigam um fino estrato de história revelada
de um breve prólogo.

Personagens apresentados:
Eu e tu.
De resto, um leve suspense:
Comédia ou romance?
Drama? Aventura?

Ou um texto dadaísta aos garranchos num guardanapo?

És tu um livro que se esquece, ou marca vidas?
É pra guardar
Ou esquecer nalgum banco de praça?

sábado, janeiro 16, 2016

Em 3051

No ano de 3051, numa dessas aulas de história, o tutor via holograma dava aula:

- No século 21 as coisas eram bem diferentes, crianças. As pessoas em vários lugares morriam de fome e guerra.
- Mas elas não sabiam como resolver esses problemas não? - perguntou Josdarq.
- Elas sabiam como resolver - respondeu o tutor - mas estavam tão concentradas numas caixinhas que elas tinham de ficar passando o dedo para conversar com as pessoas. Elas achavam que isso era o futuro, e não acabar com a fome ou doenças.
- Tutor, é verdade que muita gente morria de doenças? - perguntou uma criancinha negra.
- Sim, Lilac, havia doenças como o câncer e algumas até morriam de coisas como diarréia.
Olhos espantados.
- E o pior é que também havia cura pra essas doenças, mas para eles era mais interessante não curar as pessoas - continuou o tutor - eles se importavam mais com os sentimentos dos animais e outras bobagens.
- Eles não percebiam que pessoas sofriam perto ou em outros lugares do mundo? - agora foi a vez de Nako, um menino de olhos azuis bem puxados.
- Não - respondeu o tutor - havia naquela época a TV, a internet e muitas outras mídias que os entretiam os fazendo esquecer dos problemas do mundo. Eles se achavam tão evoluídos...

A resposta foi quase uníssona:
- Como eles eram primitivos!

Sólidos

Num mundo de certezas efêmeras
e verdades de plástico descartável 
em discursos de bexigas de gás,
escrevo convicções nos granitos ancestrais
da minha telúrica natureza,
gravados profundos sem recear perda.

Pessoas hoje são vitrines frágeis.
O vidro preserva suas imagens:
Perto o bastante para parecerem humanas,
Longe o bastante do toque
Que lhes ameace desmontar a imagem simulada.

Pontes, linhas finas entre paredões 
Em contratos intermináveis de parco escambo
Gritam em estéreo no silêncio de entrelinhas.

Tingem de guache o céu
e quando observo aquele céu do século vinte,
vivo, como antes havia sido,
percebo que tudo fora reduzido a ícone.
O céu hoje é da poluição
De tantos argumentos voláteis.

Esse mundo passa,
Essas filosofias se desfazem na brisa mais leve.
Essas mentiras se vão como pó.
E ficamos os sólidos, os perenes,
Os resistentes à erosão,
Os feitos para o sempre.

sábado, março 15, 2014

Depois da tormenta

Os meses foram terapêuticos.
Hoje falo do mal como quem provou a cura.
Juntei os cacos e tudo o que sobrou
para refazer.
Preenchi sua parte em mim, comigo mesmo.
Sem metades, sou eu completo.

Estou aqui. O mesmo de sempre,
uma árvore depois de uma tormenta.
Alma amarrotada, mas ainda de pé.
Foi preciso erguer muros para evitar mais estragos
Terreno intoxicado, deserto, esvaziado, 
feito Chernobyl.

Continuam as coincidências do amor:
Nosso Cazuza nunca mais tocou.
Ele voltou ao timbre de sempre,
não mais a sua voz,
quando a gente reparava da varanda o canavial estrelado
enquanto você, em sua névoa, 
arriscava aquela canção de sempre.
Aquela outra, do Roberto,
era tão poética e gostosa, 
dizia tanto de nós,
no fim, é só uma música esquecida a letra.

Nosso seriado favorito, que ríamos de nós mesmos,
Ria dos seus pantins e do seu discordar.
Nem assisto mais.
O seu lugar no sofá, guardado,
Agora outras ocupam, sem me importar.

Nossas conversas tarde da noite,
os risos, quantos risos!
Os momentos perfeitos, 
lembranças embora manchadas,
inevitavelmente continuarão.
As recolhi depois do estrago,
Pouquíssimas ficaram.
Não as espero reviver,
foi outra época, ficou para trás,
junto com seus problemas, seus fingimentos
junto com os eu-te-amos e outras mentiras.

Na estrada da vida, 
deixamos os outros nos trevos do caminho. 
Seguimos direto, em despedidas e encontros,
Cumprimentos e desencontros.
Você ficou no meio do caminho,
tive que te deixar ir, 
Seu destino é onde jamais almejo estar.

Meu futuro? Vejo o sol adiante.
A atribulada noite passou,
Hoje é madrugada, é esperança.

terça-feira, julho 30, 2013

Sinceridade

Sabe, menina, a verdade está muitas vezes na nossa cara e parece que a gente não quer ver. Mas a verdade é a melhor amiga, embora eu a tenha destratado. Confesso que encarar hoje teus olhos sorridentes vazios de paixão ainda dói. Aturar o vazio sepulcral do teu silêncio e teu hiato são tarefas que finjo serem fáceis. Nossa ruptura foi algo não esperado, mas sabido. A verdade me avisava todo dia. As armadilhas abertas do meu arqui-inimigo. Eu continuei andando, cego, crente não saber. Dei o amor mais sincero que eu pude dar diante dos teus sofismas. Nada disso funcionou. Nosso romance se resume em tua indiferença. Já doeu o que tinha de doer, lateja, mas passa. Mas de certa forma eu estava preparado. Obrigado por não haver me amado de forma alguma, de não ter me dado certeza em momento algum de eu te ser querido. A sinceridade mais dura é preferível à mentira em qualquer nível. Você pode até questionar das tantas vezes que foram ditos aquele punhado de palavras, mas tuas palavras foram vazias, tuas ações sempre falaram mais.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Amar é uma grande responsabilidade

“Eu te amo” hoje em dia soa como um obrigado. “Obrigado por me fazer bem” - traduziria perfeitamente um linguista. Mas “eu te amo” não é “obrigado”, ao contrário, é estar-se desobrigado a dizer “vou te fazer bem” (e caberia um asterisco: “independente de quaisquer circunstâncias”). E de forma alguma considere o amor moeda de troca, acumulada como dívida, muitas vezes deixando um com consciência pesada ou outro triste por cobrar feedback com juros e correção monetária. Não coloque nos ouvidos de ninguém esse tipo de palavra. Amor é compromisso, não é porque você se sente bem com a pessoa. Acho que deveria ser uma palavra usada por pessoas que fizessem alguma espécie de curso, o indivíduo se formava, ganhava diploma, registrava em cartório ou instituição e aí podia exercer a função de amar. Não se vê médicos em toda esquina tampouco engenheiros construindo prédios que se destroem. Amar é uma grande responsabilidade. E deve ser por isso que muitos se machucam tanto e outras tantas vidas são destruídas.

quinta-feira, março 03, 2011

Às vezes

Às vezes você vem e me faz feliz, de uma maneira que sempre procurei ser. Às vezes me pega desprevenido uma lembrança das boas, de coisas que aconteceram e anseio repetir. E outras vezes fico pensando, no meio de uma noite, entre um sonho e outro, quantas coisas poderiam acontecer. Muitas vezes durmo com aquela vontade de te retribuir tudo, amor por amor. Porém, não te quero às vezes, esse desejo é constante, te quero presença, tocando todos os sentidos, te quero sempre, colada à minha vida, anseio lábios tocando lábios, carinhos sobre sua pele aveludada, um intenso feliz para sempre, se não for para sempre, tudo bem, mas que sejamos felizes.

irracional

Toda vez eu acho que você vai puxar uma cadeira e, nesse burburinho do dia, sentar ao meu lado a fim de dar uma pausa para conversar sobre qualquer coisa, sobre o coração, sobre poesia, sobre você ou que você gostaria muito de que eu te fizesse rir. Bem, essa é minha imaginação. Mas paixão é assim mesmo, irracional.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

telek, telek, telek

Karina passa pra lá "telek, telek, telek…"
e Karina passa pra acolá "telek, telek, telek…"

telek, telek, telek faz os sapatinhos dela,
que nem guizos.
melodiosamente faz dentro do peito.

Aguardo esses telek, telek, telek passarem por cá
pra eu oferecer risos
em respostas a seus guizos.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Fica bem pertinho de mim

Fica bem pertinho de mim
para eu negacear
tudo o que de praxe te fazia.

Fica à vista,
para meus olhos evitarem os teus,
friamente ignorando tua chegada.

Estarei bem próximo,
perceptivelmente ausente
desdenhando tua atenção.

Todas minhas palavras,
todo meu tempo e todo meu calor
hão de ser exclusivamente falta.

Não desperdiçarei minhas pérolas.
Prodigaste tua porção de mim,
o que querereis mais?

Emoção e pena aderem você a mim.
Obrigo-me a expulsar-te de minha vida,
arrancar-te como da pele se arranca um sinal.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Arqui-inimigo

Você afirma que ele jamais conheceu o amor.
Seu rosto de muralha impenetrável,
suas insensibilidades,
por mais que tente, não se extrai sentimentos dele.
Desapegou-se de tudo o que não seja a si mesmo;
paixões, lhe são meros passatempos que se zapeiam feito canais de tevê.

Você afirma que ele jamais conheceu o amor.
Mas ele o viu face a face dentro daquele fogo
com seus terríveis olhos hipnotizadores.

O amor já lhe foi próximo,
perto demais, de raspão;
este descobriu suas fraquezas
e atraiçoadamente rompeu suturas,
meteu-lhe em joguetes
e o despedaçou.
O amor já lhe foi caro, e sim, muito caro lhe custou.

Hoje o amor é seu arqui-inimigo.
Nosso amigo conhece bem os apelos,
o perfume de flores em todos começos de relacionamento;
conhece como ninguém seus ardis
por haver caído em tantas armadilhas.
Conhece todos os discursos de cor.

Por vezes ele tentou perdê-lo da lembrança,
fez as pazes para um novo desengano
e a menor fragilidade lhe era alvo de ataques.

Tantas vezes tentou em meio a insucessos
e insistiu muitas outras até a dormência.
E passado tanto tempo
ele aprendeu a evitar o amor
da mesma forma que uns ignoram um mendigo.

domingo, agosto 15, 2010

O sorriso dela

Dia desses fui surpreendido num assalto.
Nenhum crime houve.
Fui invadido pela beleza de uma cena.

Três flores: uma a princesa
coroada de alegria.
Tão bela quanto singela
e dentro dela uma beleza vasta
qual um botão de rosas a se abrir.

Essa felicidade dela
expressa em cada fibra da face
faz sorrir seus olhos
e seus lábios, deliciosamente carnudos,
expressam uma gargalhada tão solta e envolvente.
Um sorriso cujas estrelas do céu se apagam solenes.

E como se não bastasse a boca deslizar sobre seu rosto
e os dentes cintilarem,
sorri também sua alma,
gargalha seu coração.

E não fosse somente ela que ri,
ri de igual modo meu coração.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Ferida

escrever é como ter uma ferida,
deixar a dor latejar e expô-la.
Anestésicos não são o melhor tratamento,
sofrimento passa sem cura.
Escrever é apertar a ferida,
é rasgá-la
para a dor chegar ao ápice.
Que as pessoas a vejam e sintam
como se fossem em si mesmas
e essa dor espalhe e dissipe
e finalmente a ferida se feche

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Meu avô Jonas

Depois de 4.257.360.000 batidas, o coração dele precisou descansar. Deus é soberano em tudo e viu que ele precisava de um repouso. Pode parecer um momento triste, no entanto estou feliz, ele está onde desejo estar, ajudando a arrumar o nosso lar celestial, que terá cômodos para todos nós que o tanto ansiamos. Quando você pensava que ele havia morrido, aí é que ele está mais vivo do que nunca.
Dia 16 seria seu nonagésimo aniversário, e quase trinta anos de sua influência em minha vida, e é a isso que eu agradeço. Foi ele quemm me ensinou a ter fé, era com ele que eram minhas férias, as melhores que ja tive em minha infancia.
Glorifico a Deus não somente pela fé na ressurreição, mas celebro as coisas boas que ficam em minha memória e fazem parte de mim e vão repercutir na vida de outros.
Meu avô Jonas, você é eterno.

domingo, setembro 06, 2009

Sossegue

Sossegue, meu amigo, sossegue,
entendo o motivo de sua inquietação
mas não adianta redarguir o fado
ou existir em algo já engolido pelo mar.
Compro qualquer passatempo pra você,
veja a marca pálida no seu pulso abronzar
e pare de viver na alma de outro.
Aceite-se firme e resoluto.

Me deixe em paz, por favor,
não me visite,
quero assistir televisão despreocupado,
ler os jornais com notícias de outrem,
amanhã acordo cedo pro trabalho.
Fins de semana estão replenos de afãs,
você não encontrará minha atenção.

Então, por obséquio, sossega, coração

terça-feira, junho 30, 2009

Se eu erro

Se eu erro, o faço querendo acertar,
Miro as estrelas,
Minha meta é as ultrapassar
Prefiro fazer assim
A ter de passar o resto da vida
Lamentando não haver ousado.
Eu ouso sonhar.

Eu vou tentando, embora me digas impossível.
Como dizer ser impossível
Se você não foi até o fim?

Vou tentando até findar meus dias,
Só assim aceitaria que não venci
Apesar de que nunca desistir já é uma vitória.

Irmãzinha

Dessa vez a noite está cheia de luz,
hoje você me salvou das sombras.
Como poderia eu saber a sorte que tive
de naquela multidão conhecer você?

Irmãzinha, amizade é um tiro ao alvo
e comigo esse tiro foi na mosca.

A vida dissimula equívocos,
espalha suas intenções fingindo a esmo
contudo é certeira, com as mãos de Deus.

Se você soubesse como faz falta
aquilo que passam por cima por costume,
essas coisas são gritantes em sua ausência.

E quando a tristeza vem apertar os nós em meu peito,
o stress ameaça trincá-lo,
quando a esperança me abandona
numa prisão sombria dentro de mim,
quando parece não haver motivo algum para ser feliz,
você me arranca risadas
num breve relembrar de nossos causos.

Os dias com você são perenes em meus pensamentos,
eles ressuscitam todos sentimentos bons
pois nossos programas são sempre os melhores
tão-somente por serem nossos,
por destilarmos, acima de tudo, nossa amizade
e o prazer de estar junto.

Você me salvou de uma morte lenta em dias insípidos,
você agasalhou meu coração com suas palavras
e esse sente-se renovado
embora lhe falte forças às vezes
fazendo-o pedir um pouquinho de lembranças .

Você não percebe e nem sei se sente
a cura que você me traz.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Visita

Assim que desço do escritório, você me cumprimenta.
Não entendo o motivo de sua vinda,
mas passivo aceito você em meu cotidiano.
Siga-me, ao menos você é minha companhia,
sua atenção é alguma coisa.

Você vem me apertar o peito,
aperta-o forte que o sinto em minhas costas.
Visita-me por causa desse tom blues da noite?
Casais felizes e você aperta o laço,
olho para o futuro e mais um nó,
e quando eu penso no passado,
nas coisas interrompidas,
você quase faz o coração desistir.
Você delicadamente me tortura.

O coração enguiçou, criou ferrugem,
olhos viraram um deserto.
Sobrou um vazio,
e por ser vazio, deveria não dar problema algum,
no entanto dói demais.

Carros passam, pessoas passam
e eu passo, nada diferente.
No ônibus, você ao meu lado,
inquietantemente silenciosa.

Um dia, quem sabe, me despeço de você.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Fuga

Hoje eu quero viajar.
Livre de bagagens,
evadir-me a algum país imaginário,
qual os amigos de Drummond.
As ilhas de hoje perdem mais homens.

Fugiria às estrelas
onde me ofuscassem;
quem sabe nalgum asteróide
houvesse uma flor para mim.

Partiria num desses transatlânticos do céu
para qualquer destino,
mesmo se fosse contra algum arranha-céu.

Preciso fugir daqui.
Para o peito de algum amigo,
para o trono de Deus,
para qualquer lugar longe de mim.

quinta-feira, novembro 27, 2008

O trem

O trem chegou rasgando o breu da noite com sua lança de luz,
bufando vapor, carregando desde longe novidades,
trouxe mudanças para os de coração intrépido,
aqueles que ousam entrar nele.

Ele vem, ninguém sabe quando volta,
o acaso são seus trilhos,
seu destino é incerto.
No entanto é bem melhor que essa mesmice.

A locomotiva parou à espera dos novos passageiros
e tu fitavas aquela passagem de trem,
vacilando entre entrar ou não,
entre um desafio ou a apatia.

Continuaste olhando aquele papel,
mexeste nas malas, sem decisão,
num silêncio ansioso.

Teus olhos admiravam o prateado do trem.
Aquele brilho cintilava em teus olhos,
te convidava à aventura.

Entre tantos pensamentos,
pesava para ti largar o marasmo de uma vida medíocre.
A sorte te faria uma pessoa melhor,
mas já estás acostumada contigo.

Tens um amor confesso pelas coisas que atrasam sua vida,
construíste tua casa entre os perdedores
e pareces desejar permanecer.

Enquanto hesitavas, o tempo acabou,
os passageiros devidamente acomodados,
nas janelas, já despediam-se dos que ficavam.

O trem da sua felicidade foi embora,
você perdeu a chance
e ninguém sabe mais quando volta.

Joguinho

Eu deveria dizer que te amo e pronto.
Seria o suficiente,
um curto e grosso eu te amo.

Você prefere joguinhos e dissimulações,
gastando um tempo bom,
tempo em que aproveitaríamos um ao outro.

Obriga-me a ser turvo
e é mais cristalino que água como me sinto bem com você.
nenhuma diversão é bastante se sua alegria ausenta,
andar no centro da cidade é um passeio solitário se falta você.

Apesar disso, para jogar seus joguinhos
eu finjo nem me importar
desdenho você para você não me rejeitar.

É engraçado como esse jogo funciona:
eu a procuro, você se afasta,
quando me distancio, você me busca,
num pac-man de proporções reais,
cujo labirinto é sua mente.

É contra minha natureza ser insincero
e esse jogo de máscaras cansa.
Deixa de brincadeira e vamos amar de verdade!

sexta-feira, setembro 12, 2008

Meus três pais

Aquele senhor cativante, sempre pronto com um sorriso no rosto e uma piada ou uma brincadeira para gargalharmos todos, esse é meu terceiro pai. Ele é meu pai porque é pai daquele de quem herdei os genes. Não somente por isso, é meu pai porque me ensinou muitas coisas. Em sua estante, em sua casa, entre livros muito interessantes, um deles se destacava: volumoso, capa de couro e letras douradas, guardava histórias que mudariam minha vida. Meu avô, tão apaixonado por conversar das coisas de Deus me fez admirá-Lo, o que depois aprendi a adorá-Lo.
Tenho saudade dos tempos de infância, quando passava as férias caminhando com ele na rua (eu que tinha de correr para acompanhar seu passo apressado), conversando à noite sobre qualquer assunto, indo à igreja e outras tantas coisas que fazem parte importante de mim. De estar junto, aprendi coisas preciosas, como o respeito ao próximo, a cordialidade e o apreço a coisas simples, além da admiração que tenho pelas pessoas mais velhas, que viveram muitas vezes mais do que eu.

Meu segundo pai, Deus me presenteou. Na verdade foi cem por cento pai e uns ciquenta por cento mãe, visto que teve de exercer um pouco mais de suas funções. Um homem sério por fora, com o coração de manteiga. foi ele quem trabalhou duro para me dar abrigo, roupa, alimento, educação e uma série de conselhos que ainda carrego comigo, pois me fizeram desviar de muitos perigos. Ele sempre me ensinou que a vida é dura e não é nenhum faz-de-contas, que é preciso algumas doses de sofrimento para chegar em algum lugar.
Meu pai é meu herói. E me arrependo bastante de não haver percebido essa presença diária em minha vida. Mas heróis são assim mesmo, evitam aparecer. Ele nunca precisou me bater para me disciplinar, ele nunca gritou comigo para eu o respeitar, ele nunca disse que me amava, mas na verdade ele nunca precisou me dizer, pois ele sempre demonstrou em atos seu amor por mim.

Meu primeiro pai foi quem me criou. Seu amor por mim nunca teve fim, mesmo nas épocas quando eu era um filho rebelde e fazia piada dEle, mesmo quando eu fazia as coisas as quais Ele me ensinou a evitar, quando eu fugi pelo caminho da escuridão. Ele me ama de uma maneira cuja explicação me foge de minha capacidade de explicação. Para que eu voltasse, decidiu morrer por mim, mesmo me sendo imerecido, mesmo eu podendo ignorar seus esforços, optou pelo risco e se pôs naquela cruz, a mesma que está estampada em minha visão e me fez mudar. Posso lhe dizer que não sou muita coisa, mas o pouco que há em mim é por causa dEle, porque ele próprio me ensinou e me acolheu de volta... e, sabe, como estou ansioso para voltar ao lar!

Tudo o que sou eu agradeço a eles: Jonas, Luiz e o Deus Eterno, meus três pais.

Ponto Final

Noite passada você me visitou em meus sonhos acordado (alguns meses e parece que tinha sido ontem). Foi como ontem que você estava em meus braços me olhando apaixonada. Aqueles olhos cujos olhos meus guardam impressionados.

Os beijinhos de cantinho de boca, os carinhos inusitados, as brincadeiras, manhas, situações, risos, o timbre de sua voz que ainda vibra em meu ouvido; as coisas que pertenciam somente a nós dois e agora residem no vácuo, de um tempo irretroativo de quando eu só precisava colocar sua mão em meu peito para te afirmar amor legítimo.

Eu voltaria a esse tempo, eu juro que faria de tudo, se não fosse impossível ficar somente com as coisas boas. Impressionante como a memória escolhe o que quer lembrar. É o coração que esquece. Na ânsia por saciar-se, esconde provas, mente, persuade até o fim. Com toda certeza este não é meu melhor conselheiro. Meu coração pede você de volta, por outro lado, o passado diz que é melhor deixar você lá. A quem devo ouvir? minhas emoções já me colocaram tantas vezes na beira do abismo e insistiu que eu desse um passo à frente.

O tempo é quem me desamarra dos seus laços, os nós desatam aos poucos, o passado se concretiza. Se eu pudesse, guardava meus sentimentos num baú bem escondido debaixo de livros, contudo meu coração existe e é preciso tempo para cicatrizar o rasgão que fora deixado.

Apesar de tudo, não alimento qualquer expectativa de existir algum retorno, essas são as últimas palavras que tenho para você, minha tentativa de expurgar os fantasmas que insistem em habitar meu cotidiano. Necessito vomitar tudo isso que me faz tão mal. Para se digerir qualquer coisa nova é preciso pôr para fora a outra antes. Para começar um novo amor é-me necessário voltar àquele dia em janeiro quando você jogou tudo fora, a fim de eu colocar um ponto final. O que eu estou fazendo agora.

quarta-feira, julho 02, 2008

Nunca foi

Você não quis que fosse pra sempre.

Eu me enganei que haveria algo de eterno,
mas nunca foi, não persistiu.
Nem foi amor,
foi um pequeno intervalo de entretenimento,
um anexo a sua vida.

Brincou de qualquer jeito comigo,
jogou-me de um lado pro outro,
fez o que bem quis
e deixou no relento quando enfadou.

entanto amar é coisa de gente grande.
O que existia era uma menina apaixonada e só,
nada menos raso.
e a paixão é chama de vela,
morre com o vento, sem relutar.

Seu amor foi pouco,
na verdade quando o amor deveria nascer
a fim de ocupar o posto da paixão,
sucumbiu ao desafio.

O que dizia ser amor foi provado
e reprovado na mínima dificuldade,
quando exigia a si abnegar-se.
Nunca recusou servir a si mesma.
Quando eu precisei de você,
nos meus dias mais negros,
você olhou para suas vontades e foi embora.

Obrigado pelo pouco tempo que duraram suas emoções.
Se eu pudesse devolver-lhe o carinho
entregaria com um laço de fita
numa caixa bem bonita.
Iria até pedir que me esquecesse.
Mas quando você lembrou?

sexta-feira, junho 27, 2008

Princesa

Tudo o que vivemos são decisões.
Te dou conselhos, mas você segue seu caminho,
e quer saber, as coisas poderiam ser melhores.

Você perde um tempo precioso
arrumando problemas
se a felicidade está aqui.

Eu sei muito bem como te fazer sonhar,
escrevo em teu rosto sorrisos.
Deixa-me te fazer princesa,
é o mínimo que eu posso te fazer.

Esse é o valor que você tem
e deixa te tratarem feito uma plebéia.
Essa coisa pouca que você vive não é amor,
está longe de ser romance.

Vem cá que eu mostro todos os sabores que a vida tem,
vem cá que vai ser melhor
deixa-me te ensinar a ser amada.

quinta-feira, abril 03, 2008

eu sou

Eu sou o olhar que te guarda,
o abraço que te faz segura,
as mãos que te relaxam depois de um dia cansativo.
Eu sou sorrisos que te fazem sorrir,
eu sou surpresas boas no inesperado.

Eu sou um coração que bate forte,
sou ouvidos, porque és importante para mim.
Eu sou carinho de todas as formas,
em todas as horas,
por dentro e por fora.
Eu sou palavra, eu sou ação.

E sou o beijo que te extasia,
sou tua praia do sossego,
sou o amigo pra todas as horas,
sou lágrimas de compaixão.

terça-feira, abril 01, 2008

Morena da cor de jambo

Morena da cor de jambo,
como é saboroso te ver
com seus olhinhos negros, brilhantes e doces feitos jabuticabas,
fico com água na bca só de ver
os morangos graúdos de teus lábios,
teus lábios cheios de mel,
suculentos, túmidos, carnudos,
boca que quando sorri mostra maçãs-do-rosto tenras,
maçãs bem vermelhinhas nesta pele sedosa de pêssego.
Fico guloso com essa profusão de paladares,
essa mistura de doçura e texturas,
todos eles somados aos olores que nem consigo imaginar.

Morena da cor de jambo,
tu alimentas meus sentidos.

domingo, março 30, 2008

No Parque

A gente brinca um com outro no parque
aquele nosso jogo de esconder.
Brincadeira nunca feita na infância.
Nos escondemos do resto do mundo,
fechamos os olhos e saboreamos a vida,
ela tem gosto de algodão-doce.

A gente vê o mundo num carrossel
rodopiando sem parar,
às vezes me metendo um medo danado
de levar um baque bem grande,
mas você me levanta nesta gangorra.

O homem mais dengoso do mundo
encontrou brinquedo e abrigo.

Eu sou aquela criança brincando ali
fica me olhando e não me deixa cair
...e nasceu um anjinho...
- Oxi! – disse o arcanjo Miguel
Onde já se viu anjinho sem asas?
- Esse é diferente – afirmou Gabriel – esse anjinho vai abençoar a terra. Mas de bem pertinho
- Coloque numa família que a ame, que vai cuidar dela apesar de todas as dificuldades. Eles a protegerão.
- Mas não se esqueça – enfatizou Gabriel – Ela ainda vai abençoar um cara; a gente sabe que ele não merece, mas é de praxe a gente fazer serviço a quem não merece, né não?

E assim foi.

A querubininha cresceu, cresceu e com seu sorriso levou alegria para todos, com seus olhinhos lindos deu atenção que só.
E foi ela, pela vida, distribuindo carisma e encantando, como os lírios que embalsamam o caminho de qum os carrega.
E nesse vai-e-vem da vida esse cheirinho de fulo acertou em cheio o coração de um dito cujo que precisava ser abençoado.

Esse cara se sente o homem mais sortudo do mundo.

O Expectador

As coisas deveriam ser mais simples,
mas o acesso a ti é um labirinto
com as saídas bloqueadas para mim.

Desejo tanto teus olhos em mim e tenho de fingir o oposto,
entretanto sou desmentido quando converso contigo
e minhas pupilas delatam-me dilatando-se.

Contemplo-te como quem examina um diamante
e vê em tua matéria bruta uma pedra lapidada embebida de luz.
Quero te transformar para que brilhes sempre mais.

Espero que me notes,
contudo tu amas o auto-flagelo dos amores não correspondidos,
corres a tudo o que cintila,
mas eu sou fosco, descanso no breu.

Olhas para qualquer lado,
menos em minha direção.
Aí ficamos num suposto triângulo
(um triângulo desamoroso):
Eu, olhando em tua direção,
tu, olhando para alguém que não olha para ti.

Eu fico a contemplar teus passos ainda como expectador,
haja vista que me deste uma cadeira na última fileira
e eu sou um clown até então,
todavia ensaio para ser um protagonista em tuas emoções,
eu sonho ser uma estrela, assim brilho para ti.

polares

Você e eu,
feitos de materiais tão diferentes.

Você, feita de algodão ou açúcar;
eu, feito de um barro de terceira qualidade.
Somos tão diferentes em tantas coisas,
mas feitos um pro outro.
Não para um anular o outro,
e sim para um completar o outro.

Você metropolizou
minha vida tão Fernando-de-Noronha,
você mudou minha fisiologia,
agora meu coração bate sempre rápido
e em compensação coloquei uma rede balançando nos seus dias.

Somos os pólos dos ímãs,
sempre opostos porém idivisíveis.

sábado, março 22, 2008

por dentro

Eu sou um cara que sorri por dentro,
que chora por dentro.
Porventura me conheces por dentro?
Algo além desta camada de pele?
Isso que você vê engana
e muitas vezes creio que não sou eu,
inclusive me queixo constantemente desse fingidor inconsciente.

Há um mundo aqui deste lado.
às vezes pareço forte, e sou fraco,
às vezes pareço fraco, mas encontro minha força interior;
pensam que sou sério, e sou o oposto;
sou antíteses.
Infelizmente esta casca diz outra coisa.

Meus olhos, estes são mudos
e quando tento expressar algo,
tenho a face ilegível.
Ensimesmado,
As palavras morrem na minha boca,
porém existem tão vívidas no meu interior!

Uns poucos me garimparam,
descobriram relíquias desconhecidas por mim mesmo.
Te convido a explorar.

Entretanto, eu estou explícito em meus textos
sou eu, o mais cru que posso ser.

Eu queria te fazer bem

Eu queria te fazer bem
entretanto você está tão longe.
Como foi que eu errei?
Confesso minha culpa também.

Lembro-me das coisas boas,
onde elas ficaram?
Na memória tento resgatar,
vão embora como a chuva.
As mãos lembram-se de algumas texturas,
o olfato guarda lembranças
e os olhos, quantas coisas boas...
coisas que embaçam a vista.

Eu pretendi te fazer feliz.
Depois de tudo se acabar,
eu ao menos queria te ver feliz.

você está tão longe,
espero que encontre o caminho de volta.
Estou aqui, tentando me manter firme,
com as mãos estendidas para você.

sexta-feira, março 21, 2008

UTI

Deixe-o morrer.

Sacrifique o que me é penoso manter vivo,
já sabemos que não tem mais volta
e estamos gastando tanto fingindo estar vivo este moribundo.
Este é aquele cujas pessoas viram o rosto
e eu viro a face ao vê-lo engolfar nesta lástima sem fim.

Diga-lhe o derradeiro adeus,
você que virou as costas a ele já faz tanto tempo.
Despeça do que um dia foi completo
e hoje está em pedaços, em dor lancinante.

Para mim é um martírio mantê-lo,
por isso eu aceito o fim.
Já desliguei os aparelhos.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Alforria

Esse dia era inevitável,
pegaste tuas coisas, pediste tuas contas
e foste embora.
Da mesma forma que vieste,
de súbito,
atropelando tudo à frente.

Ao pensar te ter,
ignorei teus flertes à liberdade, deixei-te as asas
e sequer pus gaiolas,
imaginava que o amor te manteria junto a mim.

Eras apaixonada pelos campos,
as rosas nos outros jardins ainda eram doces,
enquanto meus canteiros passavam por problemas.
Desculpa-me por faltar felicidade nos seus dias,
se te cansaste desses dias nebulosos.

Não digas que me amas
se tu não fazes isso.

Dou-te a alforria,
entretanto sou eu quem vive em cadeias.
É difícil a uma marionete viver
se lhe cortam os cordões.

Deixe-me desaprender a viver por ti.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Perdoa

"Perdoa"
essa é a resposta aos meus atos
constantemente falhos.
Tiveste noventa dias
para me devolver ao fabricante,
visto que viste tantos defeitos de fábrica.

Se perdoas,
por qual motivo insistes na vingança?
Olho por olho, dente por dente
e o mundo se enche de cegos banguelos.

Se te perdôo liberalmente,
se faço questão de apagar seus erros,
por que é difícil me perdoar?
Tu me cobras um preço que não consegues pagar
e tantas vezes me pedes para anular essa dívida.

Tudo bem, eu pago a minha credora,
mas não te esqueças que será cobrada a mesma moeda.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Estou tentando entender você

Pequena flor,
você que vive no meu mundinho,
A coloquei na redoma, lhe pus o pára-sol
e ainda tento te entender,
sou teu pobre principezinho.
Se me evado, tente ao menos me entender
que eu estou tentando entender você.

Somos diferentes
e eu não peço para você ser diferente.
O que talvez você encare como defeito
para mim é uma virtude.
Peça-me para mudar o cabelo, as roupas,
peça-me para deixar um vício
que te atendo de presto,
mas te peço para que eu seja eu mesmo.

Perdoa se escondi meu coração debaixo dessa armadura,
o medo de perdê-la
forçosamente escondeu minha emoção.
Tudo trava, a pele enregela,
seguro-me pela razão.

Vem fazer esse coração de Toyota pegar no tranco,
peço-lhe que decida
entre me amar até o fim
e me amar sem fim

quinta-feira, setembro 27, 2007

Inefável

Ser poeta algumas vezes é um infortúnio.
Procura-se palavras, elas fogem aos léxicos
e me deixam desencaminhado num mundo de vocábulos.

Por isso, coloco sua mão em meu peito.
calado, sem imagens,
digo mais que milhões de palavras.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Nuvenzinha

Nuvem branquinha, pousa nesse jardim,
macia nuvem, gostosa de ficar,
seus afagos acalentam dentro de mim,
a prata em seu sorriso brilha aos meus olhos,
brilha em meu coração.

Piso o paraíso e ele está sobre mim
e tem gosto de chiclete, chocolate e hortelã,
um céuzinho com tudo o que eu quero.
Que me diverte,
contraria e diverte,
como se colocasse tudo no liquidificador
e as emoções, tantas, têm um novo sabor.

Nuvenzinha, vem comigo
que te deixo no céu.
Flutua em meus pensamentos
com sua presença confortável;
me coloca naquela maletinha onde eu caibo todo
e me leva contigo.

Só te peço que não sejas passageira,
desce até mim e me envolve,
me preenche,
me faz ser parte de você.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Ouvi falar dele

"Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco.
Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?
Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram.". João 18:10

Ouvi falar dele,
narravam-me sobre seus atos
principalmente seus conselhos notáveis.

Ouvi falar dele,
os outros guardas relatavam suas polêmicas.
Sapientíssimo, com sabedoria persuadia
ou enraivecia os ditos sábios.

Ouvi falar daquele homem,
sobretudo pelas maldições
que os sacerdotes dirigiam ao seu nome.

Ouvi falar daquele homem,
ainda mais sobre suas curas,
e foi por meio delas o conheci.

Fui designado no breu da noite alta
a capturar o homem de Nazaré;
entre as trevas, com os outros guardas.

Pronto para enfrentar uma insurreição,
deparei com um homem suave,
traído por um beijo, por um dos seus amados.

Aquele homem não reagiu às correntes,
pelo contrário, firme se permitiu maniatar,
deixou-nos subjugá-lo.

Entanto, no desespero da captura
seu servo reagiu,
brandiu sua luzente espada;
ouvi-lhe com ela cortar o ar
e minha orelha direita.

Caído ao chão, senti a viscosa quentura do sangue
escorrer pelo pescoço e barba,
gotejando de minhas mãos.

Em meio a tanto alvoroço,
os seus o abandonam,
enquanto aquele homem veio até mim
para me curar.

Senti suas mãos misericordiosas
ligarem as cartilagens de minha orelha.
Senti-me maravilhado e perplexo diante desse milagre.
Ele me humilhou humilhando-se a mim.

Com a nova orelha ouvi-lhe pasmado dar ordem ao servo:
“guarda a espada”, “beberei do meu cálice”...
ao ouvir, lancei fora minha lâmina
e comecei a seguí-lo.

terça-feira, agosto 21, 2007

Testamento

Quando eu me for, decrete feriado,
serão as férias de minha pessoa.
rejeite o luto,
use cores alegres
e faça uma festa com muitos convidados,
pode deixar que tudo eu pago.

Quando eu me for, meus filhos cantarão,
os velhos se deliciarão narrando minhas histórias,
as bandas tocarão nos coretos das praças;
não será dia lacrimoso,
os fogos desabrocharão no céu estrelado.

Quando eu me for, não me deite abaixo do solo,
desejo subir aos céus como o incenso faz,
lá no alto tocar a imensa cúpula;
não grave meu nome nas lápides,
prefiro meu nome gravado na memória dos que me amam.

Quando eu me for, não desperdice suas lágrimas comigo,
se chorar, que seja extravasando alegria
como no final de um espetáculo:
meu viver tem sido um espetáculo de Deus,
eu fui apenas um palco.

Quando eu me for, não feche o livro de minha vida,
retire as páginas que restarem dele
e redistribua em outros livros
porque assim permanecerei mais que a eternidade,
continuarei sendo escrito na vida de outros.

terça-feira, julho 10, 2007

Saudade Matadeira

A saudade é matadeira
daquelas bem valente
mata fraco, mata forte,
mata todo tipo de gente.

Faz seu serviço com capricho,
trabalhadeira diligente;
seu ofício é aperriar
dentro de nossa mente.

Mas essa tal de saudade
ela é ruim ou ela é boa?
Acho que isso depende
de pessoa pra pessoa.

É um sentimento bom
sentir a falta no coração,
de amigos, da família,
que outro dia nos verão.

É guardar sempre a lembrança
de alegria, de muita história,
pra nos momentos difíceis
puxar tudo da memória.

Mas num vou ficar falando bem
dessa maldita cabra-safada,
ela é uma infeliz,
traiçoeira e malvada!

Apois que veio me incomodar,
logo eu no meu cantinho.
Se dispôs a me perturbar
dificultando tudinho.

Já começou começando errado
colocando o longe muito longe demais.
Era pra botar só uma légua de distância
e a danada queria mais.

Apois botou eu e tu
distante pra dedéu,
numa lonjura tão grande
que é mais fácil tocar o céu.

Por causa de tanta lonjura,
de vez em quando a gente se vê
e a saudade, essa aperta
quando fico sem você.

Eu num gosto desse negócio
da saudade me maltratar
apois saiba muito bem
que essa danada eu vou matar

Eu vou matar essa saudade
e vai ser de pouquinho em pouquinho
e não vai ser rápido,
vai ser bem divagarinho!

Pois tudo que a gente sentiu
ela vai sentir direitinho.
E o que a gente sofreu
a saudade vai sofrer tudinho!

(in)esquecível

Olhos espertos me esquadrinhando,
um achegar mais apertado.
Suponho se é pelo momento
ou se são meus óculos,
mas você está mais exuberante
com essa aura entusiástica,
com sua blusa de algodão deixando o colo à mostra,
solta, igual a você em meus braços.

Nossas conversas só nossas,
repletas de dengo e cumplicidade.
Nossas brincadeiras só nossas,
que te fazem rir de um jeito único
que me faz apreciá-la sem palavras.

Mãos procuram mãos
na blusa de manga comprida,
suas típicas mãos geladinhas,
ainda mais nesta noite fria.
Pés congelando, corpo cálido.

O tato esforça-se em ler o outro,
traduzindo sensações,
ao mesmo tempo transmitindo sensações.

De encontro a mim seu corpo ao meu encontro.
Nos colamos mudos,
expectadores de mínimos sons inaudíveis em outras ocasiões:
o roçar macio das vestes,
seu respirar vivo,
sussurros quase calados.
Percebo seu coração percutir em meu peito

Veda-me o sabor apetecido
protelado para o próximo combate,
um duelo às avessas
ansiosamente esperado
porque lembro-me sem sentí-la.
O espetáculo sensório evade da memória.

terça-feira, maio 08, 2007

Para todos

Para aquele que está cansado
Ele é descanso;

para aquele que carrega fardos
Ele é alívio;

para quem quer retornar
Ele é o caminho;

para quem tem medo
Ele é segurança;

Para os doentes
Ele é cura;

para os debaixo da sombra da morte
Ele é ressurreição;

para os que estão felizes
Ele transborda essa alegria;

para os que choram
Ele conforta;

para os que estão salvos
Ele é o motivo;

para os perdidos
Ele é estrela guia;

para os necessitados
Ele sacia;

para os que estão no meio da tempestade
Ele a acalma;

para os que estão cansados de tentar
ele é mais uma chance;

para os maus
Ele é amor;

para os bons,
idem;

para os fracos
Ele é força;

para os fortes
Ele é delicadeza;

para os ramos cortados
Ele os enxerta.

Ele é tudo para todos,
ele aceita cada um como for,
Nosso Senhor e Deus.

segunda-feira, maio 07, 2007

Amiga

A vida corre e você não sai da memória,
meu coração ainda não desistiu,
alimentado por todas as vezes que tenho você por perto
mesmo sendo passageiro.

contemplar você linda, de longe,
te ver sorrir e participar de alguns momentos,
mas estar de fora de sua felicidade mais perfeita.
Ver tua boca sorrir sem poder beijá-la
é sua satisfação, embora meu sacrifício.
Não pretendo te deixar saber desse segredo
porquanto me seria um martírio malíssimo.
Calar esse sentimento sem derramar uma lágrima é uma batalha bárbara,
a qual enfrento por sua vida,
pela perpétua promessa de amar você.

Detesto ser coadjuvante em sua história,
desejo protagonizá-la, mexer com você, transformá-la,
ser o plot point em sua narrativa
e sermos felizes pra sempre.

Eu consigo até gostar de algumas,
mas não consigo amá-las como a você
imagino seu cheiro, textura e sabor nelas.

Meu coração engaiolado esperançoso por suas mãos benignas concer-lhe liberdade

sou seu amigo, seu conselheiro, seu ombro onde reclina os olhos úmidos
entanto quero ser somente seu,
seu complemento.

A dona

No dia que vi meu amô
meus olhos se encheram de luz,
e não foi luz pouca, alumia mais que holofote,
foi a luz de Jesus;
luz que me incandeia todinho
e que sai dos seus olhinho.

Ela chegou assim, trazendo alegria imensa.
E tu me acha léso de num querê essas benquerença?
Ela é a dona que faz bumbar meu coração,
o dito cujo freva dentro da caixa do peito
que nem um folião.

Só ela tem as baqueta
pra fazer tum tum nesse tambor,
Não carece de muito, basta carinho e amor.

Só ela faz chovê nesse sertãozinho
e faz cair bem devagarinho
uma chuva maneira,
gostosa, adocicando o chão
aguando a terra inteira.

E os lábios dela, pintados de aquarela
rosas que nem uma flor
despeja xêrinhos a granel
doces, muito mais doces que o mel.

sábado, maio 05, 2007

Naquele pedaço de chão (revisitando o jardim)

Naquele pedaço de chão
colhia-se solidão.
Nunca se viu beleza alguma dele brotar,
nele foram postas sementes de flores
de diversas formas, cores e olores;
nada (repetidamente) sucedeu.

Algumas sementes sequer abriram,
mantiveram presas dentro de si mesmas;
outras chegaram a sulcar a terra ao encontro do sol,
mas de complicadas e briosas,
insistiram em se deixar morrer.

Também confesso meu pecado
de umas poucas haver arrancado
por não serem do meu agrado.

Por sucessivas frustrações
deitei meu rosto e chorei,
chorei dores equívocas, de perdas e lutos.

Decepcionado,
decretei esta terra morta,
dedicada ao oblívio.

Sem nenhuma previsão,
num assomo uma flor rompeu o solo.
De aspecto metalizado
garantindo sua existência indelével.

Não recordo de havê-la semeado.
Sequer é catalogável, é rosa incomum,
sem o aspecto efêmero das outras,
sem exigir do solo mais que o necessário.
É uma flor, e forte por ser uma flor,
por desejar sê-la.

Sua fragrância conquistou todo o jardim,
seu brilho banhou tudo de luz,
delicadamente a flor dominava a completitude.

Neste fato aprendi mais um segredo.
As rosas mais belas nascem do acaso,
nem sempre conseguimos semeá-las,
nascem quando menos esperamos
a nos fazer surpresa.

Muro

Meu amigo, desça desse muro,
Fique comigo ou do outro lado,
mas não decida a neutralidade.

Camarada que ousa ficar aí em cima:
prefere a comodidade de assistir a tudo
de teu sofá de couro,
tua poltrona reclinável,
alheio a esta guerra desconfortante
vendo aqueles que te amam tombar?

Acima deste concreto
você fantasia tantas coisas
mas um dia desses a realidade deixa de bater à porta
para arrombá-la
e se mostrará nua e crua, face a face.

Portanto arranque as escamas opacas das retinas,
abra os olhos da alma,
martele seu coração rochoso,
eis a verdade ao redor:
esta guerra a cada dia mais sangrenta.

Desembainhe a espada!
Volte a ser louco como nós,
este é o melhor caminho.

Então desça daí de cima dessa parede
pois você sabe muito bem
que esse muro não existe.

terça-feira, abril 24, 2007

No jardim da Solidão

No jardim da solidão
faço-te a última oração,
um clamor desesperado
atrás de alguma alternativa.

Às vésperas do massacre
não compete a mim lamentar minha vida,
sofrerei na minha carne a dor dos outros;
o castigo de multidões convergirá em mim,
receberei tudo injustamente
para executar a misericórdia.

Sim, eu tenho todo o poder em mãos
e como homem me é tentador usar,
mas beberei dessa taça vermelha
de líquido amargo.

A cruz tem um peso imenso,
tem o peso do mundo,
que meus ombros vacilam a suportar.
Oh, Pai! Fortalece meus ombros
e meus pulsos,
pois eu sou a única esperança.

O gotejar rubro grava no chão
palavras de ânimo e consolo;
ainda mais, teu querido anjo, ó Pai,
veio me dar forças.

Lembrar dos pequeninos distantes de ti,
pobres filhinhos,
deixo de pensar em minha carne.
Minha vida é a tua vontade,
foi para isso que eu vim,
então eis-me aqui.

Guardião

Num mundo de egoísmo entronizado
eis-me aqui a fazer diferença.
Por mais indiferentes sejam eles,
nesta terra de perpétua omissão
serei sempre, dia a dia.

Dentro de mim tu estás constante
guardada entre um pensamento e outro
e quando joelhos ao chão.
Vivo, e tu compareces.

Quando a vida esquecer as bênçãos
e te for hostil,
estarei à frente e ao lado
qual um escudo.

Contra qualquer que a aflija,
acolho-te com os braços,
sobretudo se a frieza ameaçar tocar
e tentarem construir muros ao redor,
eis meus braços em prontidão a te ser outra pele.

Quando não for mais possível represar a água em teus olhos,
dar-te-ei meus ombros,
os quais são esponjas para te dar lenitivo.
Pode molhar essas espáduas,
aproveita que está tão perto
e usa meus ouvidos, teu confessionário,
aí lerei, através do olhar, teu coração transparente.

Entanto, abra teus próprios ouvidos,
pois serei ourives de alma
com a finalidade de transformar teu áureo interior.
Prepara-te para os golpes que darei com todo amor,
porque engastarei gemas preciosas.
Palavras podem ser acres por um tempo
mas são como remédios: curam, aliviam, revigoram
e algumas palavras serão até gostosas
como a sensação da te abrir a mente
a desembaralhá-la nos conselhos.

Meus olhos guardiões pousam sobre ti.
Serei teu guia na aventura em busca de sonhos,
alguns sonhos plantarei em teu âmago
porque não descansarei em te fazer ver e apontar para as estrelas,
farei-te tocá-las.

Como, quando, onde estiveres,
podes chamar-me
entanto te cobro um preço,
não te cobro ágio, sou simples mercenário,
teu riso é minha paga
e não há gratificação maior que tua felicidade.

quarta-feira, março 14, 2007

Amizadis arretada

Amizadis arretada, amizadis pra daná
nu Reino só si constrói
i nada mais distrói.
Cum discípus vredadêro
i cum amô tambêim vredadêro
longe di tudo o qui é má.

Os hômi nu mundo é disanimado,
mais nóis têmo um tisôro
mais precioso qui ôro:
é qui fumos agraciado
cum o sacrifício di Jesus
i purisso nóis vevi na Luz
essa Luz qui nus tem salvado.

Os discípus percisa di amigo
pois peleja cum o tinhoso
qui é um cabra semvergonhoso,
nosso pió inimigo.
Discípu cum discípu si ajuda
i cada dia mais muda
pois discípus são os mioris amigo.

I amizadi torna os cristão forte,
cada um podi sê disafiado,
inda mais quando é discipulado:
nóis num veve intregue à sorte,
tem sempre alguém oiando nosso coração
pra vê si tá mêmo tudo bão
i fazê crecê inda mais firme i forte.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

À venda

Vende-se poemas.
Você pagaria? Por quantas cifras?
Meu poema vale uma vida,
vale meu coração,
parte de minha alma.
Pagaria, não meu peso, mas o peso em ouro de cada palavra?
Pagaria o suor do labor de erguer versos?

quinta-feira, janeiro 25, 2007

o que eu quero

O que eu quero não exige muito de você,
quero de você algo que sempre me arrancas quando te vejo:
quero seu sorriso,
transparente como as águas que correm das cascatas virgens,
deixando-se revelar sobre a mata.

Seu sorriso que corre do seu coração - seu coração que é o meu -
me refresca da saudade que ainda sinto,
saudade diariamente matada quando vejo teu rosto e leio suas palavras,
como as ondas da praia que não param de voltar à areia.

Quero surfar as mãos sobre seu rosto
e tirar de você sorrisos,
muitos sorrisos
e aquele respirar profundo
de quando o coração toca num ritmo mais intenso.

The soldier

Smoke,
the smell of the powder is in the air.
War, sadistic goddess,
your hands are the death’s bony hands.
The battlefield bleeds
and my friends here are dead,
remain cry and fight
against my enemy
my enemies that I never knew
and they never will know me.
Who’s the enemy?
Who are we?
We are peons on the general’s chess,
we can’t return,
only go ahead
encounter my enemies
we’re exposed to the hostile artillery
while our superiors
are protected far from the combat.
My M4 shout and spit my pain,
the tanks overrun the silence
and smash the peace.
My allies are frightened
for the death, the suffering,
for the hostiles guns observing us shrewdly,
waiting our brief mistake
to aim us.
I don’t understand why I’m here,
and my family cry for me.
Go ahead! marching with cold and fear,
carrying homesick in the rucksack;
I wanna go back home,
to the comfort of my mother
and the homemade food.
here I’m starving
seeing dead bodies on the ground
and fire sparking.
just one error and I’ll burn on hell
(if here is not the hell),
I will never return.
The smell of the death follows me,
I kill so much that I stopped to count,
Forgive me God! Orders are Orders.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Não chore

Não chore.
Desejo não ver o brilho de suas lágrimas,
nem tão cedo ter de enxugá-las.
Quero ver o brilho apaixonado dos seus olhos ainda secos,
olhar demoradamente seu sorriso calado,
o qual abriga palavras doces, com sabor de coração.

Doravante, nossos corações batem como um só,
você sente, eu sinto;
se você chora, a tristeza vem me visitar,
todavia, quero te ceder meus sorrisos,
os tantos que me dás abundantemente
desde o primeiro minuto ao te conhecer.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Sonho ruim

Para alguém que eu amo muito e que me faz sentir muitas saudades.

Tive um sonho ruim.
Sonhei que eu me despedia de você
e ia demorar pra te rever.
Sentia falta de minha mão sobre a sua
e o calor de você perto de mim.

No entanto, descobri que não foi um sonho,
Tudo isso foi verdade,
mas eu desejava que fosse somente um sonho,
daqueles que passam inofensivos quando acordamos.

E eu queria dormir,
pra ver se acordava nalgum sonho bom,
longe da saudade e perto de você.

Estou condenado à esperança que a saudade me dá de um dia te ver.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Ocupado

[Poema Antigo]

A vida não é clara,
É tão fácil morrer,
É tão fácil se perder entre sonhos,
Perder o coração enterrado em agruras...

E a vida não pára,
A felicidade é tão cara,
Tão rara,
Tão rarefeita,
Imperfeita
Se dissolvida em tantas obrigações,
Em tanto tempo preenchido,
Em tanto tempo perdido
Enquanto eu pensava que ocupado
Não precisava pensar em felicidade.

terça-feira, janeiro 02, 2007

resposta do Kleyton

Esse poema é uma resposta do Kleyton para mim. Posto aqui porque achei interessante.
É belo o meu rimar, por isso rimo
Nas prosas eu de ti nem me aproximo
Poetas somos, nunca esqueça disso

Temos uma só fé, um só ensino
Eu vejo nos teus versos e me animo
Mas cada mago faz o seu feitiço

Cada um tem seu estilo ao fazer versos
Para transcrever a própria poesia
A cada mago é dada uma magia
Assim como aos poetas do universo

Eu amo o que escreves, eu confesso
Eu sempre quis dizer mas não dizia
No fundo cada um de nós sabia
Escrevas mais, escrevas, eu te peço.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

versos livres

Esse poema é para Kleyton. Ele me falava para escrever meus versos em rima, mas eu não combino com rimas, meus versos em sua grande maioria são livres e gosto deles assim.

Palavras encadeadas pra dizer
meus versos uma obra prima.
Entanto se falar é o que preciso fazer,
pra quê é necessário rima?

Prefiro minha química maluca
a ter de lixar
e esconder numa fôrma
a matéria bruta do meu pensamento.

Os versos necessitam de liberdade,
engaiolá-los só abafa o grito, o riso e o pranto.
Mata as claustrofóbicas estrofes
que sem medo querem dizer quem sou.

Já se foi o tempo da arte marmórea,
triste fim dos alexandrinos,
dos de/dodecassílabos

Os versos valsam mesmo sem som.
Não lhes nego esse prazer.
Ainda mais, peço-lhes que me digam
quais seus anseios de ser.
Igual um pai dedicado
quando bem educados os filhos
lhes permite escolher vida e ofício.
Dissolutos, cheios de si,
eles sou eu, inequivocadamente.

Rimas são tão cruéis
quanto expor bonsai kittens* sobre a prateleira,
perverso como domesticar bichos-do-mato.
Meus versos são selvagens,
da hostil selva das palavras,
da aterradora gruta dos significados.

Meu verso é um só,
um único verso vário, desvairado e oncontido.
Refletindo meu rosto imperfeito,
sem maquilagem para esconder minhas máculas.

* Lenda urbana da internet onde gatos eram criados dentro de garrafas.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Luz

[poema antigo]

Eu quero ser uma refulgente gota de sol
atravessando as copas das árvores
a iluminar os teus passos
durante uma caminhada pelo jardim.
E, se a chuva aparecer,
molhando de tristeza o teu jardim da vida,
abro uma nesga de céu
só para iluminar teu semblante.
Serei como uma seta áurea de luz
refletindo teu sorriso no meu olhar
como uma aquarela,
realçando as cores que vivem em ti,
cores vivas, bem vivinhas,
que dão felicidade à vida de quem te vê.
És um farol ebúrneo na enseada
guiando-me, barquinho náufrago
arrebentando-se
entre as poderosas ondas do infortúnio.

a dois

[poema antigo]

Os olhos enfitam-se concomitantes,
teu olhar de encontro ao meu,
um sorriso escapa do teu rosto
belo como esse dia de sol.
As mãos não param um segundo
derramando-se pelo teu corpo,
calmo, rente, profundo
pela tua macia tez.
Falar baixinho ao ouvido,
sussurrar palavras de amor para ti
e, num movimento de inspiração,
sorver todo ar que te repousa sobre o colo,
sentir o inebriante aroma
que as flores lhe emprestam.
Meus lábios ao encontro dos teus,
doces e acarminados.
Ao delicioso e úmido contacto
as bocas já não falam mais
e os olhos, cerrados,
imaginam a confusão de línguas,
a profusão do idioma do Amor,
linguagem silenciosa e inefável,
a essência da nossa vida.
Nossas línguas não proferem nada,
sinto o teu gosto sinestésico.
As mãos escondem-se nas madeixas
que se derramam por sobre os ombros
como uma substância fluida,
negra como os olhos brilhantes
que luzem da tua face morena.
O tato repousa sobre teu corpo,
seguro o espírito que vapora
suspenso no ar.
O afago tranqüilo, por gravidade desliza
vagueando, sentindo a macia textura,
veludo bronze.
Sobre o teu cálido regaço,
descanso pensamentos,
sonho um pouco
um sonho bom.
Neste momento
parece não mais haver tempo.
Sentir teu coração batendo tranqüilo junto ao meu,
sincrônico, emocionado,
era tudo o que pedi a Deus.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Faminto

Estou com uma fome imensa,
lanchonetes, restaurantes,
em todos esses lugares me enfastio.

Mesa farta, barriga cheia,
ainda sinto essa fome.

Esta fome me devora!
Não há homem capaz de sobrepujar
esse leão desesperado.

Me entrego a essa fome,
meu espírito sedento põe os joelhos no chão,
rendido e mais que humilhado.

Minha alma tem sede de ti, meu Pai,
sede da tua tua Palavra,
esta que me nutre e sustém.

Dá-me deste mesmo alimento sagrado
o qual alimentou Cristo
quarenta dias inteiros no deserto.
Estou num deserto espiritual.

A vacuidade do dia-a-dia
acrescentou-se ao vácuo dentro de mim.
A ausência é cada vez mais abundante
numa vida que corre sempre atrás do vento.

Dá-me desta água para que eu nunca tenha sede
estou faminto e sedento,
de mãos calejadas do enfado da labuta
e dessa guerra cruel
a qual tenho me entregado.

Conta-me teus feitos grandiosos,
faz-me lembrar de cada um deles em minha vida
e com um brilho diferente no olhar
quero admirar e adorar
esse meu Deus que cuida de mim.

Sacia essa vontade da minha alma,
mas mesmo que eu esteja satisfeito,
dá-me sempre essa fome
para que eu sempre busque tuas fontes.

quarta-feira, novembro 08, 2006

A rede e o regaço

Nesta tarde preguiçosa
não é preciso rede,
me encosto em teu colinho e fico,
o balanço da rede está em ti.

O ranger da rede no gancho,
aquele som que nina os ouvidos,
eu ouço nos tum-tum do teu coração
e no ronrom de minha gatinha.

O tecido de tua pele é macio,
diferente da fazenda que tecem as redes.

Quando tuas mãos acariciam meus cabelos,
(essas mãos tão gostosas em meu rosto)
percebo que nem preciso do vento.

A brisa do mar, carregada de gotinhas,
são teus beijos, úmidos e frescos.
O calor do sol é o meu calor em teu corpo.

Nesta tarde preguiçosa eu não preciso de nada mais,
eu só preciso de ti.

sexta-feira, novembro 03, 2006

ao anjo

Sob a ofuscante luz de sua graça
a contemplo estupefato,
uma beleza pura, sem apelos,
de um anjo que sequer caiu do céu,
simplesmente deslizou pisando delicadamente as nuvens.

Eu pensava que os anjos me eram inacessíveis,
indignos como eu estavam proibidos
de nem ao menos pensar em tocar.

Contudo a vi descer, graciosa como uma bailarina
para me oferecer um cálice de alegria.
Sentia a fragrância da luz te envolvendo feito aura
entanto eu, medroso pra te tocar,
hesitava aceitar seus agrados.
Você, tão acima da terra,
olhava para mim.
Fui eu o escolhido para ser abençoado por seus carinhos?

Eu sempre te vejo vestida de anjo,
apesar dos cabelos negros,
apesar da pele tão morena.

Na descoberta um do outro desfazemos mitos,
mas muito mais impressionado fiquei.
como se acumula tantas virtudes numa só alma?

Você me leva até o céu!
Me segura pelas mãos e me leva mais alto que as estrelas!
Mais alto que as estrelas!
É uma das sensações mais gostosas que vivi.
Eu quero repetir,
subir um pouco mais.

Meus sonhos são bobagens
quando me deparo com a vontade de afagar seus cabelos,
a piscina benta e escura onde hei de mergulhar.

Deixa-me pôr a cabeça sobre seu regaço
e leva-me para mais uma viagem.
Debaixo de tuas asas me recolho neste quentinho.
O paraíso é cálido e macio.

Vem, meu anjo, despejar sua luz
sobre este pobre desafortunado,
condenado a aguardar o sol dar várias voltas sobre mim
para poder te ver outra vez.

Quando te abraço,
sinto a maciez e leveza das nuvens,
estou mais perto do céu com você, meu anjo.

terça-feira, outubro 24, 2006

O caminho

O caminho é longo e difícil.
Confesso, meus pés desejam os atalhos
e por isso, meu Pai, me humilho
pra te pedir ajuda.

O caminho é difícil
e somente quem o anda sabe o quanto é difícil,
por isso me avisaste desde o começo.

Eu quero olhar para trás, meu Pai,
mas não quero olhar para antes de eu ter pego este caminho,
olhar para trás para me dar conta do quanto já andei,
pois foi muito
e tenho medo de minha memória apagar.

Deixa-me olhar mais para a frente também, meu Pai!
dá-me o vislumbre da tua glória, Senhor!
Há um prêmio no final do caminho
o qual eu não penso em perder de forma alguma.

Fortalece minhas pernas
e minhas convicções fracas.
O mundo é um ímã gigante
e já estou cansado desse vazio dentro de mim.

Eu tento fugir,
mas não existe nenhum lugar seguro,
só em ti.

O caminho é longo,
meus pés cheios de bolhas pedem um descanso,
O teu imenso amor, ó Pai, é meu descanso.
Meus ossos viram bronze,
sinto tua mão me segurando
e me empurrando para a frente.

Obrigado, Senhor, porque nunca desistiu de mim,
mesmo conhecendo minha maldade.
O teu Espírito vive em mim,
preenchendo vazio adentro.
Por favor, me recicla
para que eu possa sempre fazer tua vontade
todos os dias de minha vida,
pois sei como é bom estar contigo.

Minha vontade é de pegar um atalho
e tentar voltar ao teu caminho mais tarde,
mas nem sei se haverá esse tempo
e sei que esses atalhos não têm volta,
são todos caminhos perdidos.

O caminho é longo e difícil
mas Tua Luz brilha no fim como um sol.

Decifração

Quando olho para você,
tento decifrar seu rosto
mais indecifrável que Monalisa.

Extasiado feito um matemático
diante de um teorema intrigante
ou inseguro como quando um esquadrão anti-bombas
tenta desarmar algum explosivo,
assim sou eu na sucessão de seus rostos em sua página.

Confesso, sou inexperiente demais
pra saber se seus risos acolhem ou hostilizam.
Em teus olhinhos negros traduzo milhares de códigos,
contudo eles revelam e guardam segredos ao mesmo tempo.
Você diz que seu humor é misterioso
e sei que a lua é tanto sua conselheira quanto sua confidente.

Mas mesmo sem entender,
fico admirando em silêncio,
como na profusão de uma sinfonia.
Me permito entrar nesse enigma,
instigado por minha curiosidade em te descobrir.

terça-feira, outubro 17, 2006

Eu ainda estou lá

Depois de você os dias reprisam
Como aqueles filmes chatos da TV;
Dias sem emoção e bastante previsíveis.
Uma pitada de tédio por hora
E já acumulo toneladas.

Como um sonho rápido,
Lembro-me de minhas mãos acariciando sua nuca,
Sentindo a delicada pelugem de seu pescoço e seu rosto.
Seus cabelos têm um cheiro tão bom.
Retiro de seus poros essa fragrância carmesim,
Te faço ouvir e sentir meu fôlego.

Fico a roçar a barba sobre sua face,
Mapeando sabores e texturas.
De olhos fechados a gente busca um ao outro.

Embriago-me com a resposta
Do roçar em frenesi de seus dedos sobre meus cabelos,
Faz circular o sangue com mais vigor.
Seu toque de inverno torna-se verão comigo
E as unhas de sua mão vêm me fazer cócegas no rosto.

Parecia um sonho,
Mas você me acordava com seus toques.
Contemplava sua boca entreaberta,
Seus olhos semicerrados
E seu respirar profundo,
Todos me pedindo um beijo.

As estrelas daquela noite vieram estar conosco
A observar nós dois, envoltos num manto de silêncio,
Ocultos aos olhos que dormem serenos.

Te aperto forte contra mim
Tentando soldar nossas almas,
Tentando fundir meu coração ao seu.
Nosso calor faz derreter o ar,
O sol pareceria frio se comparado a nós.

Desejo que esse tempo reprise
Por toda a eternidade.
(e na verdade esse tempo é uma pequena eternidade)

Quando eu penso em tudo isso,
Todo ambiente ausencia-se imperceptível.
O presente e o futuro somem da linha do tempo.

Eu ainda estou lá
Ainda estou lá com você.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Ao mais alto

pode-se dizer que esta é a segunda parte do poema anterior. Baseada numa imagem que fiz pra adicionar à minha galeria do Deviantart.

Voa com minha mente,
Sobre a epiderme do dia caminha em teu balão
Territórios extensos, muitos inexplorados.
Cada momento será uma descoberta.

Traspassa nuvens para ver a chuva nascendo,
Deixa o sopro te guiar desleixadamente.
Sinta meu sopro brincar com teus cabelos
E te levar mais alto,
Onde a camada de luz fica mais espessa.

No mais alto, estrelas e cometas moram,
Estique as mãos para tocá-las,
Em sua bolsa guarde um pouco de pó de sonhos
Junto às sete luzes do arco-íris.

Em meu espaço você conhece a liberdade,
A levo sempre para o alto,
Onde o chão jamais a toca,
Ao mais alto que você puder se levar.

Mergulhe o mais profundo dentro de mim

Esse é para Marina. Na verdade o poema não fala de você, Ma, ele é para você, serve como desafio, como sinal de cautela, como chamado pra você. Quem sabe algum dia te escrevo alguns versos? Baseado numa imagem que fiz.

O mais profundo que você chegou
Ainda é o mais raso existente em mim.
Abri meu oceano privativo,
Dispense chaves, explora desobrigada.

Está preparada e equipada?

No mais profundo encontrará segredos cifrados,
Barcos naufragados de guerras antigas,
Mistérios ou coisas desconhecidas,
Ou uma imensidão sem vida.

Você sabe, quanto mais profundo, mais pressão.
Nas regiões abissais a luz esmaecida perde fôlego,
No entanto, vidas as mais diversas verá.

Mergulhe o mais profundo dentro de mim
Mas não esqueça que por entrar nesse oceano,
Você já faz parte dele.

Sorrisos

[poema antigo]
Para uma garota... a saber, ela é aquela semente que citei em outra poesia.


O sorriso é uma porta destrancada,
um convite, um bem-vindo
para um coração vulnerável.
Ele mostra uma despreocupação com os medos e orgulhos,
coisas essas que trancam as pessoas
tornando suas feições igualmente desertas e frias.

Todavia, o sorriso pode ser uma porta cerrada,
uma barricada de superficialismo
que muitos utilizam para esconder os inúmeros e nocivos pecados.
Esse tipo de sorriso não se sustenta,
pois é firmado numa felicidade nômade
que peregrina pelo tempo e situações.
portanto é nítido nos olhos dessas pessoas
tudo o que é escondido: chagas, mágoas, miséria.

Contudo, seu sorriso é sincero, legítimo,
extraído puro do coração
sem refinar nem tratar.
É essa a marca do discípulo:
conservar indelével essa expressão
deixando resplandecer toda a felicidade incrustada.
Seu sorriso desmedido nos contagia,
ele força um sorriso deslizar alegremente dos nossos rostos.
Assim matamos a sizudez
e o semblante taciturno desgastado por dentro.

Antes, eu era de muitos sorrisos,
no entanto eram tórpidos,
tentando esconder o abissal que eu sentia,
feições falsas impressas na ilusão de felicidades efêmeras.
Agora a felicidade se torna tão inerente
que vira quase uma ordem, uma lei irrevogável.
É bom acordar matinalmente leve,
sem aquelas angústias dos sem-perdão,
é bom compartilhar, cantar,
dar da nossa alegria aos outros,
pois essa felicidade nunca perece.

Seu sorriso embeleza suas feições,
ele demonstra vulnerabilidade,
uma virtude de muito apreço
para os que mais desejam mudar
e se enchem de amigos.

Por isso conserve seu sorriso sempre prateado,
mantenha um coração hialino,
seja uma humilde aprendiz,
aproxime-se a cada dia do Eterno e do Seu Filho
e isso a aproximará das pessoas,
quer dizer, as pessoas é que se aproximarão de você,
cativadas por seu sorriso e seu espírito.
E Deus ficará inda mais feliz,
enchendo de frutos a sua vida.

Amo muito você como um irmão
e meu desejo é apertar esse laço recém atado,
pagando o preço devido por algo tão precioso.
Muito obrigado pela saída,
nela pude te conhecer melhor,
conhecer um pouco do seu coração
para assim terdes um amigo a te ajudar.
Com certeza você já tem me ajudado muito,
irradiando essa alegria,
impregnando-a nas pessoas as quais sua vida toca.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Lembrança

Noite passada eu tive um sonho
Tão bom que nem lembro como foi.
Minha memória é muito fraca
Mas no coração ainda guardo nomes,
Uma chama ardente que me traz vida.

Eu sem este fogo não sou nada,
Apesar de eu viver dentro do meu mundo,
Preciso de amigos
Nem que seja só a idéia de que eles existem

Entra uma luz que ilumina o ambiente
Vêm à minha mente uma pequena semente
Que faz brotar uma flor
É essa flor quem me traz a felicidade
Quem me faz esquecer da dor
A dor de um peito sofredor

Eu queria ter um lindo jardim
Onde colibris e sonhos pudessem pairar
E cada segundo de todo santo dia
Pareceria para mim como que feito de ouro.

Tudo na vida é passageiro,
Menos a memória,
Que infelizmente mantém-se acesa.

Fico a noite inteira pensando sobre o mundo
Acho ele um palco de injustiças e ferocidades abomináveis.
Um mundo de aço e concreto,
De pessoas de pedra, de concreto
Sonhos não concretizados,
Palavras abstratas
Palavras abstraem
Continuo com os pés no chão
E a cabeça nas nuvens.
Ando pela cidade à procura do Motivo
Um motivo para o riso ou para a lágrima

E, sem nexo, me anexo ao mundo

Trying

[poema antigo]

I’m trying to live without your smile in my way,
I’m trying to control the wild sea inside me,
‘Cause you know how much I miss you.
Help!
I’m drowning inside myself.

Could you see the dark clouds above you against the light?
‘Cause I see their shadows stealing the colors,
stealing my pride, my soul, my life.
You’ve gone away carrying half of my days,
You’re so far like those sad clouds.

I’ve been thinking of you,
I remember past happy days
That never come back.
I tried to find my mistakes inside my words,
Inside the unspoken words,
‘Cause I didn’t know how much these words hurt you.
I’ve never found my hidden mistakes.

Distante

[poema antigo]

Às vezes a inspiração cessa
E eu fico meio bobo frente ao papel,
Procurando palavras
Que possam falar por si mesmas
Tudo o que eu queria te dizer.

Os poetas às vezes falham.
Nem o Sol tingindo o dia,
Nem as flores embalsamando o ar,
Nem a lua, as coisas boas,
Nem mesmo os versos dos grandes poetas
Conseguem abrir o grande oceano de significados
Em que mergulha minha inspiração.
Não consigo terminar meus versos,
Não consigo torná-los sinceros.

Não espero muito das coisas,
Não exijo muito das pessoas,
Só te peço um pouco:
Sacia meu anseio de destrancar teu coração,
Dá-me a chave de acesso a todas as palavras
Que emanam da tua alma.
Pois ainda te sinto distante,
Não pelos mensuráveis quilômetros que nos separam,
Mas pela incomensurável distância
Que me afasta do teu coração.

terça-feira, setembro 26, 2006

amor, s. m.

O amor é uma daquelas criaturas
Cujas enciclopédias em tempo algum ousaram catalogar,
O mais sábio sequer imaginou,
Passou longe.

O amor é um aventureiro das desventuras,
Encontrou na sorte um escudeiro
E aprendeu com [ou ensinou] a fênix
A sobreviver mesmo depois de morrer.

O amor é um pequeno aprendiz
Dentro de nosso peito.

O amor aprendeu o desvelo,
Aprendeu a fazer cafuné
E a sorrir feliz de uma forma que poucos sabem.


O amor aprendeu sozinho a tabuada,
Aprendeu a dividir antes da subtração
E a somar: um mais um,
Sempre um mais um.
E depois de aprender multiplicar, subtrair.
Na subtração, aprendeu a calar-se,
Recolher-se encolher e a pensar:
Um menos um é nada.

O amor aprendeu a fazer mágica.
Milagres, não ilusionismo;
Aprendeu a dar vida às vidas,
Acreditar que o impossível esconde sempre uma solução.

O amor aprender a sobreviver,
Passou por fomes de carências
E pelo desespero da perda.

Menino travesso,
Aprendeu a brincar com fogo,
Aprendeu a rir dos perigos,
Matou o medo da morte.
Ac cada desafio ficou mais forte.

Meia-vida

Nasceu.
Morreu.

De súbito passou,
Pouco durou.
Tanto me havia,
Pouquíssimo sobrou.

Sondei-me e custo a entender,
Quem sabe o tempo diga
Onde ficou aquele amor todo.

Ao visitar meu coração,
Este não se mencionava no catálogo
O quê o furtou?

De qual forma metrificá-lo,
Aferir seu peso,
Considerar grandeza tangível?

Coração, recipiente furado,
Deixou escapar tudo,
Evaporou nossos planos,
Vazou as fotografias na cabeceira da cama.
A paixão desbotou inexoravelmente no tempo.

Pois como pode um amor imenso declarado
Ao invés de sublimar,
Tornar-se subliminar,
Imperceptível aos nossos sentidos?

Esse amor tem meia-vida curta.

Irreal

Quando a mão passeia sobre a neve
E os dedinhos de seu pé tentam me beliscar,
Atravesso sua pele, afago seu coração.

Em seus olhos leio um prazer disfarçado,
Como se nada daquilo afetasse sua altivez.

Quando paro, oferece-me as mãos
Ou um carinho grosseiro
Pedindo a mim um pouco mais.

Eu aceitaria te fazer feliz
Se você me aceitasse.

Faria seus pezinhos caminharem
Sobre as nuvens mais altas.

A teria, apesar de meu desejo maior de mudá-la,
Infelizmente nossos olhos caminham por lugares diferentes.

O amor entre nós dois é irreal,
Real, porém surge vizinho ao instante de inexistir

segunda-feira, setembro 25, 2006

Olvido

[poema antigo]

Distância mais do que distante,
Incomensurável,
Longínqua, supramaterial,
A distância que não se mede com régua
E apenas o tempo dissolve,
Esquecer...
Redenção da alma presa à memória,
Recordar que não lembra de nada,
Esquecer que lembra de algo,
Esquecer que lembra dos sentimentos presos na mente por um fino barbante de tempo.
Anular grandes sentimentos
Que outrora foram sentidos.
Olvidar é fazer de conta que nada aconteceu,
É mentir para mim mesmo que algo surgiu na nossa vida,
Que num instante a vida era luz
Por alguém que eu amava.

Se nos trazem lágrimas as recordações,
Se o pranto ocorre nas recordações da pessoa amada,
O esquecimento é solidão.

Querida amiga

[poema antigo]

Mesmo sem você por perto,
Ainda sinto forte sua presença
Guiando-me com sua luz inextinguível
Pelos caminhos tortuosos da vida.

Mesmo com sua ausência,
Ainda fazes presença
Com seu amor onipresente.

A verdade é que a vida
Ainda me pega com suas armadilhas;
Sinto-me triste vez por outra
Quando me lembro de você,
Quando penso nos dias passados,
Enquanto o agora é solidão e sacrifício,
O vício de querer ser mais.

Mas a lembrança de você
Não carrega o fantasma da tristeza,
É da sua amizade que posso
Compreender que o suor faz sentido,
Que minha felicidade pode ser concretizada;
E você mesma a realiza
Com seu amor sem fim,
Com sua fé em mim,
Como um anjo iluminando meu caminho.

Porém, quando não consigo me encontrar,
Não preciso ir muito longe
Eu te encontro no meu coração.

quarta-feira, maio 10, 2006

O céu fechado

O dia ficou como noite.
Vestida de cinza, a paisagem entristecida.
A chuva bate na janela pedindo entrada.
Mais nuvens fechadas cá dentro em mim.
Meu solzinho escondeu-se,
tá longe, sequer posso sentir,
seu brilho escapa
minhas investidas inúteis.

As retinas chovem,
este dia pesado e infeliz.
Nas ruas, os postes disfarçam tamanha escuridão.
Tantos dias sem o solzinho.
Será que se acostuma?
Recuso-me

Tardes sem melodia,
tanto pra dizer acumulado,
expectativas e aguardo.

Hoje o dia todo é como noite.

quinta-feira, abril 20, 2006

Solzinho

Me desperto todo dia
Com uma luz repousando sobre meu rosto

Julgava ser algum corpo celeste

Essa luz brilha dentro de minha mente
Basta o sol sorrir em meu pensamento.

Em sua honra componho meus versos
Em minha cabeça canto tanto para o sol,
Desejando sentir o calor
E de um dia tocar.

Talvez de tanta paixão
Estaria eu mais quente que o sol.

Passa a manhã, meu solzinho da tarde aparece
Cheio de novidades.
E eu, cheio de uma saudade infinita
Que de tanto querer perto, esta saudade aumenta
E a distância fica a cada dia um ano-luz maior.

Tem dias que parece ter havido um eclipse.
Um dia sem ver meu solzinho
Inconsolável e sozinho fico,
Esperando a alvorada.

Mas eu sei que o sol volta,
Ele só foi iluminar outro lugar
E volta,
Incandiando com sua forte presença,
Pois a escuridão me ensina como essa luzinha faz falta.

Como amo ouvir aquele oi,
Aquelas palavrinhas felizes.
Como amo ver esse brilho!
Meu desejo é afagar o solzinho
E, ao invés de apagar essa chama,
fazê-la brilhar!

E fazê-la alcançar todo universo.

sexta-feira, abril 07, 2006

Dama de Preto

Quem é ela que passa
com seu vestido negro indecifrável,
vestido grosso por seu rude serviço,
poento da passagem do tempo.

Dela todos tentam escapar
apesar de sempre a encontrarem.
Seu manto cobre-lhe de discrição,
a fim de, no encalço da vida do homem,
furtivamente os segar.

Poderosa, os grandes homens a temaram.
Diante dela, homens feitos choraram feito criança.
Não há como fugir de suas mãos.
Alguns conseguiram escapar,
mas vingativa e impiedosa, no final sempre alcança sua vítima.
A saber: todos os vivos, você e eu.

Ela passa à minha frente ameaçadoramente,
algumas vezes senti seu frio,
outras vezes, em dias antigos, me embriaguei a desejando.

Todavia, agora a permito sem medo.
Derrotada e impotente,
o que lhe parece vitória, este é meu trunfo
devido ao precioso sangue, não o meu.

Se a morte me toma,
minha vida escapa entre seus dedos,
pode até tirar meu corpo, separá-lo do espírito,
mas a alma permanece a eternidade.

Todos os dias a confronto,
a tomo para mim,
vivo, me faço morrer
porquanto viver é viver em mim Cristo
e morrer é viver com Cristo.

Pesadelo

Nessa madrugada o pretume de um pesadelo me acordou.
Sonho negro
da cor do teu batom e do teu vestido.
Minha alma insone cansou de buscar descanso.

Estás indo para o lugar de onde eu saí,
buscas vida onde todo mundo só encontrou morte
e recuso te ver nessa morte.

Ignore o rútilo galantear das coisas efêmeras.
Se parece haver sentido e oferecer felicidade,
desnorteia, ilude e cobra um preço alto.

Sinto uma falta dominical de ti,
meu Pai sente tua falta também
e todos os outros dias.
Choramos quando dói demais saber de ti.

Ser amado nem importa mais,
te procuro a fim de trazer
de volta a luz em ti.

Querida irmãzinha,
minha fé proíbe desistências,
eu te amo,
e se aceitasses minhas palavras,
diria outras tantas
ansiosas de escapar de minha alma.

O brilho negro te seduz,
oferecendo prazeres ao corpo,
violando tua pele clara,
viciando o sangue
e oferecendo ilusão ao coração,
sofrido músculo
do qual aprendo a me comiserar.

Não te afastes,
estenda as mãos para alcançar-te,
não aguarde o cair da máscara da vacuidade.
Antes, perceba o odor fétido do sangue em redor,
sinta a terrível podridão melar seu vestido,
antes que te afundem
e lhe roubem o fôlego de vida.

Acompanho seus passos
e aguardo o esculpir vagaroso de teu coração.
Se é de carinho e amor que precisas,
te dou até sobejar,
para que voltes àquele caminho.

quarta-feira, março 29, 2006

Ruptura

"Existe alguém em todo universo
esperando de abraços abertos por minha chegada.
Eu tive de ir mais longe."

Tudo o que começa tem realmente um final?
Às vezes amor demais exige uma pausa.
Seu amor determinado jamais desiste de mim
mas você sabe que devemos ser somente amigos, né?
Se conseguirmos conviver com a idéia
de somente ter, sem possuir.

Me perdoa por te fazer se apaixonar.
Sou cúmplice, eu sei.
Tanto você me falou
que podia ser arriscado
e eu, tonto de amor
resolvi arriscar.

Se fosse minha própria vida
peso algum me haveria depois do erro;
arrisquei o que não era meu,
o dano não foi em mim, eu sei.

Não tenho dúvidas de quanto você me considera
e dói demais ferir quem a gente ama,
pois as feridas parecem nunca sarar,
fica uma cicatriz, alheia ao tempo.
Suas lágrimas são as minhas,
é parte de mim que sofre.

Reconheço meus erros,
quanto irresponsável fui
ao pensar em mim
e também de ter medo de continuar nosso sonho,
mas eu não queria somente sonho, você sabe
e essa ruptura não é de forma alguma alguma forma de desistência,
este tempo não é silêncio,
considero como a calmaria que precede um tornado.

Tentei nos proteger
da ilusão onde possamos estar entrando.
Fui realista, você disse,
e a realidade não foi nada fácil.

Entanto não perdemos um ao outro:
o destino e o desatino rimam
e invocando o caos, quem sabe,
pelo mesmo motivo que nos separou
nos unamos: o amor.

sexta-feira, março 24, 2006

Duelo

Os punhos alcançam a face do oponente.
Os pés de apoio sustentam
Neste tenso desequilíbrio
De forças antagônicas.

Os poros deixam vazar gotículas milhares de suor
Amontoadas uma a uma
Qual um caldo brilhante
Lubrificando
E por lubrificar, dificultando o atrito das peles,
Prologando mais a luta.

O chão roja pela pele
Escalavrando a áspera tez
Esculpindo nela inquieta dor.

Um tateia sobre o dorso do rival
Onde fincar as unhas.
Espesso e rubro visgo
Vaza feito rio
Tingindo os lutadores.

Ora um permite sua face bater,
Ora outro cede ao enfado das horas

Espírito e carne, dois duelistas.

Quem é o perdedor?
De quem é a vitória?
Esse combate vai além do sol se pôr

Essa guerra infinda
Dura o resto da vida.

As ondas

Na praia, nas pedras o vento brame,
Passa o sopro rápido, assalta o silêncio,
Rasteja rente ao mar e o empurra,
O oceano atiça.

O mar: com feroz voracidade
Sepulta os desafortunados navegadores.
Nele jaz Alexandria, jaz o mito de Atlantis;
Ainda mais misterioso que eles
E contraditoriamente cheio de vida.

O vento instiga o manto d’água,
Contorce-se impassivo, compulsivo.
Contrai-se mais, avança a orla,
Saliva toda a areia, saboreia pequenas pedras.

Noutro front,
As águas guerreiam contra as pedras do mirante.

O vento vivificado uiva,
Solta sussurros, silvos.
Ondas feito martelos
Desmancham-se estrondosas
Contra as rochas.

De brado amedrontador
Lançam-se sem vacilo
Quais kamikases desesperados,
Cheios de ódio.

As pedras, ao contrário, não ameaçam.
Esperam, talvez ao fim das eras,
Tão silenciosas, tão mansas,
Todavia tão firmes.

As ondas abordam o mirante num turbilhão altissonante.
As pedras permanecem no mesmo lugar.
Somente uma delas se move,
Mas logo volta à posição inicial.
Depois, outra onda ataca,
Mais outro turbilhão,
Outro, outro e mais outro
E é assim toda a tarde,
Cai a noite e o outro dia.
Passam-se os dias e o oceano altivo
Em todo seu escândalo
Não conseguiu mover as pedras.

Sou como essas ondas.
Lanço contra os céus impropérios
Encharcados de orgulho,
Me debatendo contra as pedras.
Todas minhas queixas
São tão tolas frente à brevidade da vida.

Por mais que eu confronte,
Recalcitrante e mau,
Meu Deus permanece impassível.
Fixo, em sua paciência monumental.

segunda-feira, março 20, 2006

Patty

Seu nome? Independe.
Ousa alcunhar-se de Patty.
Se quiser, dê-lhe um nome qualquer
A fim de adquirir ela personalidade
Sabendo-se faltar nesta alguma.

Patty é mais que uma,
É certo que conheces uma igualzinha à minha,
Pois elas teimam em existir na maioria dos círculos sociais
E infestam shoppings, praias, baladas,
Inclusive o mundo virtual.
Ela necessita estar sempre à mostra.

Bonitinha, bonequinha, parece uma criança.
Seu dom de ser bela serviu para inchá-la de orgulho.
Ela é muito linda, confesso,
Mas ela aprendeu que vale mais sua casca.
Por isso enche-se de tudo que a faça cintilar.
De fato os adornos ressaltam seus ricos contornos.

Minha propaganda – meu querido ofício
Tornou-se seu vício
E a tem ensinado muito.
Levi’s, M. Officer, Colcci, Operarock
Le Postiche, Movimento, Motorola
Amanhã oferecerão novidades
Ainda mais novas que as de hoje,
Fadadas ao obsoleto.

Na religião do consumismo,
Ela é devota a tudo que as novelas,
A Mtv, cinema e as vitrines ofertam.

O vazio a satisfaz, essa é a verdade.
E quanto mais vazio obtém,
Mais vazio deseja para preenchê-la.

Infelizmente dinheiro é muito pouco
Para comprar uma alma.
A propósito, esta já foi vendida
Para comprar aquela vã segurança qualquer
Que estava em liquidação nas vitrines.

Sei, contudo, que dentro dela,
Num lugarzinho escondido,
Empoeirado por tanto descaso
Bate um coraçãozinho, miúdo e frio.

Quiseram lhe dar um amor sincero,
Mas ela os pisou, rejeitando como algo vulgar.
Em suas infantilidades,
Corações esmigalhados acumularam sobre seus pés,
Desprezados por seu olhar altivo
E sua interminável lista de exigências tolas.

Aquele moço bonito ao seu lado,
Bem alinhado, com uma boa conta no banco
Diz que a ama.
Ele a exibe a todos, qual um troféu.
Um troféu brilhante e belo,
Cheio de vácuo.

Para ele, Patty tem o valor de tudo o que ela comprou,
Sim, ela não vale mais que um objeto,
Cheio de caprichos, e um dia ele se enjoa dela
Para trocar por um outro modelo mais novo
Ou aquela outra que estava em promoção.

Coitadinha de Patty
Seu coraçãozinho descartável já viveu muitos finais infelizes.
Enquanto tentava viver contos de fada.

Pior, daqui a pouco os anos saquearão sua beleza
Que as plásticas não conseguirão repôr.
Mesmo as pinturas mais resistentes
Descascam com o tempo.

Obsoleta, sua casca estará apodrecendo
E no fim ela valerá tanto quanto dentro,
Será tão descartável como os produtos que ela compra.
Como a moda, sazonalmente trocada por outra.
E a sua estação já terá passado faz tempo.

O Tempo e a Distância

Querida, deixe o relógio andar.
Nem tudo é como queremos
Incluso no caos universal.

Te encontrei, parecia um bilhete premiado na rua.
Todos passam, ignoram,
Cabisbaixo de praxe, te encontrei. Você perdida.

Os meandros levam você e eu.
No afluente mais próximo houve o encontro inesquecível
Tornando um rio somente,
Mais vasto, mais denso, mais vivo.

Querida, deixe o rio correr,
Ele não se doma nem tem vontade própria
Segue leis regentes.

Você conhece meus pensamentos,
O vidro o qual lês todos dia
E você tem sido muito menos volátil
Do que aqueles corações que feriram o meu.

Entanto te ter é tão concreto
Quanto segurar o ar com as mãos.

Não nego a fidelidade sua,
Dentro do monitor, todas as tardes.
Seu carinho, apesar de o mais intenso já sentido
Alcançará só um dia quem sabe
As áreas tácteis da superfície,
Atualmente, subcutâneo.

Amiga, o tempo é uma dimensão
Cujo barco nunca aprendi navegar.
À mercê, somos subjugados por nossas vontades.

Carrego você no bolso,
Dentro do celular
Macromolecular minha vontade
De ir feito torpedo
Provar o multicolorido
De qualquer coisa real
Entanto a angústia da espera
É um muro imenso
Metafórico quanto real.

Enfim, distância ainda é distância,
Aguardamos o escritor do universo
Escrever um capítulo só para nós.
Dentro do mecanismo grandioso que rege o pó das estrelas
Eu e você somos pó, embebidos de caos.

Adianta cobrarmo-nos alguma coisa?
E como dói um amor tão grande
Ter de ser apartado.
Como pode duas pessoas que se amam tanto
Terem de ser separadas?

Por isso deixemos para trás a pressa.
Esse andar afobado de nosso amor
Tem atropelado tanta coisa
E pode nos atropelar por completo
Se o carinho deixa de ser desenvolvido
Resultando numa lista de exigências.

Sem paciência, desata-se os laços mais ternos
E tudo o que podia ser
Deixa de ser para sempre.