Terça-feira, Junho 30, 2009

Se eu erro

Se eu erro, o faço querendo acertar,
Miro as estrelas,
Minha meta é as ultrapassar
Prefiro fazer assim
A ter de passar o resto da vida
Lamentando não haver ousado.
Eu ouso sonhar.

Eu vou tentando, embora me digas impossível.
Como dizer ser impossível
Se você não foi até o fim?

Vou tentando até findar meus dias,
Só assim aceitaria que não venci
Apesar de que nunca desistir já é uma vitória.

Irmãzinha

Dessa vez a noite está cheia de luz,
hoje você me salvou das sombras.
Como poderia eu saber a sorte que tive
de naquela multidão conhecer você?

Irmãzinha, amizade é um tiro ao alvo
e comigo esse tiro foi na mosca.

A vida dissimula equívocos,
espalha suas intenções fingindo a esmo
contudo é certeira, com as mãos de Deus.

Se você soubesse como faz falta
aquilo que passam por cima por costume,
essas coisas são gritantes em sua ausência.

E quando a tristeza vem apertar os nós em meu peito,
o stress ameaça trincá-lo,
quando a esperança me abandona
numa prisão sombria dentro de mim,
quando parece não haver motivo algum para ser feliz,
você me arranca risadas
num breve relembrar de nossos causos.

Os dias com você são perenes em meus pensamentos,
eles ressuscitam todos sentimentos bons
pois nossos programas são sempre os melhores
tão-somente por serem nossos,
por destilarmos, acima de tudo, nossa amizade
e o prazer de estar junto.

Você me salvou de uma morte lenta em dias insípidos,
você agasalhou meu coração com suas palavras
e esse sente-se renovado
embora lhe falte forças às vezes
fazendo-o pedir um pouquinho de lembranças .

Você não percebe e nem sei se sente
a cura que você me traz.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2009

Visita

Assim que desço do escritório, você me cumprimenta.
Não entendo o motivo de sua vinda,
mas passivo aceito você em meu cotidiano.
Siga-me, ao menos você é minha companhia,
sua atenção é alguma coisa.

Você vem me apertar o peito,
aperta-o forte que o sinto em minhas costas.
Visita-me por causa desse tom blues da noite?
Casais felizes e você aperta o laço,
olho para o futuro e mais um nó,
e quando eu penso no passado,
nas coisas interrompidas,
você quase faz o coração desistir.
Você delicadamente me tortura.

O coração enguiçou, criou ferrugem,
olhos viraram um deserto.
Sobrou um vazio,
e por ser vazio, deveria não dar problema algum,
no entanto dói demais.

Carros passam, pessoas passam
e eu passo, nada diferente.
No ônibus, você ao meu lado,
inquietantemente silenciosa.

Um dia, quem sabe, me despeço de você.

Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Fuga

Hoje eu quero viajar.
Livre de bagagens,
evadir-me a algum país imaginário,
qual os amigos de Drummond.
As ilhas de hoje perdem mais homens.

Fugiria às estrelas
onde me ofuscassem;
quem sabe nalgum asteróide
houvesse uma flor para mim.

Partiria num desses transatlânticos do céu
para qualquer destino,
mesmo se fosse contra algum arranha-céu.

Preciso fugir daqui.
Para o peito de algum amigo,
para o trono de Deus,
para qualquer lugar longe de mim.

Quinta-feira, Novembro 27, 2008

O trem

O trem chegou rasgando o breu da noite com sua lança de luz,
bufando vapor, carregando desde longe novidades,
trouxe mudanças para os de coração intrépido,
aqueles que ousam entrar nele.

Ele vem, ninguém sabe quando volta,
o acaso são seus trilhos,
seu destino é incerto.
No entanto é bem melhor que essa mesmice.

A locomotiva parou à espera dos novos passageiros
e tu fitavas aquela passagem de trem,
vacilando entre entrar ou não,
entre um desafio ou a apatia.

Continuaste olhando aquele papel,
mexeste nas malas, sem decisão,
num silêncio ansioso.

Teus olhos admiravam o prateado do trem.
Aquele brilho cintilava em teus olhos,
te convidava à aventura.

Entre tantos pensamentos,
pesava para ti largar o marasmo de uma vida medíocre.
A sorte te faria uma pessoa melhor,
mas já estás acostumada contigo.

Tens um amor confesso pelas coisas que atrasam sua vida,
construíste tua casa entre os perdedores
e pareces desejar permanecer.

Enquanto hesitavas, o tempo acabou,
os passageiros devidamente acomodados,
nas janelas, já despediam-se dos que ficavam.

O trem da sua felicidade foi embora,
você perdeu a chance
e ninguém sabe mais quando volta.

Joguinho

Eu deveria dizer que te amo e pronto.
Seria o suficiente,
um curto e grosso eu te amo.

Você prefere joguinhos e dissimulações,
gastando um tempo bom,
tempo em que aproveitaríamos um ao outro.

Obriga-me a ser turvo
e é mais cristalino que água como me sinto bem com você.
nenhuma diversão é bastante se sua alegria ausenta,
andar no centro da cidade é um passeio solitário se falta você.

Apesar disso, para jogar seus joguinhos
eu finjo nem me importar
desdenho você para você não me rejeitar.

É engraçado como esse jogo funciona:
eu a procuro, você se afasta,
quando me distancio, você me busca,
num pac-man de proporções reais,
cujo labirinto é sua mente.

É contra minha natureza ser insincero
e esse jogo de máscaras cansa.
Deixa de brincadeira e vamos amar de verdade!

Sexta-feira, Setembro 12, 2008

Meus três pais

Aquele senhor cativante, sempre pronto com um sorriso no rosto e uma piada ou uma brincadeira para gargalharmos todos, esse é meu terceiro pai. Ele é meu pai porque é pai daquele de quem herdei os genes. Não somente por isso, é meu pai porque me ensinou muitas coisas. Em sua estante, em sua casa, entre livros muito interessantes, um deles se destacava: volumoso, capa de couro e letras douradas, guardava histórias que mudariam minha vida. Meu avô, tão apaixonado por conversar das coisas de Deus me fez admirá-Lo, o que depois aprendi a adorá-Lo.
Tenho saudade dos tempos de infância, quando passava as férias caminhando com ele na rua (eu que tinha de correr para acompanhar seu passo apressado), conversando à noite sobre qualquer assunto, indo à igreja e outras tantas coisas que fazem parte importante de mim. De estar junto, aprendi coisas preciosas, como o respeito ao próximo, a cordialidade e o apreço a coisas simples, além da admiração que tenho pelas pessoas mais velhas, que viveram muitas vezes mais do que eu.

Meu segundo pai, Deus me presenteou. Na verdade foi cem por cento pai e uns ciquenta por cento mãe, visto que teve de exercer um pouco mais de suas funções. Um homem sério por fora, com o coração de manteiga. foi ele quem trabalhou duro para me dar abrigo, roupa, alimento, educação e uma série de conselhos que ainda carrego comigo, pois me fizeram desviar de muitos perigos. Ele sempre me ensinou que a vida é dura e não é nenhum faz-de-contas, que é preciso algumas doses de sofrimento para chegar em algum lugar.
Meu pai é meu herói. E me arrependo bastante de não haver percebido essa presença diária em minha vida. Mas heróis são assim mesmo, evitam aparecer. Ele nunca precisou me bater para me disciplinar, ele nunca gritou comigo para eu o respeitar, ele nunca disse que me amava, mas na verdade ele nunca precisou me dizer, pois ele sempre demonstrou em atos seu amor por mim.

Meu primeiro pai foi quem me criou. Seu amor por mim nunca teve fim, mesmo nas épocas quando eu era um filho rebelde e fazia piada dEle, mesmo quando eu fazia as coisas as quais Ele me ensinou a evitar, quando eu fugi pelo caminho da escuridão. Ele me ama de uma maneira cuja explicação me foge de minha capacidade de explicação. Para que eu voltasse, decidiu morrer por mim, mesmo me sendo imerecido, mesmo eu podendo ignorar seus esforços, optou pelo risco e se pôs naquela cruz, a mesma que está estampada em minha visão e me fez mudar. Posso lhe dizer que não sou muita coisa, mas o pouco que há em mim é por causa dEle, porque ele próprio me ensinou e me acolheu de volta... e, sabe, como estou ansioso para voltar ao lar!

Tudo o que sou eu agradeço a eles: Jonas, Luiz e o Deus Eterno, meus três pais.

Ponto Final

Noite passada você me visitou em meus sonhos acordado (alguns meses e parece que tinha sido ontem). Foi como ontem que você estava em meus braços me olhando apaixonada. Aqueles olhos cujos olhos meus guardam impressionados.

Os beijinhos de cantinho de boca, os carinhos inusitados, as brincadeiras, manhas, situações, risos, o timbre de sua voz que ainda vibra em meu ouvido; as coisas que pertenciam somente a nós dois e agora residem no vácuo, de um tempo irretroativo de quando eu só precisava colocar sua mão em meu peito para te afirmar amor legítimo.

Eu voltaria a esse tempo, eu juro que faria de tudo, se não fosse impossível ficar somente com as coisas boas. Impressionante como a memória escolhe o que quer lembrar. É o coração que esquece. Na ânsia por saciar-se, esconde provas, mente, persuade até o fim. Com toda certeza este não é meu melhor conselheiro. Meu coração pede você de volta, por outro lado, o passado diz que é melhor deixar você lá. A quem devo ouvir? minhas emoções já me colocaram tantas vezes na beira do abismo e insistiu que eu desse um passo à frente.

O tempo é quem me desamarra dos seus laços, os nós desatam aos poucos, o passado se concretiza. Se eu pudesse, guardava meus sentimentos num baú bem escondido debaixo de livros, contudo meu coração existe e é preciso tempo para cicatrizar o rasgão que fora deixado.

Apesar de tudo, não alimento qualquer expectativa de existir algum retorno, essas são as últimas palavras que tenho para você, minha tentativa de expurgar os fantasmas que insistem em habitar meu cotidiano. Necessito vomitar tudo isso que me faz tão mal. Para se digerir qualquer coisa nova é preciso pôr para fora a outra antes. Para começar um novo amor é-me necessário voltar àquele dia em janeiro quando você jogou tudo fora, a fim de eu colocar um ponto final. O que eu estou fazendo agora.

Quarta-feira, Julho 02, 2008

Nunca foi

Você não quis que fosse pra sempre.

Eu me enganei que haveria algo de eterno,
mas nunca foi, não persistiu.
Nem foi amor,
foi um pequeno intervalo de entretenimento,
um anexo a sua vida.

Brincou de qualquer jeito comigo,
jogou-me de um lado pro outro,
fez o que bem quis
e deixou no relento quando enfadou.

entanto amar é coisa de gente grande.
O que existia era uma menina apaixonada e só,
nada menos raso.
e a paixão é chama de vela,
morre com o vento, sem relutar.

Seu amor foi pouco,
na verdade quando o amor deveria nascer
a fim de ocupar o posto da paixão,
sucumbiu ao desafio.

O que dizia ser amor foi provado
e reprovado na mínima dificuldade,
quando exigia a si abnegar-se.
Nunca recusou servir a si mesma.
Quando eu precisei de você,
nos meus dias mais negros,
você olhou para suas vontades e foi embora.

Obrigado pelo pouco tempo que duraram suas emoções.
Se eu pudesse devolver-lhe o carinho
entregaria com um laço de fita
numa caixa bem bonita.
Iria até pedir que me esquecesse.
Mas quando você lembrou?

Sexta-feira, Junho 27, 2008

Princesa

Tudo o que vivemos são decisões.
Te dou conselhos, mas você segue seu caminho,
e quer saber, as coisas poderiam ser melhores.

Você perde um tempo precioso
arrumando problemas
se a felicidade está aqui.

Eu sei muito bem como te fazer sonhar,
escrevo em teu rosto sorrisos.
Deixa-me te fazer princesa,
é o mínimo que eu posso te fazer.

Esse é o valor que você tem
e deixa te tratarem feito uma plebéia.
Essa coisa pouca que você vive não é amor,
está longe de ser romance.

Vem cá que eu mostro todos os sabores que a vida tem,
vem cá que vai ser melhor
deixa-me te ensinar a ser amada.

Quinta-feira, Abril 03, 2008

eu sou

Eu sou o olhar que te guarda,
o abraço que te faz segura,
as mãos que te relaxam depois de um dia cansativo.
Eu sou sorrisos que te fazem sorrir,
eu sou surpresas boas no inesperado.

Eu sou um coração que bate forte,
sou ouvidos, porque és importante para mim.
Eu sou carinho de todas as formas,
em todas as horas,
por dentro e por fora.
Eu sou palavra, eu sou ação.

E sou o beijo que te extasia,
sou tua praia do sossego,
sou o amigo pra todas as horas,
sou lágrimas de compaixão.

Domingo, Março 30, 2008

No Parque

A gente brinca um com outro no parque
aquele nosso jogo de esconder.
Brincadeira nunca feita na infância.
Nos escondemos do resto do mundo,
fechamos os olhos e saboreamos a vida,
ela tem gosto de algodão-doce.

A gente vê o mundo num carrossel
rodopiando sem parar,
às vezes me metendo um medo danado
de levar um baque bem grande,
mas você me levanta nesta gangorra.

O homem mais dengoso do mundo
encontrou brinquedo e abrigo.

Eu sou aquela criança brincando ali
fica me olhando e não me deixa cair
...e nasceu um anjinho...
- Oxi! – disse o arcanjo Miguel
Onde já se viu anjinho sem asas?
- Esse é diferente – afirmou Gabriel – esse anjinho vai abençoar a terra. Mas de bem pertinho
- Coloque numa família que a ame, que vai cuidar dela apesar de todas as dificuldades. Eles a protegerão.
- Mas não se esqueça – enfatizou Gabriel – Ela ainda vai abençoar um cara; a gente sabe que ele não merece, mas é de praxe a gente fazer serviço a quem não merece, né não?

E assim foi.

A querubininha cresceu, cresceu e com seu sorriso levou alegria para todos, com seus olhinhos lindos deu atenção que só.
E foi ela, pela vida, distribuindo carisma e encantando, como os lírios que embalsamam o caminho de qum os carrega.
E nesse vai-e-vem da vida esse cheirinho de fulo acertou em cheio o coração de um dito cujo que precisava ser abençoado.

Esse cara se sente o homem mais sortudo do mundo.

O Expectador

As coisas deveriam ser mais simples,
mas o acesso a ti é um labirinto
com as saídas bloqueadas para mim.

Desejo tanto teus olhos em mim e tenho de fingir o oposto,
entretanto sou desmentido quando converso contigo
e minhas pupilas delatam-me dilatando-se.

Contemplo-te como quem examina um diamante
e vê em tua matéria bruta uma pedra lapidada embebida de luz.
Quero te transformar para que brilhes sempre mais.

Espero que me notes,
contudo tu amas o auto-flagelo dos amores não correspondidos,
corres a tudo o que cintila,
mas eu sou fosco, descanso no breu.

Olhas para qualquer lado,
menos em minha direção.
Aí ficamos num suposto triângulo
(um triângulo desamoroso):
Eu, olhando em tua direção,
tu, olhando para alguém que não olha para ti.

Eu fico a contemplar teus passos ainda como expectador,
haja vista que me deste uma cadeira na última fileira
e eu sou um clown até então,
todavia ensaio para ser um protagonista em tuas emoções,
eu sonho ser uma estrela, assim brilho para ti.

polares

Você e eu,
feitos de materiais tão diferentes.

Você, feita de algodão ou açúcar;
eu, feito de um barro de terceira qualidade.
Somos tão diferentes em tantas coisas,
mas feitos um pro outro.
Não para um anular o outro,
e sim para um completar o outro.

Você metropolizou
minha vida tão Fernando-de-Noronha,
você mudou minha fisiologia,
agora meu coração bate sempre rápido
e em compensação coloquei uma rede balançando nos seus dias.

Somos os pólos dos ímãs,
sempre opostos porém idivisíveis.

Sábado, Março 22, 2008

por dentro

Eu sou um cara que sorri por dentro,
que chora por dentro.
Porventura me conheces por dentro?
Algo além desta camada de pele?
Isso que você vê engana
e muitas vezes creio que não sou eu,
inclusive me queixo constantemente desse fingidor inconsciente.

Há um mundo aqui deste lado.
às vezes pareço forte, e sou fraco,
às vezes pareço fraco, mas encontro minha força interior;
pensam que sou sério, e sou o oposto;
sou antíteses.
Infelizmente esta casca diz outra coisa.

Meus olhos, estes são mudos
e quando tento expressar algo,
tenho a face ilegível.
Ensimesmado,
As palavras morrem na minha boca,
porém existem tão vívidas no meu interior!

Uns poucos me garimparam,
descobriram relíquias desconhecidas por mim mesmo.
Te convido a explorar.

Entretanto, eu estou explícito em meus textos
sou eu, o mais cru que posso ser.

Eu queria te fazer bem

Eu queria te fazer bem
entretanto você está tão longe.
Como foi que eu errei?
Confesso minha culpa também.

Lembro-me das coisas boas,
onde elas ficaram?
Na memória tento resgatar,
vão embora como a chuva.
As mãos lembram-se de algumas texturas,
o olfato guarda lembranças
e os olhos, quantas coisas boas...
coisas que embaçam a vista.

Eu pretendi te fazer feliz.
Depois de tudo se acabar,
eu ao menos queria te ver feliz.

você está tão longe,
espero que encontre o caminho de volta.
Estou aqui, tentando me manter firme,
com as mãos estendidas para você.

Sexta-feira, Março 21, 2008

UTI

Deixe-o morrer.

Sacrifique o que me é penoso manter vivo,
já sabemos que não tem mais volta
e estamos gastando tanto fingindo estar vivo este moribundo.
Este é aquele cujas pessoas viram o rosto
e eu viro a face ao vê-lo engolfar nesta lástima sem fim.

Diga-lhe o derradeiro adeus,
você que virou as costas a ele já faz tanto tempo.
Despeça do que um dia foi completo
e hoje está em pedaços, em dor lancinante.

Para mim é um martírio mantê-lo,
por isso eu aceito o fim.
Já desliguei os aparelhos.

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

Alforria

Esse dia era inevitável,
pegaste tuas coisas, pediste tuas contas
e foste embora.
Da mesma forma que vieste,
de súbito,
atropelando tudo à frente.

Ao pensar te ter,
ignorei teus flertes à liberdade, deixei-te as asas
e sequer pus gaiolas,
imaginava que o amor te manteria junto a mim.

Eras apaixonada pelos campos,
as rosas nos outros jardins ainda eram doces,
enquanto meus canteiros passavam por problemas.
Desculpa-me por faltar felicidade nos seus dias,
se te cansaste desses dias nebulosos.

Não digas que me amas
se tu não fazes isso.

Dou-te a alforria,
entretanto sou eu quem vive em cadeias.
É difícil a uma marionete viver
se lhe cortam os cordões.

Deixe-me desaprender a viver por ti.

Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

Perdoa

"Perdoa"
essa é a resposta aos meus atos
constantemente falhos.
Tiveste noventa dias
para me devolver ao fabricante,
visto que viste tantos defeitos de fábrica.

Se perdoas,
por qual motivo insistes na vingança?
Olho por olho, dente por dente
e o mundo se enche de cegos banguelos.

Se te perdôo liberalmente,
se faço questão de apagar seus erros,
por que é difícil me perdoar?
Tu me cobras um preço que não consegues pagar
e tantas vezes me pedes para anular essa dívida.

Tudo bem, eu pago a minha credora,
mas não te esqueças que será cobrada a mesma moeda.

Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Estou tentando entender você

Pequena flor,
você que vive no meu mundinho,
A coloquei na redoma, lhe pus o pára-sol
e ainda tento te entender,
sou teu pobre principezinho.
Se me evado, tente ao menos me entender
que eu estou tentando entender você.

Somos diferentes
e eu não peço para você ser diferente.
O que talvez você encare como defeito
para mim é uma virtude.
Peça-me para mudar o cabelo, as roupas,
peça-me para deixar um vício
que te atendo de presto,
mas te peço para que eu seja eu mesmo.

Perdoa se escondi meu coração debaixo dessa armadura,
o medo de perdê-la
forçosamente escondeu minha emoção.
Tudo trava, a pele enregela,
seguro-me pela razão.

Vem fazer esse coração de Toyota pegar no tranco,
peço-lhe que decida
entre me amar até o fim
e me amar sem fim

Quinta-feira, Setembro 27, 2007

Inefável

Ser poeta algumas vezes é um infortúnio.
Procura-se palavras, elas fogem aos léxicos
e me deixam desencaminhado num mundo de vocábulos.

Por isso, coloco sua mão em meu peito.
calado, sem imagens,
digo mais que milhões de palavras.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

Nuvenzinha

Nuvem branquinha, pousa nesse jardim,
macia nuvem, gostosa de ficar,
seus afagos acalentam dentro de mim,
a prata em seu sorriso brilha aos meus olhos,
brilha em meu coração.

Piso o paraíso e ele está sobre mim
e tem gosto de chiclete, chocolate e hortelã,
um céuzinho com tudo o que eu quero.
Que me diverte,
contraria e diverte,
como se colocasse tudo no liquidificador
e as emoções, tantas, têm um novo sabor.

Nuvenzinha, vem comigo
que te deixo no céu.
Flutua em meus pensamentos
com sua presença confortável;
me coloca naquela maletinha onde eu caibo todo
e me leva contigo.

Só te peço que não sejas passageira,
desce até mim e me envolve,
me preenche,
me faz ser parte de você.

Quarta-feira, Agosto 22, 2007

Ouvi falar dele

"Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco.
Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?
Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram.". João 18:10

Ouvi falar dele,
narravam-me sobre seus atos
principalmente seus conselhos notáveis.

Ouvi falar dele,
os outros guardas relatavam suas polêmicas.
Sapientíssimo, com sabedoria persuadia
ou enraivecia os ditos sábios.

Ouvi falar daquele homem,
sobretudo pelas maldições
que os sacerdotes dirigiam ao seu nome.

Ouvi falar daquele homem,
ainda mais sobre suas curas,
e foi por meio delas o conheci.

Fui designado no breu da noite alta
a capturar o homem de Nazaré;
entre as trevas, com os outros guardas.

Pronto para enfrentar uma insurreição,
deparei com um homem suave,
traído por um beijo, por um dos seus amados.

Aquele homem não reagiu às correntes,
pelo contrário, firme se permitiu maniatar,
deixou-nos subjugá-lo.

Entanto, no desespero da captura
seu servo reagiu,
brandiu sua luzente espada;
ouvi-lhe com ela cortar o ar
e minha orelha direita.

Caído ao chão, senti a viscosa quentura do sangue
escorrer pelo pescoço e barba,
gotejando de minhas mãos.

Em meio a tanto alvoroço,
os seus o abandonam,
enquanto aquele homem veio até mim
para me curar.

Senti suas mãos misericordiosas
ligarem as cartilagens de minha orelha.
Senti-me maravilhado e perplexo diante desse milagre.
Ele me humilhou humilhando-se a mim.

Com a nova orelha ouvi-lhe pasmado dar ordem ao servo:
“guarda a espada”, “beberei do meu cálice”...
ao ouvir, lancei fora minha lâmina
e comecei a seguí-lo.

Terça-feira, Agosto 21, 2007

Testamento

Quando eu me for, decrete feriado,
serão as férias de minha pessoa.
rejeite o luto,
use cores alegres
e faça uma festa com muitos convidados,
pode deixar que tudo eu pago.

Quando eu me for, meus filhos cantarão,
os velhos se deliciarão narrando minhas histórias,
as bandas tocarão nos coretos das praças;
não será dia lacrimoso,
os fogos desabrocharão no céu estrelado.

Quando eu me for, não me deite abaixo do solo,
desejo subir aos céus como o incenso faz,
lá no alto tocar a imensa cúpula;
não grave meu nome nas lápides,
prefiro meu nome gravado na memória dos que me amam.

Quando eu me for, não desperdice suas lágrimas comigo,
se chorar, que seja extravasando alegria
como no final de um espetáculo:
meu viver tem sido um espetáculo de Deus,
eu fui apenas um palco.

Quando eu me for, não feche o livro de minha vida,
retire as páginas que restarem dele
e redistribua em outros livros
porque assim permanecerei mais que a eternidade,
continuarei sendo escrito na vida de outros.

Terça-feira, Julho 10, 2007

Saudade Matadeira

A saudade é matadeira
daquelas bem valente
mata fraco, mata forte,
mata todo tipo de gente.

Faz seu serviço com capricho,
trabalhadeira diligente;
seu ofício é aperriar
dentro de nossa mente.

Mas essa tal de saudade
ela é ruim ou ela é boa?
Acho que isso depende
de pessoa pra pessoa.

É um sentimento bom
sentir a falta no coração,
de amigos, da família,
que outro dia nos verão.

É guardar sempre a lembrança
de alegria, de muita história,
pra nos momentos difíceis
puxar tudo da memória.

Mas num vou ficar falando bem
dessa maldita cabra-safada,
ela é uma infeliz,
traiçoeira e malvada!

Apois que veio me incomodar,
logo eu no meu cantinho.
Se dispôs a me perturbar
dificultando tudinho.

Já começou começando errado
colocando o longe muito longe demais.
Era pra botar só uma légua de distância
e a danada queria mais.

Apois botou eu e tu
distante pra dedéu,
numa lonjura tão grande
que é mais fácil tocar o céu.

Por causa de tanta lonjura,
de vez em quando a gente se vê
e a saudade, essa aperta
quando fico sem você.

Eu num gosto desse negócio
da saudade me maltratar
apois saiba muito bem
que essa danada eu vou matar

Eu vou matar essa saudade
e vai ser de pouquinho em pouquinho
e não vai ser rápido,
vai ser bem divagarinho!

Pois tudo que a gente sentiu
ela vai sentir direitinho.
E o que a gente sofreu
a saudade vai sofrer tudinho!

(in)esquecível

Olhos espertos me esquadrinhando,
um achegar mais apertado.
Suponho se é pelo momento
ou se são meus óculos,
mas você está mais exuberante
com essa aura entusiástica,
com sua blusa de algodão deixando o colo à mostra,
solta, igual a você em meus braços.

Nossas conversas só nossas,
repletas de dengo e cumplicidade.
Nossas brincadeiras só nossas,
que te fazem rir de um jeito único
que me faz apreciá-la sem palavras.

Mãos procuram mãos
na blusa de manga comprida,
suas típicas mãos geladinhas,
ainda mais nesta noite fria.
Pés congelando, corpo cálido.

O tato esforça-se em ler o outro,
traduzindo sensações,
ao mesmo tempo transmitindo sensações.

De encontro a mim seu corpo ao meu encontro.
Nos colamos mudos,
expectadores de mínimos sons inaudíveis em outras ocasiões:
o roçar macio das vestes,
seu respirar vivo,
sussurros quase calados.
Percebo seu coração percutir em meu peito

Veda-me o sabor apetecido
protelado para o próximo combate,
um duelo às avessas
ansiosamente esperado
porque lembro-me sem sentí-la.
O espetáculo sensório evade da memória.

Terça-feira, Maio 08, 2007

Para todos

Para aquele que está cansado
Ele é descanso;

para aquele que carrega fardos
Ele é alívio;

para quem quer retornar
Ele é o caminho;

para quem tem medo
Ele é segurança;

Para os doentes
Ele é cura;

para os debaixo da sombra da morte
Ele é ressurreição;

para os que estão felizes
Ele transborda essa alegria;

para os que choram
Ele conforta;

para os que estão salvos
Ele é o motivo;

para os perdidos
Ele é estrela guia;

para os necessitados
Ele sacia;

para os que estão no meio da tempestade
Ele a acalma;

para os que estão cansados de tentar
ele é mais uma chance;

para os maus
Ele é amor;

para os bons,
idem;

para os fracos
Ele é força;

para os fortes
Ele é delicadeza;

para os ramos cortados
Ele os enxerta.

Ele é tudo para todos,
ele aceita cada um como for,
Nosso Senhor e Deus.

Segunda-feira, Maio 07, 2007

Amiga

A vida corre e você não sai da memória,
meu coração ainda não desistiu,
alimentado por todas as vezes que tenho você por perto
mesmo sendo passageiro.

contemplar você linda, de longe,
te ver sorrir e participar de alguns momentos,
mas estar de fora de sua felicidade mais perfeita.
Ver tua boca sorrir sem poder beijá-la
é sua satisfação, embora meu sacrifício.
Não pretendo te deixar saber desse segredo
porquanto me seria um martírio malíssimo.
Calar esse sentimento sem derramar uma lágrima é uma batalha bárbara,
a qual enfrento por sua vida,
pela perpétua promessa de amar você.

Detesto ser coadjuvante em sua história,
desejo protagonizá-la, mexer com você, transformá-la,
ser o plot point em sua narrativa
e sermos felizes pra sempre.

Eu consigo até gostar de algumas,
mas não consigo amá-las como a você
imagino seu cheiro, textura e sabor nelas.

Meu coração engaiolado esperançoso por suas mãos benignas concer-lhe liberdade

sou seu amigo, seu conselheiro, seu ombro onde reclina os olhos úmidos
entanto quero ser somente seu,
seu complemento.

A dona

No dia que vi meu amô
meus olhos se encheram de luz,
e não foi luz pouca, alumia mais que holofote,
foi a luz de Jesus;
luz que me incandeia todinho
e que sai dos seus olhinho.

Ela chegou assim, trazendo alegria imensa.
E tu me acha léso de num querê essas benquerença?
Ela é a dona que faz bumbar meu coração,
o dito cujo freva dentro da caixa do peito
que nem um folião.

Só ela tem as baqueta
pra fazer tum tum nesse tambor,
Não carece de muito, basta carinho e amor.

Só ela faz chovê nesse sertãozinho
e faz cair bem devagarinho
uma chuva maneira,
gostosa, adocicando o chão
aguando a terra inteira.

E os lábios dela, pintados de aquarela
rosas que nem uma flor
despeja xêrinhos a granel
doces, muito mais doces que o mel.

Sábado, Maio 05, 2007

Naquele pedaço de chão (revisitando o jardim)

Naquele pedaço de chão
colhia-se solidão.
Nunca se viu beleza alguma dele brotar,
nele foram postas sementes de flores
de diversas formas, cores e olores;
nada (repetidamente) sucedeu.

Algumas sementes sequer abriram,
mantiveram presas dentro de si mesmas;
outras chegaram a sulcar a terra ao encontro do sol,
mas de complicadas e briosas,
insistiram em se deixar morrer.

Também confesso meu pecado
de umas poucas haver arrancado
por não serem do meu agrado.

Por sucessivas frustrações
deitei meu rosto e chorei,
chorei dores equívocas, de perdas e lutos.

Decepcionado,
decretei esta terra morta,
dedicada ao oblívio.

Sem nenhuma previsão,
num assomo uma flor rompeu o solo.
De aspecto metalizado
garantindo sua existência indelével.

Não recordo de havê-la semeado.
Sequer é catalogável, é rosa incomum,
sem o aspecto efêmero das outras,
sem exigir do solo mais que o necessário.
É uma flor, e forte por ser uma flor,
por desejar sê-la.

Sua fragrância conquistou todo o jardim,
seu brilho banhou tudo de luz,
delicadamente a flor dominava a completitude.

Neste fato aprendi mais um segredo.
As rosas mais belas nascem do acaso,
nem sempre conseguimos semeá-las,
nascem quando menos esperamos
a nos fazer surpresa.

Muro

Meu amigo, desça desse muro,
Fique comigo ou do outro lado,
mas não decida a neutralidade.

Camarada que ousa ficar aí em cima:
prefere a comodidade de assistir a tudo
de teu sofá de couro,
tua poltrona reclinável,
alheio a esta guerra desconfortante
vendo aqueles que te amam tombar?

Acima deste concreto
você fantasia tantas coisas
mas um dia desses a realidade deixa de bater à porta
para arrombá-la
e se mostrará nua e crua, face a face.

Portanto arranque as escamas opacas das retinas,
abra os olhos da alma,
martele seu coração rochoso,
eis a verdade ao redor:
esta guerra a cada dia mais sangrenta.

Desembainhe a espada!
Volte a ser louco como nós,
este é o melhor caminho.

Então desça daí de cima dessa parede
pois você sabe muito bem
que esse muro não existe.

Terça-feira, Abril 24, 2007

No jardim da Solidão

No jardim da solidão
faço-te a última oração,
um clamor desesperado
atrás de alguma alternativa.

Às vésperas do massacre
não compete a mim lamentar minha vida,
sofrerei na minha carne a dor dos outros;
o castigo de multidões convergirá em mim,
receberei tudo injustamente
para executar a misericórdia.

Sim, eu tenho todo o poder em mãos
e como homem me é tentador usar,
mas beberei dessa taça vermelha
de líquido amargo.

A cruz tem um peso imenso,
tem o peso do mundo,
que meus ombros vacilam a suportar.
Oh, Pai! Fortalece meus ombros
e meus pulsos,
pois eu sou a única esperança.

O gotejar rubro grava no chão
palavras de ânimo e consolo;
ainda mais, teu querido anjo, ó Pai,
veio me dar forças.

Lembrar dos pequeninos distantes de ti,
pobres filhinhos,
deixo de pensar em minha carne.
Minha vida é a tua vontade,
foi para isso que eu vim,
então eis-me aqui.

Guardião

Num mundo de egoísmo entronizado
eis-me aqui a fazer diferença.
Por mais indiferentes sejam eles,
nesta terra de perpétua omissão
serei sempre, dia a dia.

Dentro de mim tu estás constante
guardada entre um pensamento e outro
e quando joelhos ao chão.
Vivo, e tu compareces.

Quando a vida esquecer as bênçãos
e te for hostil,
estarei à frente e ao lado
qual um escudo.

Contra qualquer que a aflija,
acolho-te com os braços,
sobretudo se a frieza ameaçar tocar
e tentarem construir muros ao redor,
eis meus braços em prontidão a te ser outra pele.

Quando não for mais possível represar a água em teus olhos,
dar-te-ei meus ombros,
os quais são esponjas para te dar lenitivo.
Pode molhar essas espáduas,
aproveita que está tão perto
e usa meus ouvidos, teu confessionário,
aí lerei, através do olhar, teu coração transparente.

Entanto, abra teus próprios ouvidos,
pois serei ourives de alma
com a finalidade de transformar teu áureo interior.
Prepara-te para os golpes que darei com todo amor,
porque engastarei gemas preciosas.
Palavras podem ser acres por um tempo
mas são como remédios: curam, aliviam, revigoram
e algumas palavras serão até gostosas
como a sensação da te abrir a mente
a desembaralhá-la nos conselhos.

Meus olhos guardiões pousam sobre ti.
Serei teu guia na aventura em busca de sonhos,
alguns sonhos plantarei em teu âmago
porque não descansarei em te fazer ver e apontar para as estrelas,
farei-te tocá-las.

Como, quando, onde estiveres,
podes chamar-me
entanto te cobro um preço,
não te cobro ágio, sou simples mercenário,
teu riso é minha paga
e não há gratificação maior que tua felicidade.

Quarta-feira, Março 14, 2007

Amizadis arretada

Amizadis arretada, amizadis pra daná
nu Reino só si constrói
i nada mais distrói.
Cum discípus vredadêro
i cum amô tambêim vredadêro
longe di tudo o qui é má.

Os hômi nu mundo é disanimado,
mais nóis têmo um tisôro
mais precioso qui ôro:
é qui fumos agraciado
cum o sacrifício di Jesus
i purisso nóis vevi na Luz
essa Luz qui nus tem salvado.

Os discípus percisa di amigo
pois peleja cum o tinhoso
qui é um cabra semvergonhoso,
nosso pió inimigo.
Discípu cum discípu si ajuda
i cada dia mais muda
pois discípus são os mioris amigo.

I amizadi torna os cristão forte,
cada um podi sê disafiado,
inda mais quando é discipulado:
nóis num veve intregue à sorte,
tem sempre alguém oiando nosso coração
pra vê si tá mêmo tudo bão
i fazê crecê inda mais firme i forte.

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

À venda

Vende-se poemas.
Você pagaria? Por quantas cifras?
Meu poema vale uma vida,
vale meu coração,
parte de minha alma.
Pagaria, não meu peso, mas o peso em ouro de cada palavra?
Pagaria o suor do labor de erguer versos?

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

o que eu quero

O que eu quero não exige muito de você,
quero de você algo que sempre me arrancas quando te vejo:
quero seu sorriso,
transparente como as águas que correm das cascatas virgens,
deixando-se revelar sobre a mata.

Seu sorriso que corre do seu coração - seu coração que é o meu -
me refresca da saudade que ainda sinto,
saudade diariamente matada quando vejo teu rosto e leio suas palavras,
como as ondas da praia que não param de voltar à areia.

Quero surfar as mãos sobre seu rosto
e tirar de você sorrisos,
muitos sorrisos
e aquele respirar profundo
de quando o coração toca num ritmo mais intenso.

The soldier

Smoke,
the smell of the powder is in the air.
War, sadistic goddess,
your hands are the death’s bony hands.
The battlefield bleeds
and my friends here are dead,
remain cry and fight
against my enemy
my enemies that I never knew
and they never will know me.
Who’s the enemy?
Who are we?
We are peons on the general’s chess,
we can’t return,
only go ahead
encounter my enemies
we’re exposed to the hostile artillery
while our superiors
are protected far from the combat.
My M4 shout and spit my pain,
the tanks overrun the silence
and smash the peace.
My allies are frightened
for the death, the suffering,
for the hostiles guns observing us shrewdly,
waiting our brief mistake
to aim us.
I don’t understand why I’m here,
and my family cry for me.
Go ahead! marching with cold and fear,
carrying homesick in the rucksack;
I wanna go back home,
to the comfort of my mother
and the homemade food.
here I’m starving
seeing dead bodies on the ground
and fire sparking.
just one error and I’ll burn on hell
(if here is not the hell),
I will never return.
The smell of the death follows me,
I kill so much that I stopped to count,
Forgive me God! Orders are Orders.

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

Não chore

Não chore.
Desejo não ver o brilho de suas lágrimas,
nem tão cedo ter de enxugá-las.
Quero ver o brilho apaixonado dos seus olhos ainda secos,
olhar demoradamente seu sorriso calado,
o qual abriga palavras doces, com sabor de coração.

Doravante, nossos corações batem como um só,
você sente, eu sinto;
se você chora, a tristeza vem me visitar,
todavia, quero te ceder meus sorrisos,
os tantos que me dás abundantemente
desde o primeiro minuto ao te conhecer.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Sonho ruim

Para alguém que eu amo muito e que me faz sentir muitas saudades.

Tive um sonho ruim.
Sonhei que eu me despedia de você
e ia demorar pra te rever.
Sentia falta de minha mão sobre a sua
e o calor de você perto de mim.

No entanto, descobri que não foi um sonho,
Tudo isso foi verdade,
mas eu desejava que fosse somente um sonho,
daqueles que passam inofensivos quando acordamos.

E eu queria dormir,
pra ver se acordava nalgum sonho bom,
longe da saudade e perto de você.

Estou condenado à esperança que a saudade me dá de um dia te ver.

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Ocupado

[Poema Antigo]

A vida não é clara,
É tão fácil morrer,
É tão fácil se perder entre sonhos,
Perder o coração enterrado em agruras...

E a vida não pára,
A felicidade é tão cara,
Tão rara,
Tão rarefeita,
Imperfeita
Se dissolvida em tantas obrigações,
Em tanto tempo preenchido,
Em tanto tempo perdido
Enquanto eu pensava que ocupado
Não precisava pensar em felicidade.

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

resposta do Kleyton

Esse poema é uma resposta do Kleyton para mim. Posto aqui porque achei interessante.
É belo o meu rimar, por isso rimo
Nas prosas eu de ti nem me aproximo
Poetas somos, nunca esqueça disso

Temos uma só fé, um só ensino
Eu vejo nos teus versos e me animo
Mas cada mago faz o seu feitiço

Cada um tem seu estilo ao fazer versos
Para transcrever a própria poesia
A cada mago é dada uma magia
Assim como aos poetas do universo

Eu amo o que escreves, eu confesso
Eu sempre quis dizer mas não dizia
No fundo cada um de nós sabia
Escrevas mais, escrevas, eu te peço.

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

versos livres

Esse poema é para Kleyton. Ele me falava para escrever meus versos em rima, mas eu não combino com rimas, meus versos em sua grande maioria são livres e gosto deles assim.

Palavras encadeadas pra dizer
meus versos uma obra prima.
Entanto se falar é o que preciso fazer,
pra quê é necessário rima?

Prefiro minha química maluca
a ter de lixar
e esconder numa fôrma
a matéria bruta do meu pensamento.

Os versos necessitam de liberdade,
engaiolá-los só abafa o grito, o riso e o pranto.
Mata as claustrofóbicas estrofes
que sem medo querem dizer quem sou.

Já se foi o tempo da arte marmórea,
triste fim dos alexandrinos,
dos de/dodecassílabos

Os versos valsam mesmo sem som.
Não lhes nego esse prazer.
Ainda mais, peço-lhes que me digam
quais seus anseios de ser.
Igual um pai dedicado
quando bem educados os filhos
lhes permite escolher vida e ofício.
Dissolutos, cheios de si,
eles sou eu, inequivocadamente.

Rimas são tão cruéis
quanto expor bonsai kittens* sobre a prateleira,
perverso como domesticar bichos-do-mato.
Meus versos são selvagens,
da hostil selva das palavras,
da aterradora gruta dos significados.

Meu verso é um só,
um único verso vário, desvairado e oncontido.
Refletindo meu rosto imperfeito,
sem maquilagem para esconder minhas máculas.

* Lenda urbana da internet onde gatos eram criados dentro de garrafas.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Luz

[poema antigo]

Eu quero ser uma refulgente gota de sol
atravessando as copas das árvores
a iluminar os teus passos
durante uma caminhada pelo jardim.
E, se a chuva aparecer,
molhando de tristeza o teu jardim da vida,
abro uma nesga de céu
só para iluminar teu semblante.
Serei como uma seta áurea de luz
refletindo teu sorriso no meu olhar
como uma aquarela,
realçando as cores que vivem em ti,
cores vivas, bem vivinhas,
que dão felicidade à vida de quem te vê.
És um farol ebúrneo na enseada
guiando-me, barquinho náufrago
arrebentando-se
entre as poderosas ondas do infortúnio.

a dois

[poema antigo]

Os olhos enfitam-se concomitantes,
teu olhar de encontro ao meu,
um sorriso escapa do teu rosto
belo como esse dia de sol.
As mãos não param um segundo
derramando-se pelo teu corpo,
calmo, rente, profundo
pela tua macia tez.
Falar baixinho ao ouvido,
sussurrar palavras de amor para ti
e, num movimento de inspiração,
sorver todo ar que te repousa sobre o colo,
sentir o inebriante aroma
que as flores lhe emprestam.
Meus lábios ao encontro dos teus,
doces e acarminados.
Ao delicioso e úmido contacto
as bocas já não falam mais
e os olhos, cerrados,
imaginam a confusão de línguas,
a profusão do idioma do Amor,
linguagem silenciosa e inefável,
a essência da nossa vida.
Nossas línguas não proferem nada,
sinto o teu gosto sinestésico.
As mãos escondem-se nas madeixas
que se derramam por sobre os ombros
como uma substância fluida,
negra como os olhos brilhantes
que luzem da tua face morena.
O tato repousa sobre teu corpo,
seguro o espírito que vapora
suspenso no ar.
O afago tranqüilo, por gravidade desliza
vagueando, sentindo a macia textura,
veludo bronze.
Sobre o teu cálido regaço,
descanso pensamentos,
sonho um pouco
um sonho bom.
Neste momento
parece não mais haver tempo.
Sentir teu coração batendo tranqüilo junto ao meu,
sincrônico, emocionado,
era tudo o que pedi a Deus.

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

Faminto

Estou com uma fome imensa,
lanchonetes, restaurantes,
em todos esses lugares me enfastio.

Mesa farta, barriga cheia,
ainda sinto essa fome.

Esta fome me devora!
Não há homem capaz de sobrepujar
esse leão desesperado.

Me entrego a essa fome,
meu espírito sedento põe os joelhos no chão,
rendido e mais que humilhado.

Minha alma tem sede de ti, meu Pai,
sede da tua tua Palavra,
esta que me nutre e sustém.

Dá-me deste mesmo alimento sagrado
o qual alimentou Cristo
quarenta dias inteiros no deserto.
Estou num deserto espiritual.

A vacuidade do dia-a-dia
acrescentou-se ao vácuo dentro de mim.
A ausência é cada vez mais abundante
numa vida que corre sempre atrás do vento.

Dá-me desta água para que eu nunca tenha sede
estou faminto e sedento,
de mãos calejadas do enfado da labuta
e dessa guerra cruel
a qual tenho me entregado.

Conta-me teus feitos grandiosos,
faz-me lembrar de cada um deles em minha vida
e com um brilho diferente no olhar
quero admirar e adorar
esse meu Deus que cuida de mim.

Sacia essa vontade da minha alma,
mas mesmo que eu esteja satisfeito,
dá-me sempre essa fome
para que eu sempre busque tuas fontes.

Quarta-feira, Novembro 08, 2006

A rede e o regaço

Nesta tarde preguiçosa
não é preciso rede,
me encosto em teu colinho e fico,
o balanço da rede está em ti.

O ranger da rede no gancho,
aquele som que nina os ouvidos,
eu ouço nos tum-tum do teu coração
e no ronrom de minha gatinha.

O tecido de tua pele é macio,
diferente da fazenda que tecem as redes.

Quando tuas mãos acariciam meus cabelos,
(essas mãos tão gostosas em meu rosto)
percebo que nem preciso do vento.

A brisa do mar, carregada de gotinhas,
são teus beijos, úmidos e frescos.
O calor do sol é o meu calor em teu corpo.

Nesta tarde preguiçosa eu não preciso de nada mais,
eu só preciso de ti.

Sexta-feira, Novembro 03, 2006

ao anjo

Sob a ofuscante luz de sua graça
a contemplo estupefato,
uma beleza pura, sem apelos,
de um anjo que sequer caiu do céu,
simplesmente deslizou pisando delicadamente as nuvens.

Eu pensava que os anjos me eram inacessíveis,
indignos como eu estavam proibidos
de nem ao menos pensar em tocar.

Contudo a vi descer, graciosa como uma bailarina
para me oferecer um cálice de alegria.
Sentia a fragrância da luz te envolvendo feito aura
entanto eu, medroso pra te tocar,
hesitava aceitar seus agrados.
Você, tão acima da terra,
olhava para mim.
Fui eu o escolhido para ser abençoado por seus carinhos?

Eu sempre te vejo vestida de anjo,
apesar dos cabelos negros,
apesar da pele tão morena.

Na descoberta um do outro desfazemos mitos,
mas muito mais impressionado fiquei.
como se acumula tantas virtudes numa só alma?

Você me leva até o céu!
Me segura pelas mãos e me leva mais alto que as estrelas!
Mais alto que as estrelas!
É uma das sensações mais gostosas que vivi.
Eu quero repetir,
subir um pouco mais.

Meus sonhos são bobagens
quando me deparo com a vontade de afagar seus cabelos,
a piscina benta e escura onde hei de mergulhar.

Deixa-me pôr a cabeça sobre seu regaço
e leva-me para mais uma viagem.
Debaixo de tuas asas me recolho neste quentinho.
O paraíso é cálido e macio.

Vem, meu anjo, despejar sua luz
sobre este pobre desafortunado,
condenado a aguardar o sol dar várias voltas sobre mim
para poder te ver outra vez.

Quando te abraço,
sinto a maciez e leveza das nuvens,
estou mais perto do céu com você, meu anjo.

Terça-feira, Outubro 24, 2006

O caminho

O caminho é longo e difícil.
Confesso, meus pés desejam os atalhos
e por isso, meu Pai, me humilho
pra te pedir ajuda.

O caminho é difícil
e somente quem o anda sabe o quanto é difícil,
por isso me avisaste desde o começo.

Eu quero olhar para trás, meu Pai,
mas não quero olhar para antes de eu ter pego este caminho,
olhar para trás para me dar conta do quanto já andei,
pois foi muito
e tenho medo de minha memória apagar.

Deixa-me olhar mais para a frente também, meu Pai!
dá-me o vislumbre da tua glória, Senhor!
Há um prêmio no final do caminho
o qual eu não penso em perder de forma alguma.

Fortalece minhas pernas
e minhas convicções fracas.
O mundo é um ímã gigante
e já estou cansado desse vazio dentro de mim.

Eu tento fugir,
mas não existe nenhum lugar seguro,
só em ti.

O caminho é longo,
meus pés cheios de bolhas pedem um descanso,
O teu imenso amor, ó Pai, é meu descanso.
Meus ossos viram bronze,
sinto tua mão me segurando
e me empurrando para a frente.

Obrigado, Senhor, porque nunca desistiu de mim,
mesmo conhecendo minha maldade.
O teu Espírito vive em mim,
preenchendo vazio adentro.
Por favor, me recicla
para que eu possa sempre fazer tua vontade
todos os dias de minha vida,
pois sei como é bom estar contigo.

Minha vontade é de pegar um atalho
e tentar voltar ao teu caminho mais tarde,
mas nem sei se haverá esse tempo
e sei que esses atalhos não têm volta,
são todos caminhos perdidos.

O caminho é longo e difícil
mas Tua Luz brilha no fim como um sol.

Decifração

Quando olho para você,
tento decifrar seu rosto
mais indecifrável que Monalisa.

Extasiado feito um matemático
diante de um teorema intrigante
ou inseguro como quando um esquadrão anti-bombas
tenta desarmar algum explosivo,
assim sou eu na sucessão de seus rostos em sua página.

Confesso, sou inexperiente demais
pra saber se seus risos acolhem ou hostilizam.
Em teus olhinhos negros traduzo milhares de códigos,
contudo eles revelam e guardam segredos ao mesmo tempo.
Você diz que seu humor é misterioso
e sei que a lua é tanto sua conselheira quanto sua confidente.

Mas mesmo sem entender,
fico admirando em silêncio,
como na profusão de uma sinfonia.
Me permito entrar nesse enigma,
instigado por minha curiosidade em te descobrir.

Terça-feira, Outubro 17, 2006

Eu ainda estou lá

Depois de você os dias reprisam
Como aqueles filmes chatos da TV;
Dias sem emoção e bastante previsíveis.
Uma pitada de tédio por hora
E já acumulo toneladas.

Como um sonho rápido,
Lembro-me de minhas mãos acariciando sua nuca,
Sentindo a delicada pelugem de seu pescoço e seu rosto.
Seus cabelos têm um cheiro tão bom.
Retiro de seus poros essa fragrância carmesim,
Te faço ouvir e sentir meu fôlego.

Fico a roçar a barba sobre sua face,
Mapeando sabores e texturas.
De olhos fechados a gente busca um ao outro.

Embriago-me com a resposta
Do roçar em frenesi de seus dedos sobre meus cabelos,
Faz circular o sangue com mais vigor.
Seu toque de inverno torna-se verão comigo
E as unhas de sua mão vêm me fazer cócegas no rosto.

Parecia um sonho,
Mas você me acordava com seus toques.
Contemplava sua boca entreaberta,
Seus olhos semicerrados
E seu respirar profundo,
Todos me pedindo um beijo.

As estrelas daquela noite vieram estar conosco
A observar nós dois, envoltos num manto de silêncio,
Ocultos aos olhos que dormem serenos.

Te aperto forte contra mim
Tentando soldar nossas almas,
Tentando fundir meu coração ao seu.
Nosso calor faz derreter o ar,
O sol pareceria frio se comparado a nós.

Desejo que esse tempo reprise
Por toda a eternidade.
(e na verdade esse tempo é uma pequena eternidade)

Quando eu penso em tudo isso,
Todo ambiente ausencia-se imperceptível.
O presente e o futuro somem da linha do tempo.

Eu ainda estou lá
Ainda estou lá com você.

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Ao mais alto

pode-se dizer que esta é a segunda parte do poema anterior. Baseada numa imagem que fiz pra adicionar à minha galeria do Deviantart.

Voa com minha mente,
Sobre a epiderme do dia caminha em teu balão
Territórios extensos, muitos inexplorados.
Cada momento será uma descoberta.

Traspassa nuvens para ver a chuva nascendo,
Deixa o sopro te guiar desleixadamente.
Sinta meu sopro brincar com teus cabelos
E te levar mais alto,
Onde a camada de luz fica mais espessa.

No mais alto, estrelas e cometas moram,
Estique as mãos para tocá-las,
Em sua bolsa guarde um pouco de pó de sonhos
Junto às sete luzes do arco-íris.

Em meu espaço você conhece a liberdade,
A levo sempre para o alto,
Onde o chão jamais a toca,
Ao mais alto que você puder se levar.

Mergulhe o mais profundo dentro de mim

Esse é para Marina. Na verdade o poema não fala de você, Ma, ele é para você, serve como desafio, como sinal de cautela, como chamado pra você. Quem sabe algum dia te escrevo alguns versos? Baseado numa imagem que fiz.

O mais profundo que você chegou
Ainda é o mais raso existente em mim.
Abri meu oceano privativo,
Dispense chaves, explora desobrigada.

Está preparada e equipada?

No mais profundo encontrará segredos cifrados,
Barcos naufragados de guerras antigas,
Mistérios ou coisas desconhecidas,
Ou uma imensidão sem vida.

Você sabe, quanto mais profundo, mais pressão.
Nas regiões abissais a luz esmaecida perde fôlego,
No entanto, vidas as mais diversas verá.

Mergulhe o mais profundo dentro de mim
Mas não esqueça que por entrar nesse oceano,
Você já faz parte dele.

Sorrisos

[poema antigo]
Para uma garota... a saber, ela é aquela semente que citei em outra poesia.


O sorriso é uma porta destrancada,
um convite, um bem-vindo
para um coração vulnerável.
Ele mostra uma despreocupação com os medos e orgulhos,
coisas essas que trancam as pessoas
tornando suas feições igualmente desertas e frias.

Todavia, o sorriso pode ser uma porta cerrada,
uma barricada de superficialismo
que muitos utilizam para esconder os inúmeros e nocivos pecados.
Esse tipo de sorriso não se sustenta,
pois é firmado numa felicidade nômade
que peregrina pelo tempo e situações.
portanto é nítido nos olhos dessas pessoas
tudo o que é escondido: chagas, mágoas, miséria.

Contudo, seu sorriso é sincero, legítimo,
extraído puro do coração
sem refinar nem tratar.
É essa a marca do discípulo:
conservar indelével essa expressão
deixando resplandecer toda a felicidade incrustada.
Seu sorriso desmedido nos contagia,
ele força um sorriso deslizar alegremente dos nossos rostos.
Assim matamos a sizudez
e o semblante taciturno desgastado por dentro.

Antes, eu era de muitos sorrisos,
no entanto eram tórpidos,
tentando esconder o abissal que eu sentia,
feições falsas impressas na ilusão de felicidades efêmeras.
Agora a felicidade se torna tão inerente
que vira quase uma ordem, uma lei irrevogável.
É bom acordar matinalmente leve,
sem aquelas angústias dos sem-perdão,
é bom compartilhar, cantar,
dar da nossa alegria aos outros,
pois essa felicidade nunca perece.

Seu sorriso embeleza suas feições,
ele demonstra vulnerabilidade,
uma virtude de muito apreço
para os que mais desejam mudar
e se enchem de amigos.

Por isso conserve seu sorriso sempre prateado,
mantenha um coração hialino,
seja uma humilde aprendiz,
aproxime-se a cada dia do Eterno e do Seu Filho
e isso a aproximará das pessoas,
quer dizer, as pessoas é que se aproximarão de você,
cativadas por seu sorriso e seu espírito.
E Deus ficará inda mais feliz,
enchendo de frutos a sua vida.

Amo muito você como um irmão
e meu desejo é apertar esse laço recém atado,
pagando o preço devido por algo tão precioso.
Muito obrigado pela saída,
nela pude te conhecer melhor,
conhecer um pouco do seu coração
para assim terdes um amigo a te ajudar.
Com certeza você já tem me ajudado muito,
irradiando essa alegria,
impregnando-a nas pessoas as quais sua vida toca.

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

Lembrança

Noite passada eu tive um sonho
Tão bom que nem lembro como foi.
Minha memória é muito fraca
Mas no coração ainda guardo nomes,
Uma chama ardente que me traz vida.

Eu sem este fogo não sou nada,
Apesar de eu viver dentro do meu mundo,
Preciso de amigos
Nem que seja só a idéia de que eles existem

Entra uma luz que ilumina o ambiente
Vêm à minha mente uma pequena semente
Que faz brotar uma flor
É essa flor quem me traz a felicidade
Quem me faz esquecer da dor
A dor de um peito sofredor

Eu queria ter um lindo jardim
Onde colibris e sonhos pudessem pairar
E cada segundo de todo santo dia
Pareceria para mim como que feito de ouro.

Tudo na vida é passageiro,
Menos a memória,
Que infelizmente mantém-se acesa.

Fico a noite inteira pensando sobre o mundo
Acho ele um palco de injustiças e ferocidades abomináveis.
Um mundo de aço e concreto,
De pessoas de pedra, de concreto
Sonhos não concretizados,
Palavras abstratas
Palavras abstraem
Continuo com os pés no chão
E a cabeça nas nuvens.
Ando pela cidade à procura do Motivo
Um motivo para o riso ou para a lágrima

E, sem nexo, me anexo ao mundo

Trying

[poema antigo]

I’m trying to live without your smile in my way,
I’m trying to control the wild sea inside me,
‘Cause you know how much I miss you.
Help!
I’m drowning inside myself.

Could you see the dark clouds above you against the light?
‘Cause I see their shadows stealing the colors,
stealing my pride, my soul, my life.
You’ve gone away carrying half of my days,
You’re so far like those sad clouds.

I’ve been thinking of you,
I remember past happy days
That never come back.
I tried to find my mistakes inside my words,
Inside the unspoken words,
‘Cause I didn’t know how much these words hurt you.
I’ve never found my hidden mistakes.

Distante

[poema antigo]

Às vezes a inspiração cessa
E eu fico meio bobo frente ao papel,
Procurando palavras
Que possam falar por si mesmas
Tudo o que eu queria te dizer.

Os poetas às vezes falham.
Nem o Sol tingindo o dia,
Nem as flores embalsamando o ar,
Nem a lua, as coisas boas,
Nem mesmo os versos dos grandes poetas
Conseguem abrir o grande oceano de significados
Em que mergulha minha inspiração.
Não consigo terminar meus versos,
Não consigo torná-los sinceros.

Não espero muito das coisas,
Não exijo muito das pessoas,
Só te peço um pouco:
Sacia meu anseio de destrancar teu coração,
Dá-me a chave de acesso a todas as palavras
Que emanam da tua alma.
Pois ainda te sinto distante,
Não pelos mensuráveis quilômetros que nos separam,
Mas pela incomensurável distância
Que me afasta do teu coração.

Terça-feira, Setembro 26, 2006

amor, s. m.

O amor é uma daquelas criaturas
Cujas enciclopédias em tempo algum ousaram catalogar,
O mais sábio sequer imaginou,
Passou longe.

O amor é um aventureiro das desventuras,
Encontrou na sorte um escudeiro
E aprendeu com [ou ensinou] a fênix
A sobreviver mesmo depois de morrer.

O amor é um pequeno aprendiz
Dentro de nosso peito.

O amor aprendeu o desvelo,
Aprendeu a fazer cafuné
E a sorrir feliz de uma forma que poucos sabem.


O amor aprendeu sozinho a tabuada,
Aprendeu a dividir antes da subtração
E a somar: um mais um,
Sempre um mais um.
E depois de aprender multiplicar, subtrair.
Na subtração, aprendeu a calar-se,
Recolher-se encolher e a pensar:
Um menos um é nada.

O amor aprendeu a fazer mágica.
Milagres, não ilusionismo;
Aprendeu a dar vida às vidas,
Acreditar que o impossível esconde sempre uma solução.

O amor aprender a sobreviver,
Passou por fomes de carências
E pelo desespero da perda.

Menino travesso,
Aprendeu a brincar com fogo,
Aprendeu a rir dos perigos,
Matou o medo da morte.
Ac cada desafio ficou mais forte.

Meia-vida

Nasceu.
Morreu.

De súbito passou,
Pouco durou.
Tanto me havia,
Pouquíssimo sobrou.

Sondei-me e custo a entender,
Quem sabe o tempo diga
Onde ficou aquele amor todo.

Ao visitar meu coração,
Este não se mencionava no catálogo
O quê o furtou?

De qual forma metrificá-lo,
Aferir seu peso,
Considerar grandeza tangível?

Coração, recipiente furado,
Deixou escapar tudo,
Evaporou nossos planos,
Vazou as fotografias na cabeceira da cama.
A paixão desbotou inexoravelmente no tempo.

Pois como pode um amor imenso declarado
Ao invés de sublimar,
Tornar-se subliminar,
Imperceptível aos nossos sentidos?

Esse amor tem meia-vida curta.

Irreal

Quando a mão passeia sobre a neve
E os dedinhos de seu pé tentam me beliscar,
Atravesso sua pele, afago seu coração.

Em seus olhos leio um prazer disfarçado,
Como se nada daquilo afetasse sua altivez.

Quando paro, oferece-me as mãos
Ou um carinho grosseiro
Pedindo a mim um pouco mais.

Eu aceitaria te fazer feliz
Se você me aceitasse.

Faria seus pezinhos caminharem
Sobre as nuvens mais altas.

A teria, apesar de meu desejo maior de mudá-la,
Infelizmente nossos olhos caminham por lugares diferentes.

O amor entre nós dois é irreal,
Real, porém surge vizinho ao instante de inexistir

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

Olvido

[poema antigo]

Distância mais do que distante,
Incomensurável,
Longínqua, supramaterial,
A distância que não se mede com régua
E apenas o tempo dissolve,
Esquecer...
Redenção da alma presa à memória,
Recordar que não lembra de nada,
Esquecer que lembra de algo,
Esquecer que lembra dos sentimentos presos na mente por um fino barbante de tempo.
Anular grandes sentimentos
Que outrora foram sentidos.
Olvidar é fazer de conta que nada aconteceu,
É mentir para mim mesmo que algo surgiu na nossa vida,
Que num instante a vida era luz
Por alguém que eu amava.

Se nos trazem lágrimas as recordações,
Se o pranto ocorre nas recordações da pessoa amada,
O esquecimento é solidão.

Querida amiga

[poema antigo]

Mesmo sem você por perto,
Ainda sinto forte sua presença
Guiando-me com sua luz inextinguível
Pelos caminhos tortuosos da vida.

Mesmo com sua ausência,
Ainda fazes presença
Com seu amor onipresente.

A verdade é que a vida
Ainda me pega com suas armadilhas;
Sinto-me triste vez por outra
Quando me lembro de você,
Quando penso nos dias passados,
Enquanto o agora é solidão e sacrifício,
O vício de querer ser mais.

Mas a lembrança de você
Não carrega o fantasma da tristeza,
É da sua amizade que posso
Compreender que o suor faz sentido,
Que minha felicidade pode ser concretizada;
E você mesma a realiza
Com seu amor sem fim,
Com sua fé em mim,
Como um anjo iluminando meu caminho.

Porém, quando não consigo me encontrar,
Não preciso ir muito longe
Eu te encontro no meu coração.

Quarta-feira, Maio 10, 2006

O céu fechado

O dia ficou como noite.
Vestida de cinza, a paisagem entristecida.
A chuva bate na janela pedindo entrada.
Mais nuvens fechadas cá dentro em mim.
Meu solzinho escondeu-se,
tá longe, sequer posso sentir,
seu brilho escapa
minhas investidas inúteis.

As retinas chovem,
este dia pesado e infeliz.
Nas ruas, os postes disfarçam tamanha escuridão.
Tantos dias sem o solzinho.
Será que se acostuma?
Recuso-me

Tardes sem melodia,
tanto pra dizer acumulado,
expectativas e aguardo.

Hoje o dia todo é como noite.

Quinta-feira, Abril 20, 2006

Solzinho

Me desperto todo dia
Com uma luz repousando sobre meu rosto

Julgava ser algum corpo celeste

Essa luz brilha dentro de minha mente
Basta o sol sorrir em meu pensamento.

Em sua honra componho meus versos
Em minha cabeça canto tanto para o sol,
Desejando sentir o calor
E de um dia tocar.

Talvez de tanta paixão
Estaria eu mais quente que o sol.

Passa a manhã, meu solzinho da tarde aparece
Cheio de novidades.
E eu, cheio de uma saudade infinita
Que de tanto querer perto, esta saudade aumenta
E a distância fica a cada dia um ano-luz maior.

Tem dias que parece ter havido um eclipse.
Um dia sem ver meu solzinho
Inconsolável e sozinho fico,
Esperando a alvorada.

Mas eu sei que o sol volta,
Ele só foi iluminar outro lugar
E volta,
Incandiando com sua forte presença,
Pois a escuridão me ensina como essa luzinha faz falta.

Como amo ouvir aquele oi,
Aquelas palavrinhas felizes.
Como amo ver esse brilho!
Meu desejo é afagar o solzinho
E, ao invés de apagar essa chama,
fazê-la brilhar!

E fazê-la alcançar todo universo.

Sexta-feira, Abril 07, 2006

Dama de Preto

Quem é ela que passa
com seu vestido negro indecifrável,
vestido grosso por seu rude serviço,
poento da passagem do tempo.

Dela todos tentam escapar
apesar de sempre a encontrarem.
Seu manto cobre-lhe de discrição,
a fim de, no encalço da vida do homem,
furtivamente os segar.

Poderosa, os grandes homens a temaram.
Diante dela, homens feitos choraram feito criança.
Não há como fugir de suas mãos.
Alguns conseguiram escapar,
mas vingativa e impiedosa, no final sempre alcança sua vítima.
A saber: todos os vivos, você e eu.

Ela passa à minha frente ameaçadoramente,
algumas vezes senti seu frio,
outras vezes, em dias antigos, me embriaguei a desejando.

Todavia, agora a permito sem medo.
Derrotada e impotente,
o que lhe parece vitória, este é meu trunfo
devido ao precioso sangue, não o meu.

Se a morte me toma,
minha vida escapa entre seus dedos,
pode até tirar meu corpo, separá-lo do espírito,
mas a alma permanece a eternidade.

Todos os dias a confronto,
a tomo para mim,
vivo, me faço morrer
porquanto viver é viver em mim Cristo
e morrer é viver com Cristo.

Pesadelo

Nessa madrugada o pretume de um pesadelo me acordou.
Sonho negro
da cor do teu batom e do teu vestido.
Minha alma insone cansou de buscar descanso.

Estás indo para o lugar de onde eu saí,
buscas vida onde todo mundo só encontrou morte
e recuso te ver nessa morte.

Ignore o rútilo galantear das coisas efêmeras.
Se parece haver sentido e oferecer felicidade,
desnorteia, ilude e cobra um preço alto.

Sinto uma falta dominical de ti,
meu Pai sente tua falta também
e todos os outros dias.
Choramos quando dói demais saber de ti.

Ser amado nem importa mais,
te procuro a fim de trazer
de volta a luz em ti.

Querida irmãzinha,
minha fé proíbe desistências,
eu te amo,
e se aceitasses minhas palavras,
diria outras tantas
ansiosas de escapar de minha alma.

O brilho negro te seduz,
oferecendo prazeres ao corpo,
violando tua pele clara,
viciando o sangue
e oferecendo ilusão ao coração,
sofrido músculo
do qual aprendo a me comiserar.

Não te afastes,
estenda as mãos para alcançar-te,
não aguarde o cair da máscara da vacuidade.
Antes, perceba o odor fétido do sangue em redor,
sinta a terrível podridão melar seu vestido,
antes que te afundem
e lhe roubem o fôlego de vida.

Acompanho seus passos
e aguardo o esculpir vagaroso de teu coração.
Se é de carinho e amor que precisas,
te dou até sobejar,
para que voltes àquele caminho.

Quarta-feira, Março 29, 2006

Ruptura

"Existe alguém em todo universo
esperando de abraços abertos por minha chegada.
Eu tive de ir mais longe."

Tudo o que começa tem realmente um final?
Às vezes amor demais exige uma pausa.
Seu amor determinado jamais desiste de mim
mas você sabe que devemos ser somente amigos, né?
Se conseguirmos conviver com a idéia
de somente ter, sem possuir.

Me perdoa por te fazer se apaixonar.
Sou cúmplice, eu sei.
Tanto você me falou
que podia ser arriscado
e eu, tonto de amor
resolvi arriscar.

Se fosse minha própria vida
peso algum me haveria depois do erro;
arrisquei o que não era meu,
o dano não foi em mim, eu sei.

Não tenho dúvidas de quanto você me considera
e dói demais ferir quem a gente ama,
pois as feridas parecem nunca sarar,
fica uma cicatriz, alheia ao tempo.
Suas lágrimas são as minhas,
é parte de mim que sofre.

Reconheço meus erros,
quanto irresponsável fui
ao pensar em mim
e também de ter medo de continuar nosso sonho,
mas eu não queria somente sonho, você sabe
e essa ruptura não é de forma alguma alguma forma de desistência,
este tempo não é silêncio,
considero como a calmaria que precede um tornado.

Tentei nos proteger
da ilusão onde possamos estar entrando.
Fui realista, você disse,
e a realidade não foi nada fácil.

Entanto não perdemos um ao outro:
o destino e o desatino rimam
e invocando o caos, quem sabe,
pelo mesmo motivo que nos separou
nos unamos: o amor.

Sexta-feira, Março 24, 2006

Duelo

Os punhos alcançam a face do oponente.
Os pés de apoio sustentam
Neste tenso desequilíbrio
De forças antagônicas.

Os poros deixam vazar gotículas milhares de suor
Amontoadas uma a uma
Qual um caldo brilhante
Lubrificando
E por lubrificar, dificultando o atrito das peles,
Prologando mais a luta.

O chão roja pela pele
Escalavrando a áspera tez
Esculpindo nela inquieta dor.

Um tateia sobre o dorso do rival
Onde fincar as unhas.
Espesso e rubro visgo
Vaza feito rio
Tingindo os lutadores.

Ora um permite sua face bater,
Ora outro cede ao enfado das horas

Espírito e carne, dois duelistas.

Quem é o perdedor?
De quem é a vitória?
Esse combate vai além do sol se pôr

Essa guerra infinda
Dura o resto da vida.

As ondas

Na praia, nas pedras o vento brame,
Passa o sopro rápido, assalta o silêncio,
Rasteja rente ao mar e o empurra,
O oceano atiça.

O mar: com feroz voracidade
Sepulta os desafortunados navegadores.
Nele jaz Alexandria, jaz o mito de Atlantis;
Ainda mais misterioso que eles
E contraditoriamente cheio de vida.

O vento instiga o manto d’água,
Contorce-se impassivo, compulsivo.
Contrai-se mais, avança a orla,
Saliva toda a areia, saboreia pequenas pedras.

Noutro front,
As águas guerreiam contra as pedras do mirante.

O vento vivificado uiva,
Solta sussurros, silvos.
Ondas feito martelos
Desmancham-se estrondosas
Contra as rochas.

De brado amedrontador
Lançam-se sem vacilo
Quais kamikases desesperados,
Cheios de ódio.

As pedras, ao contrário, não ameaçam.
Esperam, talvez ao fim das eras,
Tão silenciosas, tão mansas,
Todavia tão firmes.

As ondas abordam o mirante num turbilhão altissonante.
As pedras permanecem no mesmo lugar.
Somente uma delas se move,
Mas logo volta à posição inicial.
Depois, outra onda ataca,
Mais outro turbilhão,
Outro, outro e mais outro
E é assim toda a tarde,
Cai a noite e o outro dia.
Passam-se os dias e o oceano altivo
Em todo seu escândalo
Não conseguiu mover as pedras.

Sou como essas ondas.
Lanço contra os céus impropérios
Encharcados de orgulho,
Me debatendo contra as pedras.
Todas minhas queixas
São tão tolas frente à brevidade da vida.

Por mais que eu confronte,
Recalcitrante e mau,
Meu Deus permanece impassível.
Fixo, em sua paciência monumental.

Segunda-feira, Março 20, 2006

Patty

Seu nome? Independe.
Ousa alcunhar-se de Patty.
Se quiser, dê-lhe um nome qualquer
A fim de adquirir ela personalidade
Sabendo-se faltar nesta alguma.

Patty é mais que uma,
É certo que conheces uma igualzinha à minha,
Pois elas teimam em existir na maioria dos círculos sociais
E infestam shoppings, praias, baladas,
Inclusive o mundo virtual.
Ela necessita estar sempre à mostra.

Bonitinha, bonequinha, parece uma criança.
Seu dom de ser bela serviu para inchá-la de orgulho.
Ela é muito linda, confesso,
Mas ela aprendeu que vale mais sua casca.
Por isso enche-se de tudo que a faça cintilar.
De fato os adornos ressaltam seus ricos contornos.

Minha propaganda – meu querido ofício
Tornou-se seu vício
E a tem ensinado muito.
Levi’s, M. Officer, Colcci, Operarock
Le Postiche, Movimento, Motorola
Amanhã oferecerão novidades
Ainda mais novas que as de hoje,
Fadadas ao obsoleto.

Na religião do consumismo,
Ela é devota a tudo que as novelas,
A Mtv, cinema e as vitrines ofertam.

O vazio a satisfaz, essa é a verdade.
E quanto mais vazio obtém,
Mais vazio deseja para preenchê-la.

Infelizmente dinheiro é muito pouco
Para comprar uma alma.
A propósito, esta já foi vendida
Para comprar aquela vã segurança qualquer
Que estava em liquidação nas vitrines.

Sei, contudo, que dentro dela,
Num lugarzinho escondido,
Empoeirado por tanto descaso
Bate um coraçãozinho, miúdo e frio.

Quiseram lhe dar um amor sincero,
Mas ela os pisou, rejeitando como algo vulgar.
Em suas infantilidades,
Corações esmigalhados acumularam sobre seus pés,
Desprezados por seu olhar altivo
E sua interminável lista de exigências tolas.

Aquele moço bonito ao seu lado,
Bem alinhado, com uma boa conta no banco
Diz que a ama.
Ele a exibe a todos, qual um troféu.
Um troféu brilhante e belo,
Cheio de vácuo.

Para ele, Patty tem o valor de tudo o que ela comprou,
Sim, ela não vale mais que um objeto,
Cheio de caprichos, e um dia ele se enjoa dela
Para trocar por um outro modelo mais novo
Ou aquela outra que estava em promoção.

Coitadinha de Patty
Seu coraçãozinho descartável já viveu muitos finais infelizes.
Enquanto tentava viver contos de fada.

Pior, daqui a pouco os anos saquearão sua beleza
Que as plásticas não conseguirão repôr.
Mesmo as pinturas mais resistentes
Descascam com o tempo.

Obsoleta, sua casca estará apodrecendo
E no fim ela valerá tanto quanto dentro,
Será tão descartável como os produtos que ela compra.
Como a moda, sazonalmente trocada por outra.
E a sua estação já terá passado faz tempo.

O Tempo e a Distância

Querida, deixe o relógio andar.
Nem tudo é como queremos
Incluso no caos universal.

Te encontrei, parecia um bilhete premiado na rua.
Todos passam, ignoram,
Cabisbaixo de praxe, te encontrei. Você perdida.

Os meandros levam você e eu.
No afluente mais próximo houve o encontro inesquecível
Tornando um rio somente,
Mais vasto, mais denso, mais vivo.

Querida, deixe o rio correr,
Ele não se doma nem tem vontade própria
Segue leis regentes.

Você conhece meus pensamentos,
O vidro o qual lês todos dia
E você tem sido muito menos volátil
Do que aqueles corações que feriram o meu.

Entanto te ter é tão concreto
Quanto segurar o ar com as mãos.

Não nego a fidelidade sua,
Dentro do monitor, todas as tardes.
Seu carinho, apesar de o mais intenso já sentido
Alcançará só um dia quem sabe
As áreas tácteis da superfície,
Atualmente, subcutâneo.

Amiga, o tempo é uma dimensão
Cujo barco nunca aprendi navegar.
À mercê, somos subjugados por nossas vontades.

Carrego você no bolso,
Dentro do celular
Macromolecular minha vontade
De ir feito torpedo
Provar o multicolorido
De qualquer coisa real
Entanto a angústia da espera
É um muro imenso
Metafórico quanto real.

Enfim, distância ainda é distância,
Aguardamos o escritor do universo
Escrever um capítulo só para nós.
Dentro do mecanismo grandioso que rege o pó das estrelas
Eu e você somos pó, embebidos de caos.

Adianta cobrarmo-nos alguma coisa?
E como dói um amor tão grande
Ter de ser apartado.
Como pode duas pessoas que se amam tanto
Terem de ser separadas?

Por isso deixemos para trás a pressa.
Esse andar afobado de nosso amor
Tem atropelado tanta coisa
E pode nos atropelar por completo
Se o carinho deixa de ser desenvolvido
Resultando numa lista de exigências.

Sem paciência, desata-se os laços mais ternos
E tudo o que podia ser
Deixa de ser para sempre.

Segunda-feira, Março 06, 2006

O Presente

O que fazer pra você neste dia?
Como te dar algo mais precioso
se você é meu tesourinho inestimável?
Pensei em trazer o Sol e toda sua imensidão
mas teus olhos brilham mais que ele
e teu abraço é bem mais caloroso.

Continuando a pensar, cogitei até
todas as rosas dos campos te oferecer
mas quão poco formosas,
quão pouco delicadas
e quão pouco olorosas
se comparadas ao meu benzinho.

Talvez aceitasses se eu te presentear
com as mais finas iguarias, a duçura do mel mais puro,
mas nada neste mundo seria tão gostoso
quanto sentir o tocar de teus cobiçados lábios.

Falando de cobiçado, te daria a paz,
a que toda humanidade tanto deseja
mas muito maior paz me dará te abraçar
e sentir você.

Meu amor, por mais que eu queime meus neurônios,
Não encontro nada tão especial feito você.

Quero te dar um arco-íris,
mas muito mais cores você deu à minha vida.

Quero te dar o canto de todos os passarinhos,
mas tua voz de princezinha é bem mais melodiosa,
toca as cordas do meu coração.

Pensei até em te dar todo o infinito universal,
mas ainda mais infinito é teu amor,
muito mais vasto, muito mais vasto.

De tanto pensar e pensar
resolvi desistir,
não há o que dar que se compare a você.
Hoje eu queria, no teu aniversário, te dar algo maior
que teu incomensurável amor,
mas quão pequeno é tudo o que dou
quando comparo com você!

Contudo, mesmo assim,
te dou meu coraçãozinho,
e essas horinhas de minha madrugada.
Sei que é muito pouco, mas é de tudo o que sou.

No teu aniversário te dou esse poeminha, que pode ser eterno
como será eterna a lembrança de você,
feito um diamante: brilhante e inquebrável.
eu te amo, te amo, te amo.

Terça-feira, Janeiro 31, 2006

Eternamente Amigo

Essa poesia não é minha, mas gostaria de publicá-la, pois é para mim, escrita por uma pessoa muito especial em minha vida... acho que quem me conhece sabe bem quem foi que escreveu...

Eternamente Amigo

Foi um certo dia que chegaste em minha casa… Olhei para você, pensei, pensei
E logo percebi que a nossa amizade era mandada por Deus.
Duvidas disso? Pois eu não tenho dúvida.
O tempo passou, passou, e até agora nossa amizade não acabou.
Tu chegaste com este Jeitinho e logo conquistasse minha amizade
Há nada que se possa comparar com a felicidade que e a sua amizade.
Compartilhados, inesquecíveis, palavras e elogios, e elogios sincero
É bom saber que compartilhamos uma compreensão
Que vai durar pelo resto de nossas vidas.

Nós estamos vendo uma amizade, amizade
Que a cada dia crescendo mais
Compartilho contigo sorriso, alegria e tristeza e também felicidade.
O que mais gosto em você é sua simplicidade.
Simples e que sabe transformar a vida em felicidade.
Saiba, você foi a melhor coisa que me aconteceu,
Você é muito importante para mim
Encontro no conforto de SUA amizade tudo que pedi a Deus
E sempre permanecerá em minha vida, obrigado por
você existir.

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

verbo

Este poema é sobre alguém,
um substantivo feminino com nome próprio.

Por enquanto o chamo pelo pronome indefinido,
para se um dia tiver de esquecer
não haverá um nome para lembrar.

Escrevo de lápis
cogitando um dia ter de usar da borracha.
na memória não ficará.

Apaixonar, mais-que-efêmero dom,
mais-que-imperfeito verbo.

Amor, verbo defectivo em minha pessoa.

Estampo o rosto dela nas nuvens,
a desprezar desdenhoso
a fim de não doer.

Ágape

Eu te amo
não te amo por causa da matéria,
pelo que passa, pelo que enferruja.
O valioso de nada vale.

Não te amo por dever,
amor nunca foi um jugo.
Eu te amo, somente.

Somente te amo por uma condição:
Que não sintas obrigação de receber
nem necessitas retribuir.

Sou ignorante quanto a mim mesmo
o que é meu não tenho posse mais
Meu, somente teu bem,
minha vida num holocausto.

Eu te amo porque tu és,
eu te amo apesar de qualquer coisa,
eu te amo num verbo indizível:
só se conjuga agindo

Segunda-feira, Dezembro 19, 2005

Meu anjo

Há quem afirme avistar anjos.
“Querubins são fantásticos!” - vos diria Ezequiel.
Um punhado de homens avistara somente um resplendor da Glória;
Outros tantos, sequer viram algo.
(embora sabe-se de anjos simulando nosso corpo de barro
como avistou Abraão)

Eles são servos, nisto se traduz seus nomes,
vêm à terra oferecer seus trabalhos
a fim de honrar O Altíssimo.

Um desses anjos, enfurecido, exterminou exércitos,
o mesmo (talvez) que derramou as Taças da Ira.
Outro deles confortou o Filho no Getsêmani
às vésperas da cruz.

Um anjo resolveu entre nós viver;
Tão apaixonado por ser humano
lançou-se das alturas para a terra
a fim de experimentar a vida dos mortais
(a dura vida dos mortais)

Eu sei onde este anjo está!
Os anjos são fracos em se disfarçar,
seus corações logo os revelam:
Corações grandes, extremos altruístas,
neles cabem muitos e muitos amigos
e muitos mais são acrescentados
porquanto o amor estende ainda mais esses corações.

Seu olhar atencioso, para de presto ajudar
denuncia seu aprendizado com o Deus Protetor,
pois somente Ele leciona o cuidado
somado à paciência inextinguível,
a servidão humilde, o desejo benevolente de contribuir,
tudo isso com um sorriso de gratidão
que faz a vez da auréola e a cintilância que tenta disfarçar.

Talvez os cabelos de Cristo
também foram afagados por esse anjo
enquanto pranteava pelo Jardim.
Quem sabe também não seja o mesmo
que dos céus olhava por Israel no deserto?

Reconheço estar sendo guardado por esse anjo
imerecidamente.
Anjo que é o mesmo que uma mãe,
preocupa-se, cuida com um amor constrangedor;
Como uma amiga, abro a ela o livro da minha vida,
descanso em nossas conversas o feixe de desapontamentos
e ouço mais que palavras: conselhos;
Irmã de sangue
(não o sangue corendo em nossas veias, mas o de Cristo),
Compartilhamos a infindável riqueza espiritual,
esperando os portões do céu abrirem
ao som de nossos nomes chamados.

Minha mãe, minha tia, minha irmã, minha amiga, meu anjo.

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

Em resposta ao desafio

Desafios não são desafios
quando o prêmio é tão valioso.
Desafio seria enfrentar dragões,
confrontar hordas ou invadir cidades.

Você vale muito
e acho até que são tão poucas exigências,
nem são exigências,
você na verdade as merece.

Merece muito carinho,
um cafuné cheio de amor,
um xêrinho gostoso;
merece a atenção às suas carências;
seria um prazer te ouvir
pra entender teu coração;
merece todo o respeito de sua pureza,
merece a trabalheira que dá pra te fazer feliz
(mas contemplar teu sorriso é um pagamento mais que justo);
Pra te cuidar é preciso paciência,
como se cuida de criancinhas;
paciência também de abrir sua conchinha
que guarda teu coração.

Te ofereço todo o amor que guardo,
ofereço também meus planos,
que pertenceriam a nós dois,
para, daqui a um tempo
estarmos juntos de verdade, na mesma cidade.
Aguardo suas respostas,
se um dia você aceita ser amada.

Terça-feira, Dezembro 13, 2005

Majestade

Toma manto e cetro,
coroa e anel.

Me reina

Com mão de ferro
me põe no teu afago suave.

Sou teu servo.

Convocas exércitos ao redor de mim,
teu trono de marfim permanece.
Primeira e última palavra tens.

Me curvo aos teus pés
e teus ensinamentos serão ordens.

No território de minha mente
milícias cercaram com tua Palavra
toda a extensão fronteiriça,
impedem o que não vem de ti entrar ou sair.

Tu és majestade,
minha vida são teus domínios.

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Deu nos jornais

Deu nos jornais em letras garrafais:

"Mais uma vítima
o arqueiro atacou,
suas setas carregadas de dopamina
traspassou o peito de mais um jovem.
Jovem este não mais visto na manhã de ontem."

Quem o amor vai machucar hoje?

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

Eu não mereço

Época bem difícil... Estava triste com uma amiga que me machucou muito, estava muito irado, pensando como eu sou bobo e como o mundo é injusto. Eu estava profundamente decepcionado, mas me inspirando na Bíblia, escrevi estes versos, lembrando que eu já tenho tudo, e mais do que eu possa imaginar.

Eu não mereço

Deus Eterno, sou tão pequeno diante de ti!
Número nenhum lhe pode ser proporcional
Apesar de os números serem infinitos
Tu és de uma grandeza que supera o infinito.
Coas com a mão todas as estrelas do universo
E brincas com as galáxias empurrando-as com teu dedo.

Poderoso Deus! Onde estou com a cabeça?!
Por que vejo tudo isso e ainda não entendo?
Se tudo ao redor está cheio do teu amor!
Foi o Senhor quem criou tudo,
Tudo do nada,
Para que possamos vê-lo, mesmo que invisível,
Em toda a natureza.

Fitar o céu:
Azulzinho pela manhã,
Em tons ciãs à tarde,
Vermelho quando o sol deita
E numa escuridão tranquila, trazendo a noite.

Deus, eu não mereço ter meus olhos
Ainda que imperfeitos.
Não mereço sequer ver as sombras das coisas
Ou um simples borrão de toda tua beleza
Enquanto muitos não têm minha vista
E mesmo assim são gratos.

Eu não mereço ter minha audição
Que me faz escutar os sons dos passarinhos na mangueira,
Tecendo felizes seus ninhos
Cantando a alegria de ser uma criatura tua.
Eu não mereço ter meu sonho de ter meu ninho,
De ter minha família, de ter minha esposa,
De transferir à próxima geração o legado da tua Palavra
E ensinar aos humildes teu amor profundo.

Eu não mereço ser usado pelo Senhor
Para ajudar outras pessoas
Nem de fazer que Tua Luz brilhe no mundo
Tampouco mereço o simples dom de falar,
De te bendizer, de te louvar, de cantar a ti
E ainda mais do que falar,
Não mereço sequer o ar que enche meus pulmões,
Que circula dentro do meu sangue
Bombeado pelo meu coração
E inundando todo meu corpo por dentro,
Para chegar a cada célula.

Eu não mereço que minhas conexões sinápticas
Funcionem e transportem a energia do meu pensamento.
Nem mereço a capacidade de somar letra com letra
E montar versos com sentido
Que lhe agrade como oferta.

Eu não mereço a força com que empunho o lápis,
Sequer sentir o lápis e as coisas mais gostosas do paladar.
Sentir o Senhor soprar a brisa do mar
Ou o sol tocar minha pele
Ou o frio entranhar em minhas carnes.

Eu não mereço ser um milagre,
Pois a vida é um milagre
Dentro de um universo cheio de coisas inertes.
Eu não mereço receber Teu Sopro de Vida
E ter sido criado do barro da terra
Para voltar à mesma terra.

Eu não mereço ter o Senhor como meu Criador,
Nem te dirigir a Palavra.
Se não fosse Cristo, minhas palavras seriam inúteis,
Seria como rasgar fora este papel:
De nada adiantaria.
Mas a cruz, erigida no Calvário,
Me aproximou de ti
E agora eu posso falar contigo
Com a intimidade de um grande amigo.
Posso te abrir o livro de meu coração
E, destrancado e vulnerável,
Chorar contigo,
Rir contigo
E receber de tua correção.

Eu mereço a cruz,
Mereço sofrer as penas de Cristo
E ter os ferros cravados em meus braços.
Mas o Senhor me evitou a morte do Espírito
Morrendo de todas as formas por mim.

Eu não mereço, e a cada palavra desses versos
Percebo o quanto não te mereço.
Estava no poço, no mais fundo dos poços
Onde o lodo me entrava pelas narinas,
No local mais fétido e desagradável.
Era teu inimigo assumido
E o Senhor, com toda tua pureza
Me arrancou do pecado que te desagrada,
Me lavou de toda culpa
E tem me lavado, dia após dia
Com teu infinito perdão,
Aos borbotões derramado sobre mim.

No entanto, quantas mais linhas invado neste caderno,
Mais necessito de tua comiseração,
Pois meu coração ainda não entende.

Sou rico, no entanto me sinto pobre,
Meu cálice transborda mas sinto sede.
Somente a ingratidão é capaz disso.
Sou um ingrato filho pródigo,
Um escravo que quer ser rei,
Ser servido na mais horrenda glutonaria.

Mas o Senhor é justo e tem dado tudo na medida certa.
O Senhor é amoroso e tem me feito tudo
Para que eu esteja satisfeito
E alegre com teu cuidado.

Pois cada fio de cabelo em minha cabeça
Está sendo cuidado pelo Senhor
E isso é motivo para eu estar tranquilo.
Pois o teu amor tem transbordado sobre mim
E se penso em tudo o que escrevi até agora
E penso nos detalhes de cada segundo em minha vida,
Fico constrangido
E ao mesmo tempo indignado
Por causa de teu amor não correspondido.

Como posso ser tão mau com o Senhor?
Como meu coração ainda pode insistir?
Como o fogo do céu ainda não consumiu
Minha natureza decadente e pecadora?
É teu perdão que não me deixas perder
E é tua misericórdia que me alveja,
Afastando de mim minha culpa,
Me colocando um novo coração
Mais alvo que o brilho do sol.

Mas mesmo diante do teu ininteligível perdão
Meu coração é inerte
E, se move, é retrógrado,
Cada vez mais longe de ti.
Mas o Senhor é bondoso e me abraça,
Me cerca de inúmeras maneiras,
Põe meus olhos com teus olhos
E alinha minha mente com a tua,
Plantando teus preceitos no meu coração.
Assim meus pés nunca falham,
Estão sempre firmes no estreito caminho
Que Teu filho unigênito trilhou.

Deus, eu sou feitura tua
E assim como os passarinhos que te descrevi,
Eu quero cantar tamanha felicidade!
De alé disso tudo, poder ser teu filho
E morar contigo uma eternidade!

Te louvarei todos os dias da minha vida!
Que o cântico de louvor dos teus santos
Alcance os tímpanos do ser humano mais distante
E esse júbilo contagie coração a coração
Numa marcha ao fim dos dias!

Tua Palavra sempre será ouvida
Por corações sinceros,
Tua Palavra sempre será praticada
Por vidas humildes
E tua Palavra sempre será anunciada
Por lábios que te bendizem.

Os pecadores te ouvirão, ó Senhor.
Teu inimigos te louvarão de alegria,
Exércitos e meis exércitos das antigas hordas
Levantarão dos destroços
Jurando lealdade eterna ao único Rei
Cujo nome é maravilhoso e puro demais
Para meus lábios pronunciarem.

E este teu sonho, que agora é meu,
Está se cumprindo,
E como pó se espalhando
Por todas as nações.

Eu não mereço ser tirado dos refugos onde eu me escondia
Para morar na tua luz, vivendo teu sonho.
Mas mesmo não merecendo,
Sei que é a única chance que tenho
Para te servir e retribuir
O imensurável amor a mim oferecido,
Amor que deve ser convertido
Em gratidão profunda.
Pois o que eu mais merecia
O Senhor não deu:
A tua ira destuidora.
Mas o que eu não merecia
O Senhor me ofereceu:
A tua graça salvadora
Que permanecerá para todo sempre,
Amém!

Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

complicada

Às vezes não consigo entender as garotas... às vezes é só uma garota... eu realmente não consigo entendê-la... diz pra mim que chora, mas depois diz que tá tudo bem... fica dizendo um monte de coisas pra desdizer depois... Sei que "mulheres vêm de Vênus", mas acho que essa veio de mais longe.

Me diz quem te fez assim complicada
sem deixar manual de instruções.
Não bastava te cuidar e dar os frutos do coração,
te ouvir e ouvir interminável lamentação?

Me diz se vens de Vênus
ou de algum planetinha do outro lado do universo
tentando enviar códigos indecifráveis
ao invés de falar o bom português.

Me diz se és de lua
para entender as cinco fases que passas por dia.
Você chorava noite após noite
pra de manhã dizer estar tudo bem.

Não te entendo mesmo.
Freud ficaria louco ao tentar explicar
a esfinge de teus mistérios bobos.
Decifre-se
ou te devoro o último fôlego
dos restos de ti que ainda pedem explicação
da vã psicologia.

Decifre-se você mesma,
Ariadne em busca das respostas
dentro dos teus labirintos.

Para a Peter Pan de 18 anos peço
que reencontre logo seu caminho de volta
à Terra do Nunca.

Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Rainha da Groelândia,
Dentro em teu peito um sol sidera.
Princesa do ártico, duquesa de Sibéria,
Teu frio é uma fina camada sobre a pele alva.
Dentro, sob o gelo
Acondiciona todo calor das estrelas,
Uma supernova acumulando tanto de si a ponto de eclodir.

Gostaria de descobrir
Todo carinho você dizer conservar.
Estourariam como uma explosão estelar
Num só momento vário?

Delicada, flor de espinhos aguçados,
Teus espinhos não são maldade, são proteção
De um fragilíssimo coração.
E os espinhos são parte desconsiderável de tua flor,
Tuas mãos são pétalas, macias pétalas pedindo um afago.

Gasto tanto tempo pra entender teu sorriso escondido,
Teu respirar mais profundo,
Teus olhos que nada expressam
Ou dizem muito, muito além
Do entendimento de minhas retinas leigas.

Um dia ainda abro todas as portas de aço,
Atravesso todos os cômodos mais sombrios
No mais abscôndito de você
Para resgatar a criança doce e serena.

Todas as brincadeiras bobas
São na verdade tentativas de emergir
Essa menina cândida.
Os arranhões nem são em você,
Sou eu rasgando o aço de tua blindagem,
Deixando uma marca em ti
Pra te afirmar sempre
Que penso em você.

Conheço teu sofrimento,
Te vejo guardar um coração dorido
Batendo sem fazer nenhum som.
Meus ouvidos aguardam tua boca,
Decifrar tua vida.
Meus óculos sempre atentos te seguem,
Para sorrir quando te vê feliz.
Os joelhos em oração pedem por você,
Para ver a luz do Pai em você.
Peço sempre para serdes amada,
Independe quem te acompanhe,
Sejas amada aqui e para sempre.

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

à menina

Tudo calmo,
o leviatã amansado
adormecido entre os dois pulmões.

Na serenidade que tava,
de repente esse verme [pois não o chamo amizade] ocupa um vão.
Não lhe pedi atenção
e me culpo pela atenção dada a quem não deveria.
Cavou adentro, inflamando,
invadindo os órgãos, lacerando peito.

Permiti-me hospedeiro
vulnerável ao seu consumo.
E, logo ao oferecer todas as chaves,
sai de fininho absurdamente insensível.
deixando uma lacuna.

Eu temia machucá-la,
acabei por sofrer muito mais do que ela,
caído no ridículo circo dos bobos que ainda teimam em amar.

Se não quis ficar, por que veio?
As palavras doces, o carinho e os beijinhos,
tudo que ela fez foi de mentirinha
como uma brincadeira de criança.

A criança nela desmontou-me
para brincar em suas infantilidades.
usando de meus ouvidos
para chorar ridículas lamentações vazias,
escorando seus medos e problemas.

"Nos meus sentimentos você é café com leite,
uma relação que não acrescentou
além de desdém e asco a essa tolice.
Vá para casa e se cuide, menina,
diga a quem inventou a paixão
para me deixar quieto,
meu caos em paz,
não me tire o sossego, apenas no momento certo.
E não se esqueça de dizer adeus
quando atravessar os portais do meu esquecimento"

Quinta-feira, Agosto 18, 2005

telúrico

Não queria ter
esse coração batendo,
esse sangue correndo
pelas veias.

Como tantos são frios
e essa frieza sinto até em amigos.
Coração não sente,
as peles perderam tato,
superfície grossa, solo arenoso e hostil.

Quisera não sentir mais nada,
não me sentir, não sentir os outros,
ignorar os que choram,
atropelar os inimigos em minha frente.

Hoje eu queria ser de granito,
ignorar o que é amar
porque amar, por mais sublime
fragiliza e machuca muito.
Muito.

Já me feri demais caindo de meus sonhos estratosféricos.
Eu sou terra, sou barro, telúrico.

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

A algum amigo

Hoje preciso de um amigo.
Revirei meus versos
E refiz minhas convicções.
Anteontem, ontem, hoje e talvez amanhã
São dias de sonhos tenebrosos.

Visitei as multidões,
Visitei os caminhos bons da memória
Recortando as recordações
Para ver se te encontro novamente por perto.

Eu pensava ser forte,
Descobri o quanto é impossível acumular
Tudo no peito e trancá-lo,
Sem gritar,
Sem ranger os dentes,
Sem chorar,
A linha é tênue para eu me embrutecer.
E tantos olhares são indiferentes ainda.
Estou quase cortando os fios que ligam a mente ao coração,
Resetando as coisas bonitas
Que de tão bonitas machucam.

Assumo que castelos nas nuvens não existem
E a realidade parece tão dura, apesar de óbvia.
Mas não quero me enrijecer com a realidade.

Hoje preciso de um amigo
E não adianta me dizer que estás perto
Se tua voz ecoa de uma montanha íngreme
A quilômetros de distância.
Palavras não esquentam,
Frases feitas aquecem como a chama de um fósforo aquece no inverno glacial

As desculpas,
Ditas ou inauditas,
São a melhor maneira de matar uma amizade sem ninguém ficar sabendo.
Os maus, nas suas maldades,
Empalam, crucificam, torturam;
Os amigos, muitas vezes sem querer
(ou querendo?)
Mutilam, torturam uma amizade com tanta omissão!

Te ensinei o valor incalculável
De alguém em quem confiar;
Te mostrei como o carinho,
Como o eu te amo cotidiano,
Incansavelmente repetido
Podem derreter as crostas de gelo
Na superfície das pessoas;
Te ensinei a derrotar máscaras,
A entrar no cerne,
Mesmo frente a tantos bloqueios.

Tu sabes em quantos campos de batalha
Entrei,
Quantos caminhos tortuosos
Caminhei,
Quanto silêncio e laconismo
Ouvi
Para firmar as estacas
Da casa onde o nós habita.

Eu não posso ser egoísta
Exigindo de ti o que não podes dar
Não ouso te julgar
Numa tentativa de te acorrentar a mim.
Mas hoje preciso de agasalho,
Dum abraço aberto,
Do carinho fraterno,
Do olhar atento,
Das palavras tanto doces como afiadas
Que ferem, mas curam.

Também não quero forçar amizades,
Vou esperar os frutos nascerem
E ver onde brotam.
Pois apesar de tudo,
Amizade é sinônimo de reciprocidade
E estes versos são para te acordar
E são amigos os que sabem responder.

Não espero me consumir em questões ou lágrimas,
Conheço a Luz e o Grande Amigo
E este sempre está do meu lado
E carrega comigo meu fardo enfadonho
Mas durante isso, vou te esperar,
Te preparo um grande banquete, amigo,
Para quando você chegar.

Sexta-feira, Julho 08, 2005

Metamorphosis

[poema antigo]

O animal nasce,
Larva, arrasta-se,
A devorar folhas sua existência resume.
Odiada e caçada criatura,
Comer é sua sina,
Repugnante assassina.
E lentamente, sua boca – praticamente único órgão
Constrói sua morada...
...dias passam, inerte crisálida
...tempos passam, dias passam
E a criatura rompe a seda que a esconde,
Põe seu novo corpo para fora
E voa, com as asas que não existiam.
Pousa numa flor, que belo!
E no campo,
A festa para as borboletas que acabam de acordar.
E pensar que elas já foram lagartas!
Mas eu devo confessar...
...essa lagarta já foi meu coração!

Quinta-feira, Junho 30, 2005

conselhos

[poema antigo]

Quantas vezes você perdeu seus pensamentos?
Quantas vezes você perdeu a paciência?
Quantas vezes você perdeu sua alma?
Quantas vezes você perdeu sua vida?

Você sabe qual a rocha te impede caminhar,
Você tem de rompê-la,
Não padecer frente a ela.
Não deixe que você se perca,
Não perca sua alma,
Você sabe, você sente, você vê
Que seu Pai sabe, sente, vê você.
Cadê seu ânimo ao saber?
Não se embriague em palavras torpes,
Recapture seus passos,
Refaça seu futuro,
Reconstrua a trilha que você seguirá.
Pois você já venceu, você sabe das vitórias do seu ontem.
Não deixe que as dificuldades
O façam esquecer que você venceu.
O preço do futuro é ter uma vida inteira para escrever.
Viva!

Sexta-feira, Junho 10, 2005

Um dia só

[poema antigo]
Tempo antigo, tava muito triste quando escrevi esse poema, há uns 5 anos atrás...
Acho q ele fala por si só...

Um dia só

O céu acorda com um sorriso já meio triste,
É hora de despertar.
Assim que abro os olhos
Vejo o pesadelo acontecer.

Os dias ensolarados,
Negros pela minha solidão,
Me parecem anacrônicos.
A vida é infeliz.

O céu azul salpicado de branco
Esconde incompletamente minha tristeza.
Me daria uma vontade de ir à praia
Se a praia não lembrasse você.

Na massa cinzenta da cidade,
Andando por entre a multidão,
Me sinto formiguinha solitária
Na sociedade desumana dos homens.

Por entre livros de filosofia,
Não consigo achar sentido na vida,
Nem compreendo a filosofia dos seres que existem.
Sinto-me gauche.

Na minha cabeça somente a desolação
Se em cada vão rabisco trouxesse a exatidão,
Entenderias muito bem o que sinto.

Em casa, dopo-me com a televisão
Para evitar o encontro doloroso com a realidade.
Viver me entristece.

Terça-feira, Maio 24, 2005

Na chuva

[poema antigo]

Esta época me fez lembrar este poema. Na verdade sinto-me diferente do que sentia antes, a chuva agora me lembra coisas que não são boas, coisas que aconteceram em épocas chuvosas. Quando elas caem, parecem lavar todas as cores e levar embora a alegria.


Na chuva

A noite escura de hoje
não se parece com as outras,
quentes.
A rua está deserta,
fria.
A chuva despenca sobre mim,
rápida,
como se estrelas caíssem,
e o céu inteiro desabasse.

Todo mundo foge da chuva,
a raridade da minha terra.
Tento absorver as pérolas hialinas
abraçando-me na penumbra.

Que se dissolvam meus problemas,
queria a chuva chovendo o dia inteiro,
paralisar o tempo,
só eu e a chuva,
nós dois abraçados, incompreendidos,
almas gêmeas.

Quarta-feira, Maio 18, 2005

Entorpecido

[poema antigo]

Entorpecido

De onde vem esse anjo tão negro
tentando me devorar carne e espírito?
Essas setas bêbadas, sem rumo preciso
traspassam precisas meus pontos vitais.
Viver é um erro que eu não pude escolher.
Preferia não viver, mas vivo,
vivo não, sobrevivo,
que eu insisto em viver nesse castelo de nuvens
que me entorpece
e entorpece meu sorriso,
esse sorriso imutável, morto,
enterrado no antro das palavras não pronunciadas,
cobrindo a raiz dos meus sentimentos,
mentindo para pelo menos eu mesmo.
Estou viciado pelo teu abraço,
pelo teu sorriso, querida amiga,
sacia o meu quente anseio de te ver novamente,
meu ópio,
eu preciso de ti,
quando não estás perto eu sofro muito,
tremo, tenho crises compulsivas,
um desejo de correr para onde quer que estejas
e te dar um abraço,
pelo menos um abraço,
único momento onde todos os paradoxos se cruzam
e os efeitos de minha alergia à terra podem ser sanados
pelas tuas asas celestiais.

Estrelas!

[poema antigo]

Fim de tarde,
É hora da morte de mais um dia
A noite cobre a terra com seu manto escuro,
A luz do sol some a irradiar outro continente.

Fixo o meu olhar na imensidão do céu,
As estrelas uma a uma aparecem
Parecem brincar de esconde-esconde!
Uma estrela aparece cá,
Outra, acolá.
Daqui a pouco são formadas constelações
Uma a uma, entrando no infinito palco negro.

Cada estrela corresponde a um momento inesquecível,
E as lembranças surgem com cada estrela que aparece,
Vou relembrando de cada alegria que tive,
Antes eu só pensava nas tristezas,
Antes eu não via beleza em nada,
Agora acho nas estrelas motivos para sorrir

Quando se está feliz, parece que elas riem para nós,
Elas realmente entendem o porquê de nossa felicidade.

Quando eu estava taciturno,
A noite para mim era apenas escuridão.
Pois eu não amava
Ou se eu amava, era muito pouco
Para ver que na escuridão da noite,
Há pequenos diamantes que a enfeitam.

Sim, agora meu sorriso torna-se realidade,
Encontrei motivos para me alegrar,
Descobri o verdadeiro valor da felicidade.
Um trecho obscuro do meu caminho se acendeu.

O vento frio da noite acaricia meus pêlos,
Dá uma vontade danada de dormir aqui mesmo,
No relento
E ficar pensando na minha querida amiga,
Sei que uma grande estrela acaba de nascer,
É a lembrança dela.

E eu sempre estarei feliz,
Pois sei que quando a noite chegar,
Estarei aguardando o brilho da primeira estrela,
Pois essa primeira estrela me fará lembrar dela,
E do sorriso dela,
Por isso vejo que as estrelas sorriem para mim.

E ela será eternamente o motivo da minha felicidade,
E o dia inteiro eu sorrirei,
Pois sei que essa estrela estará me esperando toda noite
E que essa estrela jamais morrerá.

Sexta-feira, Abril 29, 2005

Espera

Tempos de ócio. Sabe aqueles momentos em que você está esperando alguém, mas está sem vontade de fazer algo, tipo ler um livro? Fiz esse poema nesses momentos, estava esperando uma amiga no shopping e enquanto isso, escrevia, esperando por ela, sentado numa das mesinhas da praça de alimentação.

Espera

O tempo caminha lento,
sem rumo pelo ermo linear.
Imerso no cristal de quartzo dentro do relógio
que pulsa como um órgão inorgânico,
falso, artificial.
Segundos só passam depois de minutos
e minutos demoram horas.
Quase nada se move
além dos corpos que passeiam coletivamente
entre as mesas, na minha frente
enquanto saboreio as cinzas das horas.
Sentado numa mesinha
vejo a vida dos outros passar
e a minha vida, congelada no tempo.

Cotidiano

Esse e o outro post falarão de um tempo de corre-corre, quando começou a faculdade e eu estudava inglês. Estava me adaptando a fazer muita coisa ao mesmo tempo, tinha saído de uma época de ócio e agora estava entrando numa época de muitas atividades. Mas apesar de tantas atividades, por dentro eu continuava na inércia, com o pensamento lá longe.

Cotidiano

A cama
O despertador
O chuveiro
A escova
A roupa
O pão
O carro
O ônibus
A aula
A aula
A aula
O enfado
O ônibus
A caminhada
A espera
A aula
O ônibus
O cochilo
O chuveiro
O descanso
A tevê
O sono
A cama
O despertador
O chuveiro
A escova
A roupa
O pão
O carro
O ônibus
A aula
O enfado
O ônibus
O culto
A caminhada
A aula
O ônibus
O chuveiro
A tevê
O sono
A cama
O despertador
O chuveiro
A escova
A roupa
O pão
O carro
O ônibus
A aula
A aula
A aula
O enfado
O ônibus
A caminhada
A espera
A aula
O ônibus
O cochilo
O chuveiro
O descanso
A tevê
O sono
A cama...
...a vida virou um ciclo interminável.

Quarta-feira, Abril 27, 2005

Vivendo a esmo

Um pouco do meu pensamento de épocas atrás... Não me lembro bem, mas acho que foi feita na mesma época do poema no post anterior. Eu era niilista, derrotista, pessimista e tudo o mais, mas felizmente eu ERA.

Sou sofredor nato,
Vivo a esmo cambaleante entre dias e noites,
Tropeçando semanas,
Esbarrando nos meses.

Superlativando sentimentos meus,
Tresvariado coração.
Há tempo o temporal molha o chão,
Ababeladas gotas caindo do céu
Quais bombas de água.

O vendaval não desvanece,
Surge, definha, ressurge mais forte.
Abeirando o abismo
Lanço o meu olhar na profundidade incognoscível e obscura.
Não vejo nada além de sombras.

Os prédios

Mais um poema dos tempos velhos. Os escrevi nos tempos de ócio entre o colégio e a faculdade (acho que foram os tempos que mais compus em minha breve carreira de poeta-menor). Nessa época eu andava muito pelo centro da cidade, fazia coisas, comprava, caminhava, via gente, ia pra igreja, mas acima de tudo eu contemplava, contemplava, contemplava... Meu eu taciturno se deliciava em imagens de olhar pro alto, pros prédios velhos, cobertos de fuligem e tampava o nariz pro cheiro nauseabundo que alguns lugares de Recife.

Os prédios

Aqui no coração da cidade
Caminho perdido pelos nomes e ruas.
Tanta gente me acompanha,
Estou só.
Meu pensamento te procura,
Cadê você?
Quero te ver,
Mas cadê você?

Te sinto viva na minha pele,
Uma ferida que fere
Sem dor.
Viver sem ti não consigo,
Com tua ausência não vivo.
Não sei mais quem sou.

Os veículos caminham desordenadamente,
Carros buzinando,
Coletivos lotados de gente apressada,
O corre-corre nos isola.
Será que só eu esqueci o tempo?
Será que me perdi no tempo?
Sinto-me diferente do mundo ao redor,
Não acredito ser feito da mesma matéria.
Sou sonho? Sou realidade?
Meu universo envolto em pó,
O pó de toda esta cidade.

A sombra dos prédios
Até que combina com meu coração,
Os prédios novos e dos outros séculos
Convivem sincréticos.
As paredes de concreto armado
Armam os meus olhares para o alto
Para algum louco suicida
A fazer o que eu queria.

As pedras civilizadas escondem o horizonte.
Cadê o mar?
O infinito distante faz lembrar você,
Só penso no mar escorrendo pelos nossos pés,
E no oceano imenso podia naufragar lamentos,
Todos meus sentimentos,Todos meus desalentos.

Quarta-feira, Abril 13, 2005

carta

Outro texto que escrevi pra minhas aulas de espanhol... Agora foi uma carta. Confesso que me inspirei muito nas cartas de Antoine de Saint-Exupèry (quem puder ler, leia 'cartas do Pequeno Príncipe'), nessas cartas de Exupèry à mãe dele, ele transborda o coração e fala muito do amor que ele tem pela mãe, um amor inigualável. No tempo que eu a escrevi, estava me sentindo sozinho sem meus melhores amigos por perto, pensava que os estudos e a correria poderiam me fazer esquecer dessas coisas, mas quanto mais eu corria, mais eu sentiaque falatava algo.

Buenos días, querida Carolina. ¿Cómo estás? ¿El ángel negro de la melancolía aún toca tu corazón? Tu ausencia hace el vacío en mi corazón quedar mayor. Estoy necesitando de abrir las páginas de estos últimos días. Hace mucho tiempo que yo no escucho la voz de tu espiritu hablándome de tus sentimientos, aconsejando el verdadero camino para mi felicidad. Nostalgia, nostalgia es solamente todo lo que siento. Tú, tán pequeña, tán flaca, no tienes la noción de que eres ángel de la guardia, sábia, dueña de una energía positiva que llega a transbordar de tu cuerpo y inundar lo mío.
La gris frialdad del hormigón machuca mis sentidos y oculta, com sus sombras sin vida, inertes, todo el horizonte. No existe vida en los centros urbanos, en este alocado, siento mucho frío. Para superviver finjo que el mundo dejó de existir, cierro mis ojos y callo, dejando la poesía calentar adentro. Yo no consigo arrancar lirismo del hormigón, solamente puedo pensar en tu dulce risa trayendo una cálida sensación de felicidad, de la misma forma que podemos ver el viento transportar el calor de la tarde. Por dentro estoy siempre desierto, muero de sed.
No te digo grandes cosas de esos últimos días: mochila llena, reloj atareado, descanso impraticable; estoy horriblemente insatisfecho, el corazón precisa de otros ejercícios. Necesito de verte nuevamente, querida amiga, yo no paso ninguna hora sin pensar en ti, sin pensar en la eterna bendición que es tu presencia. ¿Vamos marcar de nuevo una caminata en las arenas de la playa, para yo sentir la mar escurrir en mis piés y tu presencia llena de luz?
Un distante abrazo,
cado

Descripción

Escrevi esse texto quando estava na aula de Espanhol na Universidade. A professora tinha pedido para fazermos uma descrição de alguém e todos os alunos fizeram uma descrição bem objetiva de pessoas, coisa do tipo: "Él tiene pelos negros...", "Ella tiene ojos azules...". Preferi seguir outro caminho, estava inspirado e meu curso de publicidade me fazia optar por algo mais criativo e alternativo. Decidi fazer uma descrição diferente: falei de uma amiga muito querida, mas usei mais do que uma descrição objetiva, a descrevi com minhas emoções, a pintei como meu coração pintava: como minha anjinha. Minha professora adorou, os alunos também. Sinto falta dela, parece que ela voou pra bem longe. Acho q esse é um dos textos mais cheios de emoção que eu escrevi pra algum amigo.

Descripción

No sé decir nada además de que te amo, querida amiga, bajaste del cielo como un ángel pronto a iluminar mi oscuro camino. Pero eres un ángel un poco diferente: no tienes cabellos aureos ni ojos azules ni alas blancas, pero eres mi pequeña querubina.
Tu risa blanca como la paz, serena, transportándome de vuelta a mi infancia; trayendo, por lo camino que la luz trilla desde tu risa hasta mis ojos, mucha felicidad, mucha inocencia, mucha sinceridad. Era de tus cabellos negros como la sombra de un eclipse, suaves como la seda, que yo podría reposar mis manos en las mañanas. Tus ojos igualmente negros, relucientes, pueden presenciar dentro de mí todo lo que pasa (pues todas las palabras dichas del alma son legítimas).
Ah, cuanta nostalgia yo aún conservo dentro de este corazón, de tus facciones alegres a alegrarme mientras yo abría las páginas de mi vida, de tu cálido abrazo que tú me dabas todos los días cuando yo más necesitaba de tí, y del afecto que calentaba mi espíritu casi muerto. No eres mayor que que yo, pero el corazón que tú guardas dentro de tu pecho cabe yo y todas las personas que te aman.
Tú me debes nuevamente aquel paseo en la playa, adonde yo podría contemplar el color que el sol pintó en tu piel morena. Tu retrato en mi cuarto nutre un poco mi necesidad de sentirte junto, hace la vida tener significación. Cierro mis ojos y veo las estrellas brotaren de nuestro lazo eterno, cierro mis ojos y te siento llegar, siento tu presencia irradiando energía como un sol tocando mi piel. Quiero que un abrazo ocurra para unirnos en esta distancia sin fin del tiempo.

Quinta-feira, Março 24, 2005

Poema da amiga infeliz

Sua tristeza é triste para mim,
Se não encontro mais seu sorriso.
A alegria naufragou no caos do seu espírito?
Cadê a força que você me dava?
Agora sou eu quem deve lhe dar?
Minha querida anjinha,
Por qual motivo
O seu coração definha?

Você não abre mais sua alma,
Não telefona,
Não manda cartas,
Chora escondido,
Oculta suas mágoas.

Chora no meu ombro, vai,
Preciso ouvir suas dores,
Eu a amo
E quero que você saiba
Que te amo.
O que tanto machuca seu peito?
Que faca é essa que se encrava?

Quero chorar com você,
Sentir o que você está sentindo,
Encontrar a causa do seu padecer.
Eu lhe dou um punhado de alegria,
Por que você não vê?

Eu preciso tanto da sua felicidade...
Mas seu sorriso é um sofisma.
Não esconda atrás da face a melancolia,
Pois a flor que desabrocha do seu olhar
Já nasce murcha.

À procura de alguém

Nos labirintos de ruas por qual pervago,
Esqueço minha própria existência
Absorto em meus pensamentos.
Pela multidão que me acompanha
Procuro teu olhar abscôndito
Nos milhares de semblantes.
Não procuro por ninguém,
Somente te espero cruzar meu caminho.
E no dia em que minha vida
Entremear-se com a tua,
Não me lembrarei qual rua
Me levou a ti.

Manhã

Aurora,
A noite agoniza
Com a refulgência do Sol
Setas áureas queimam o horizonte,
Evapora o hialino orvalho.
Acordo iluminado
Pela luz do sol de verão.
Pela janela,
Riscas de sol riscam o ambiente.

Janelas abertas,
A luz transborda na sala
E se derrama por todos os cômodos.

Debruço-me na janela
E lá fico contemplando o jardim.
Sopra um forte vento do norte
Que arranca da minha cabeça
O meu chapéu e minha distração

Vento, és tu que varre o chão
E que traz para mim as ondas do mar
E joga a areia no meu rosto.

O vento balança as copas das árvores
Acaricia as folhas e flores da copa
E aquelas frutas pendulantes
De sabor rosa.
A brisa leva as sementes
Para semear árvores,
Flores,
A minha poesia...
... dano eu a escrever poemas!

Sexta-feira, Março 18, 2005

Um momento no ônibus

Esse poema é das antigas, é de um tempo meio difícil: estava me adaptando à nova vida de universitário, me sentia sozinho sem o apoio dos meus antigos amigos, todos estavam ocupados estudando para o vestibular e era difícil ter contato com eles. Entre meus amigos tinha alguém a quem eu me apeguei bastante e fiquei triste porque estava sendo difícil deixar de pensar, era um vínculo que eu preservava, de um tempo gostoso que foram meu último ano de colégio. Essa amiga passava por tempos difíceis... frequentava psicólogo e depois passou a frequentar o psiquiatra. Não queria deixá-la, me preocupava muito. Queria voltar no tempo e já que não posso, escrevi esse poema tentando reaver aquele carinho que tive há muito tempo atrás, uma amizade que ficou no meio do caminho e que ainda insisto em suscitar. São palavras sinceras e, como o nome do poema sugere, as escrevi enquanto voltava para casa no meu PE-15 Boa Viagem. O poema tá bem meloso, mas me lembra tempos bons.

Um momento no ônibus

Como é gostoso lembrar teu sorriso
brotando da tua face,
tão lindo como o poente
é vê-la sorrir initerruptamente.
Sei que estou longe
e sei que seu sorriso não é constante,
mas lembrar sempre de ti
é como se estivesses sempre sorrindo do meu lado,
assim como era no colégio.
Se lembra do colégio?
Adorava te ver triste
e tentar te ajudar,
sei que quase nunca consegui te ajudar,
mas a intenção de querer te ajudar me fez aprender muito sobre você.
Saudoso sou pelos bilhetes,
pelos amigos, pelo cafuné,
pelas briguinhas que nos tornavam ainda mais amigos.
Tenho tanto para te agradecer
e te pedir perdão,
o que eu mais queria era que a nossa amizade
fosse a mais pura e sincera,
a coisa mais bonita,
mas pressinto que seja um sonho inatingível.
Sei que inúmeras coisas atrapalham
de nascer uma amizade da forma que eu almejava,
sei que você está ocupada;
sua Universidade, sua família,
seus amigos, seu coração;
e eu também, ocupado com as coisas
que imperam em minha vida.
Queria reaver nossa amizade,
meu coração rebenta em prantos hoje,
hoje eu me lembrei do teu sorriso,
estás sorrindo?
Hoje eu quero escrever algo o mais bonito
para brindar nossa amizade,
quero te fazer sorrir,
estás sorrindo?
é seu sorriso que me faz alegre dia a dia,
como a planta que bebe a luz.
Estás sorrindo?
Pois essa é a melhor coisa que tenho de ti.
(e pode ser a melhor coisa que muitos guardam de ti).
Sabe, amiga, meus olhos estão rasos d'água,
é tão bom lembrar de alguém que se ama,
mas sinto como se nunca mais a verei.
Portanto, aproveito esse tempo no ônibus
e dedico a você,
quero amar como se fosse o último dia na terra,
eu te amo muito, queridíssima amiga,
e devemos nos lembrar que a vida é efêmera,
e pode ser que não nos veremos mais,
portanto, não meço esforços,
aproveitarei cada momento que der.
É tão gostoso lembrar de tanta coisa que passamos!
São fotografias que máquina nenhuma tirou.
Se lembra das aulas? Se lembra das diversões e da turma?
Não quero me esquecer nunca da felicidade que foi te encontrar,
do apoio, do teu amor de amiga,
te amo muito
e nunca vou me esquecer
de que você será eternamente minha amiga.

Deus-mãe

Esse poema fala do amor de Deus. Ele sempre é visto como um Pai, mas acredito que Deus tem um grande coração, um coração de mãe. Esta Escritura está em Isaías e diz:

"O Deus Eterno responde: 'Será que uma mãe pode se esquecer do seu bebê? Será que pode deixar de amar o seu próprio filho? Mesmo que isso acontecesse, eu nunca me esqueceria de vocês.
Jerusalém, o seu nome está escrito nas minhas mãos; eu nunca me esqueço das suas muralhas.'"

Quando li essa passagem, fiquei muito feliz com o cuidado que Deus tem por mim, como Ele cuida de mim e nunca se esquece. quando eu li "o seu nome está escrito nas minhas mãos", fiz o mesmo por Deus, escrevi com uma caneta na palma da mão o nome de Deus e naquele dia não me esqueci dele, pois tudo o que eu fazia, em todo momento, eu lia o Seu nome.

Deus-mãe
(Is. 49:15-16)

Não há amor mais puro
Do que o de um filho por sua mãe,
Mãe que o gerou, amamentou e o criou.
Nunca irei me esquecer de ti,
Pois sei que nunca te esqueces de mim.
Tatuei em meu coração todo teu amor,
Gravei de ouro todos os teus feitos
E o meu corpo está cheio de marcas
Que não me fazem esquecer o teu amor.

O amor que me salvou jamais olvidarei.

Sábado, Fevereiro 19, 2005

Onde você está

Esse poema é para meu melhor amigo, o Robson. Paulo tinha seu amigo Timóteo, Antoine de Saint-Exupèry tinha seu Guillaume, Tolkien tinha seu C.S. Lewis e eu tenho meu melhor amigo:Robson. Inventamos de fazer um sarau que na verdade era uma festa de aniversário pra ele, cada participante tinha de dar um testemunho sobre ele e cada um falou coisas e mais coisas. Eu e outro irmão preparamos um poema, esse é o meu. Na verdade, o sarau começou com uma música, cuja letra ele tinha escrito, mas faltava a melodia... eu conhecia a letra e sabia cantá-la, então outro amigo fez a melodia e cantamos ao som do violão. Quando ele ouviu a música, ele entendeu que estávamos fazendo uma festa para ele. Robson ficou bastante grato, quase a chorar, foi uma alegria compartilhar com ele.

Onde você está

Deus me deu um caminho consagrado para trilhar.
Um caminho bom, mas que não é fácil
e para seguir esse caminho, Deus me deu amigos
que me acompanham a vida toda,
oferecendo força e ânimo
para subir as pedras, ultrapassar barreiras,
atravessar rios e passar por espinhos.

E desses amigos que Deus me deu
um se destaca.
Esse que sempre acompanha meus passos,
que se soma a mim mesmo
e revigora meus pés
e meus sonhos de avançar.

O tempo passa rasgando os dias do calendário,
semanas passam e meses
numa sequência ininterrupta.
As células do corpo multiplicam-se e multiplicam-se
e o corpo amadurece nesse fluxo.
Nesse mesmo fluxo a alma amadurece.

De onde veio a força,
os pés fortes, o coração rijo
e meu olhar além do horizonte?

Quando olho pra mim mesmo
eu sempre sei onde você está.

Foi pelo teu imitar a Cristo
que pude tomar de ti emprestado
o amor indelével a Deus,
o laço apertado com o Senhor,
os pés fiéis no único caminho,
o ajoelhar prostrado,
o lavar os pés,
a amizade sempre construída
repleta de atenção
e a alegria que brota como uma planta
que ignora estações, climas secos ou úmidos.

Por eu imitar você, Cristo e você vivem em mim
e esteja você perto, esteja eu longe,
quando olho pra mim mesmo
eu sempre sei onde você está.

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

Pastor Zeloso

Já me plagiaram com esse poema... é dose a falta de criatividade... mas eu vou ficar com raiva de você não, Kleiton.
Esse poema vem da Escritura que está em Isaías, e Deus diz:
"Escute, povo de Israel; escutem, todos os descendentes de Jacó que ficaram
vivos! Desde que vocês nasceram, eu os tenho carregado; sempre cuidei de vocês.
E, quando ficarem velhos, eu serei o mesmo Deus; cuidarei de vocês quando
tiverem cabelos brancos. Eu os criei e os carregarei; eu os ajudarei e salvarei.
"Com quem é que vocês podem me comparar? Quem é parecido comigo?"

Pastor Zeloso
(Is 46:3-5)

Desde que eu estava sendo formado
No ventre de minha mãe
Teus olhos sempre se mantiveram atentos.
Quando meus ossos se formaram
E um corpo começou a ser esboçado
Tuas mãos me acalentavam
Revolvendo-as sobre mim
Protegendo-me de todo perigo.
Desde o nascimento tens me carregado
Como um cordeirinho
Seguro em teus ombros
Seguro em teus fortes braços
Carregado de volta pro rebanho.

Até no dia em que minhas têmporas alvejarem,
Quando minhas pernas não tiverem mais força
De tanto andar na terra,
Até no dia em que esvair
Toda força da minha juventude,
Quando meus olhos só virem um borrão
E meu peito perder o fôlego,
Ficarei feliz.
Pois desde criança o Senhor me sustém
E o milagre da vida tem sido a fonte da juventude.
Sempre serei jovem no Senhor,
Pois o Senhor me reveste de força
Desde minha criação.

O copo

Esse poema escrevi também depois de uma devocional matinal, depois de estudar sobre a repreensão que Jesus fez contra os judeus por causa de tanta hipocrisia. Durante esse estudo, analisei minha tendência de ensinar coisas que eu não estava praticando, de muitas vezes querer disciplinar pessoas sem eu mesmo ser exemplo.
Bem, eu não quero ser hipócrita, quero ser um homem verdadeiro, transparente e que deseja mudar, mudar sempre. Por isso eu gosto de ser sincero, sou quem realmente sou, me abro pros meus amigos, gosto que me digam o que está errado em mim. Tenho medo de ser um homem somente de palavras, que diz um monte de coisas bonitas mas vazio por dentro, ou como Cristo disse: "um túmulo caiado por dentro".

O copo
(Mateus 23:25-26)

Um copo opaco esconde tudo o que há dentro,
Um copo de cristal se priva de cores
E o vidro colorido pode adquirir diversos matizes,
Nele posso gravar diversas figuras,
Obra de exímio vidraceiro.

No entanto, de que me servem ornamentos
Se o conteúdo é de mais valia?
De que me serve um copo
Se não vejo a cor do vinho?
As cores ocultam o veneno
Na coloração opaca do vidro.

Uma alma hialina
Revela tudo o que em si comporta.
Não há nada mãos belo
Do que um coração sincero
Disposto a mudar
Pronto a ser lavado
E a se tornar mais cristalino
Que as vidraçarias mais finas.

Num cálice de cristal
Deus põe de Seu Espírito
E bebe até saciar.

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

A fortaleza

Bem, depois de um tempo sem escrever quase nada por não ter tempo nenhum, comecei a olhar mais comtemplativo para meu Deus. Decidi estudar com mais afinco uma das características mais fortes de Deus: o seu amor.
Várias vezes Deus fala do seu cuidado, que nos ama, que está atento às nossas dificuldades e quando eu lia essas passagens na Bíblia durante minhas devocionais matinais (Tempos com Deus), sempre deixava gravado um poema, como uma oferta de dedicação ao Senhor Poderoso, pelo que Ele me fez ver e me impactou de admiração.
A passagem fala:

Deus os encontrou perdidos no deserto, numa região onde viviam animais ferozes. Chegou perto, cuidou deles e os protegeu como se fossem a menina dos seus olhos.
Como a águia ensina os filhotes a voar e com as asas estendidas os pega quando estão caindo, assim o Deus Eterno cuida do seu povo.
Ele os guiou sozinho, sem a ajuda de outro deus.
O Eterno deixou que o seu povo dominasse as montanhas, e eles se alimentaram das plantações dos campos. Deu-lhes mel de abelhas nos rochedos e fez com que as oliveiras
produzissem em terreno cheio de pedras.
Alimentou-os com leite de vaca e de cabra, deu-lhes a carne dos melhores carneirinhos, carneiros e bodes, o melhor trigo e o vinho mais fino."

Deus cuida de nós, nos dá muito e nos deixa seguro qual uma mamãe águia, nos alimentou com o que tem de melhor, nos deu fartura mesmo em tempos difíceis...
Glórias ao Santo Deus!

A fortaleza
(Dt 32:10-14)

Em ti estou seguro, meu Deus.
Neste mundo de pecado e ilusão
Quero algo que meus olhos não vêem,
Entanto me deixam tranqüilo,
Na fortaleza mais segura
Onde muralhas não existem para proteger
E minha casca é somente uma casca,
Um vaso de barro onde guardo um tesouro,
O tesouro mais precioso:
O Espírito
E a presença imaterial que me envolve.

Sexta-feira, Janeiro 28, 2005

Um Soldado na Batalha

Essa tem sido uma semana atípica... Nunca me ocorreu acontecer tantas coisas ruins na mesma semana... no Domingo, um amigo e sua família sofreram um acidente sério de carro, gragas a Deus que nada de mal aconteceu; Ontem, houve um homicídio perto de casa, nunca tinha acontecido isso nas proximidades do meu bairro, principalmente na minha rua; e hoje eu presenciei uma tentativa de assalto, eu estava no ônibus vindo para a universidade quando um policial à paisana que ia no mesmo ônibus onde eu estava pediu pra descer e abordar um assaltante que estava agindo próximo ao nosso ônibus, num carro preso ao engarrafamento da Av. 21 de Abril, foi tiro pra todo lado e eu estava lá no ônibus, torando o aço com medo de levar bala também...
Acredito que isso seja um sinal, tenho pensado muito em minha espiritualidade e na brevidade da vida, principalmente a minha. Quero me aproximar mais de Deus, e isso tudo me fez pensar mais, mas quero agir frente essas coisas. Saber que a vida é fugaz, todo mundo sabe, mas mudar, pouca gente faz.
Pensei num poema que eu escrevi faz muuuuito tempo... quando comecei inglês no Senac e tinha uma tal de "semana das artes" onde a gente tinha de ir na frente da sala e fazer algo, tipo uma peça, cantar, etc. Tinha assistido ao filme "o resgate do soldado Ryan" pela pimeira vez em casa, fiquei chocado com o sofrimento dos soldados lá na guerra, na invasão da normandia. O filme é tão pesado que me fez pensar muito no medo que temos da morte e do sofrimento. Eu decidi escrever um poema, mas escrevi primeiro em português para depois passar pra inglês.
Depois eu passo pra vcs a versão em inglês.

Um Soldado na Batalha

Fumaça,
Cheiro de pólvora no ar.
Guerra, deusa sádica,
Tuas mãos são as mãos ósseas da Morte.
O campo de batalha sangra,
E meus amigos aqui já estão mortos,
Resta chorar e lutar
Contra meu inimigo,
Meus inimigos que nunca conheci
E nunca me conhecerão.
Quem é o inimigo?
Quem somos nós?
Somos os peões no xadrez dos generais,
Não podemos retornar,
Somente seguir adiante
De encontro aos inimigos.
Somos expostos pela artilharia hostil
Enquanto nossos superiores
Estão protegidos bem longe da batalha.
Minha M4 grita e vomita minha dor de soldado,
Os tanques atropelam o silêncio
E esmagam a paz.
Meus companheiros estão com medo
Da morte, do sofrimento,
Dos hostis fuzis nos observando sorrateiros,
Esperando o mais breve deslize
Para alvejar-nos.
Ainda não entendo por que estou aqui,
E minha família que chora por mim.
Avante! Marchando com frio e medo,
Carregando tanta saudade no arsenal;
Quero voltar pra casa,
Pro aconchego do colo de mamãe
E da comida caseira de todo dia;
Aqui só passo fome,
Vendo corpos espalhados pelo chão
E fogo chispando.
Um só erro e estarei no inferno
(se aqui já não for o inferno),
não voltarei mais para casa.
Cheiro de morte me persegue,
Já matei tantos que nem conto mais,
Perdoa-me, Deus! Ordens são ordens.

Quinta-feira, Janeiro 27, 2005

Ser amigo

Esse poema fala muito de mim, acho que é um dos poucos que me explicitam. Escrevi e o entreguei no dia do amigo para algumas pessoas que eu considerava amigo. Se vc quiser "ligar os pontos", tinha escrito para a "sementinha que nunca cresceu", esperando ela crescer por entender o significado da amizade. Pois bem, se vc já leu os poemas anteriores, perceberá que não deu certo, "Somente não pude realizar o que somente o Espírito que dá vida pode fazer: - torná-la viva".
Praticamente falo de mim mesmo nesse poema: falo sobre ser amigo, falo das minhas dificuldades de conquistar amigos cujo coração enrijeceu e tudo converge para a sementinha (aquela fria, má, insensível e inóspita sementinha).
É assim que eu sou com meus amigos, os considero, me dedico a todos, quero oferecer o melhor, quero ajudar, mas dói muito quando o amigo não é mais amigo. Por favor, não façam isso!

Ser amigo

Não existe algo mais difícil do que ser amigo,
No entanto, não há algo mais recompensador.
O amigo está sempre próximo:
A maior distância que ele possa estar é ao lado,
Ao lado nas dificuldades e em qualquer situação
Lutando contra os mesmos males,
Tendo como próprios os sonhos do companheiro.

Ser amigo é tornar sagradas as pequenas coisas
Um pequeno presente torna-se a jóia mais cara
E nas lembranças, imagens que câmera nenhuma captou,
Há imagens inestimáveis.

Ser amigo é tornar dias festivos os aniversários
e as datas mais significativas.
Maquinar nas madrugadas planos infalíveis
Que surpreenda, cative e constranja.
Para isso conhece quais as coisas
Que fazem o coração bater feito tambor.

Ouvir o outro destrancar o coração
É uma doce fragrância de incenso
Assim como são também olorosos e cheios de amor ouvir os conselhos:
Tão afiados quanto lâminas
Tão macios como plumas.

Ter o sorriso do outro amigo
A obra de arte mais expressiva do que um Da Vinci, um Van Gogh.
Não há mão de pintor mais habilidosa,
Deus pintou as curvas do sorriso com Seu amor e Seu esmero.

Pronunciar o nome do colega é
Como pronunciar palavras mágicas,
Evocá-lo junto com a saudade que instiga o coração
E o ouvir da sua voz é igual a ouvir os cânticos de querubins.
É gargalhar, quando o outro esboça um sorriso,
É chorar numa longa vigíla, enquanto o outro chora.

É procurar o amigo nas maiores distâncias,
Mesmo tendo de atravessar milhas e milhas,
Tendo de transpor a distância do tempo
E neste tempo enfrentar a distância intransponível
Do coração que adormeceu.

No entanto, o amor
(e por conseguinte a amizade, que de amor se alimenta)
Não é uma ciência exata,
Pode-se abastecer o colega de amor até transbordar,
Todavia não muda, se não for da decisão dele.
Por isso ser um bom amigo não significa ter bons amigos,
Embora sê-lo seja ensinar os outros a serem
Amar nunca rima com receber,
Tampouco ser ouvido ou considerado.
Talvez provocar um sorriso seja algo inédito
E a sede de ver o outro feliz nem seja saciada,
Como um sonho, que talvez exija tirar os pés do chão.

Ser amigo é manter-se feliz e cheio de visão
Mesmo enfrentando frio e indiferença.
Aprendendo a amar cada vez mais incondicional
Diante dos ferimentos,
Vertendo desses ferimentos o mel mais doce,
Ignorar a dor e converte-la em estima
E quando o coração chora,
Ser possível esboçar ainda um sorriso.

E assim como a fênix torna à vida das cinzas,
Fazer ressuscitar a esperança de ter o amigo de volta
Quando se vai para longe da lembrança.

É ignorar os erros, os desconfortos e a si mesmo.
Pois o peso da cruz, que se deve carregar um do outro
Tornar-se-á tão gostoso de se carregar e tão leve
Quanto embalar um bebê nos braços.

Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

Musa perdida

Esse é meu primeiro poema.
O escrevi depois de um concurso de poesias no meu terceiro ano. Descobri esse dom de repente, pensava que eu não era bom com palavras. Antigamente eu não escrevia nada, aliás, eu odiava literatura e coisas parecidas com essas, mas de repente veio esse poema, que formei de pouquinho em pouquinho na minha mente. Ia montando a cada palavra, decorando os versos, juntando palavras difíceis (eu tinha o hábito de anotar num papel as palavras difíceis que eu encontrava nas minhas leituras). Achava que poesia era falar difícil, agora vejo que não, deixo ela correr bem livre. já tentei encaixotá-la em versos decassílabos, rimados, desisti. Não sou nenhum Bilac nem Drummond. Elas ficam bonitas assim mesmo: disformes, rebeldes, amadoras... meio feito eu...
Esse poema fala exatamente da falta de inspiração, quando a gente fica na frente do papel empunhando uma caneta querendo escrever algo e não consegue, esperando uma "luz" descer e que não desce, mas quando a gente pensa em desistir, a inspiração vem de novo e nos ilumina...

Musa perdida

Pego um papel
Com sofreguidão o rabisco
Tento achar a inspiração perdida...
Não a encontro,
Não mais a procuro.
Faço um risco e com ele me abstraio
Pergunto a ele o que desejaria ser
Ele me diz o inefável
Signos sem significados
Não sei o que fazer.
Pinto cores mortas
Sinto o cheiro da putrefação
Traços frios, gelados
Mas abrasam, ferve-me a Alma
O mar gelado em mim se incendeia
A Alma já está morta, mas o corpo fica
Ele absorve com avidez meus anelos
A caneta, o meu cautério.
Consternado fico à procura da inspiração
- Cadê ela?
Ela não chega.
Debalde a espero, pois ela não vem
Minha paciência vai-se exaurindo
Pego, rasgo, amasso, boto no lixo o papel
Estupor
Procuro outro papel
A inspiração de mim se comiserou...

Terça-feira, Janeiro 18, 2005

ao meu amigo

Dizem que um pouco de tristeza nos deixa sensíveis - ou será que é o contrário? Bem, eu costumo escrever e meu temperamento é melancólico, junto as duas coisas. Esse poema escrevi num momento quando eu precisava de amigos e pouco deles estavam perto de mim para me dar uma ajuda. Tenho muitos amigos e sou muito grato por eles, me fortalecem, me inspiram, me dão um norte sempre que preciso, mas senti necessidade de vê-los próximos, todos estavam preocupados com seus afazeres e com outras coisas, então fiz esse poema pra chamar a atenção deles. Foi bom que teve resultados...

ao meu amigo

Hoje preciso de um amigo.
Revirei meus versos
E refiz minhas convicções.
Anteontem, ontem, hoje e talvez amanhã
São dias de sonhos tenebrosos.

Visitei as multidões,
Visitei os caminhos bons da memória
Recortando as recordações
Para ver se te encontro novamente por perto.

Eu pensava ser forte,
Descobri o quanto é impossível acumular
Tudo no peito e trancá-lo,
Sem gritar,
Sem ranger os dentes,
Sem chorar,
A linha é tênue para eu me embrutecer.
E tantos olhares são indiferentes ainda.
Estou quase cortando os fios que ligam a mente ao coração,
Resetando as coisas bonitas
Que de tão bonitas machucam.

Assumo que castelos nas nuvens não existem
E a realidade parece tão dura, apesar de óbvia.
Mas não quero me enrijecer com a realidade.

Hoje preciso de um amigo
E não adianta me dizer que estás perto
Se tua voz ecoa de uma montanha íngreme
A quilômetros de distância.
Palavras não esquentam,
Frases feitas aquecem como a chama de um fósforo aquece no inverno glacial

As desculpas,
Ditas ou inauditas,
São a melhor maneira de matar uma amizade sem ninguém ficar sabendo.
Os maus, nas suas maldades,
Empalam, crucificam, torturam;
Os amigos, muitas vezes sem querer
(ou querendo?)
Mutilam, torturam uma amizade com tanta omissão!

Te ensinei o valor incalculável
De alguém em quem confiar;
Te mostrei como o carinho,
Como o eu te amo cotidiano,
Incansavelmente repetido
Podem derreter as crostas de gelo
Na superfície das pessoas;
Te ensinei a derrotar máscaras,
A entrar no cerne,
Mesmo frente a tantos bloqueios.

Tu sabes em quantos campos de batalha
Entrei,
Quantos caminhos tortuosos
Caminhei,
Quanto silêncio e laconismo
Ouvi
Para firmar as estacas
Da casa onde o nós habita.

Eu não posso ser egoísta
Exigindo de ti o que não podes dar
Não ouso te julgar
Numa tentativa de te acorrentar a mim.
Mas hoje preciso de agasalho,
Dum abraço aberto,
Do carinho fraterno,
Do olhar atento,
Das palavras tanto doces como afiadas
Que ferem, mas curam.

Também não quero forçar amizades,
Vou esperar os frutos nascerem
E ver onde brotam.
Pois apesar de tudo,
Amizade é sinônimo de reciprocidade
E estes versos são para te acordar
E são amigos os que sabem responder.

Não espero me consumir em questões ou lágrimas,
Conheço a Luz e o Grande Amigo
E este sempre está do meu lado
E carrega comigo meu fardo enfadonho
Mas durante isso, vou te esperar,
Te preparo um grande banquete, amigo,
Para quando você chegar.

Sábado, Janeiro 15, 2005

Tráfego

Redes sociais são uma benção (por um lado) e maldição (por outro), nelas você encontra muita gente, muita gente mesmo (e isso é muito bom) mas essas redes de relacionamentos nos fazem muito perto e concomitantemente muito longe. Muito perto do indivíduo, mas muito, muito longe geograficamente das pessoas.
Escrevi esse poema para uma garota que conheci numa dessas redes sociais e que de vez em quando, quando o trabalho dela deixa, ilumina e enche de graça minhas tardes no messenger. Ela é muito cativante, divertida e apaixonante, gosta de tudo e principalmente de ser feliz. É uma das poucas pessoas que gostas de coisas tão simples como passeio no parque, piqueniques e coisas assim que a maioria evita e diz que é chato.
Bem, ela é muito especial, uma amiga, mas como tudo o que é bom tem um porém, ela mora onde a distância é muita pra mim. Não dá pra fazer uma visitinha depois do trabalho dela e perguntar como foi o dia, não dá conversar um pouquinho e levar pra tomar um sorvete ou um suco, não dá pra fazer muita coisa que eu queria, só escrever, e por isso mesmo escrevi um poeminha, não está lá essas coisas (como todo poema meu), mas tem um pouco do meu coração, que quer ser ouvido.
Passei um bom tempo pra escrevê-lo, faltou inspiração (de minha parte e ela não tinha mais aparecido) e nessa última semana não consegui terminar... na verdade coloquei um final que ainda não sei se será esse mesmo, mas é esse mesmo que você vai ler:

Tráfego

Dentro do computador: um mundo
Um mar de lugares, de possibilidades
Domado por um imenso navio,
Esse cargueiro repleto de sonhos,
Imagens e entretenimento.
Foi nesse mundo que te encontrei.

Esse barco vai e volta
Levando embora a saudade
De alguém nunca abraçado ou beijado
E deixando cá comigo o desejo
De sentir tuas ricas madeixas entrelaçarem em meus dedos,
De sentir teu olor impresso em minhas narinas
E juntar os pontos cardeais em um só lugar,
Anulando a extensa distância entre o Norte e o Sul.

Distâncias deixaram de ser dimensões físicas
Para a cada dia encurtar mais e mais
Através dessas quilométricas veias de cobre que cobrem todo o país
De bit em bit,
De píxel em píxel
Projetando sua imagem incompleta
E ao mesmo tempo tão verídica na minha mente e no coração.

Esse cargueiro, por maior que seja, transporta emoções?
Até então é incapaz de transportar um afago gostoso
Ou a sensação de um abraço apertado.
Por isso às mãos que não te posso afagar
Roço levemente um digitar carinhoso no teclado.
Meus olhos em cujos teus olhos não posso enlaçar admirado
Fitam tuas palavras e emoticons
E ficam à espera do teu nome saltar numa janelinha pop-up
Para me dar o prazer de uma breve conversa
Na expectativa de um dia ter uma conversa no zoo, piquenique no parque,
Uma conversa saborosa regada a muitos sorrisos,
À luz que teu rosto doa benevolente ao Sol;
Conversa regada a saudade, de cujo óbito se escreve com um beijo na face,
Transportando tantos dias de demora
E carinho cujos nervos do tato acumularam.

Enquanto isso, fico só imaginando,
Como se imagina o sabor de uma fruta exótica.
E esperando um dia,
Esperando e planejando
Para que a espera se torne o agora,
Para que o sonho coloque seus pés no chão
E um momento, por mínimo que seja, se torne uma eternidade
Gravado em nossa amizade.

Enquanto esse devaneio continuar sendo devaneio,
Diariamente meu barquinho vai até teu porto
Buscar um pouco de ti,
Um pouco muito pouco,
Um pouco que não preenche, entanto distrai a saudade
Confesso que com um certo ciúme de seu silêncio
Que não posso incitar um som.
Entanto nesse tráfico te espero
Em silêncio, pacientemente,
Para fazer nosso escambo

Sexta-feira, Janeiro 14, 2005

Não sou poeta

Essa é minha afirmação, gosto de escrever e de me expressar, mas me sinto imaturo para me considerar um poeta, escrevo umas coisinhas, umas porcarias que o pessoal chama de poema, umas brincadeiras com palavras, meio sem nexo, entanto são uma forma de expressão, como um grito, mesmo desafinado, não deixa de ser uma forma de comunicação.

Não sou poeta

Não sou poeta
(embora me afirmem ser)
Poeta é aquele que exala inspiração dos seus poros,
que consome em chamas frias toda sua vida;
enquanto somente brinco com palavras,
penetro no universo semântico
com os olhos arregalados de um menino entre homens
e trelo com tudo o que tem,
como se montasse bloquinhos de Lego.
erigindo construções monolíticas com minhas palavras.

Jogo dados com a sintaxe, a fonética e os morfemas;
embaralho os verbos num trunco truncado.
Por isso meus versos são tão bobos,
de amador sem esmero,
parco de fundura e sentido,
cavando dois palmos adentro de um coração tão fundo.

Poeta também é aquele que toma as rédeas
e doma a poesia, um manso alasão.
Me sinto como se tentasse domar dragões alados:
impossível; rebelde a poesia voa além do firmamento
levando a inspiração que tão volátil se exaure.

Os poetas de verdade criam,
eu somente absorvo - antropofágico, autófago;
os poetas observam o mundo pela janela
e pelas janelas de suas retinas,
eu só passo direto no mundo sem me abstrair,
como se fora estrangeiro.

Embora não tenha o dom da escrita,
assim mesmo minha vida torna-se a mais bela poesia,
mais bonita que o livro de Robinson Crusoé,
que os romances piegas
ou mesmo aqueles filmes dos anos trinta.

Eu vivo uma história de amor e de guerra,
de uma batalha que não é mais de maus contra maus,
onde o sangue e o estrondo de bombas ecoam sobre a terra.
Vivo uma guerra mais cruel,
contudo uma guerra onde há o lado do bem e a vitória.
Uma guerra além dos olhos onde há a esperança e o resgate,
Aliados e traidores, vitórias e derrotas,
soldados que morrem por outros e vivem, e onde há a verdadeira vitória.

A semente

Vou começar compartilhando com vocês esse poema, o nome dele é "A semente" e foi escrito a um tempinho atrás, um tempo um pouco sombrio, quando a mágoa ainda fazia sombra sobre mim e arrancava minha felicidade. Hoje posso dizer que estou curado, mas ainda sofrendo com uns espinhos, no entanto aprendi nesse ano de minha vida carcomido por essa sementinha que amizades são mais preciosas do que tudo e que nunca devemos ficar lamentando perdas que na verdade é nossa vida eliminando o que pode nos prejudicar.
Essa poesia me marca, como muitas outras marcas em minha vida, mas ela lembra um tempo que eu nunca mais quero voltar.
Eu a fiz para um sarau, era um tema que invadia meu coração e resolvi escrever, meio que desafiando quem conseguisse entender o que eu realmente queria dizer. Alguns poucos que sempre estavam próximos de mim sabiam quem realmente era a sementinha e entendem bem essa estorinha...

A semente

Um dia quis ter um jardim em minha vida,
Um jardim onde cultivasse amizades olorosas
Para dar vida às minhas terras.

Apanhei sementes de flores
E entre tantas espécies
Selecionei a semente de uma rosa,
Cuja corola cintila madrepérolas,
De olor doce, de álacre feitio.

A essa rosa reservei um lugar especial
No centro de todo horto,
A fim de todos experimentarem
O fausto de sua graça.

Preparei o canteiro, capinei, arranquei as ervas
E com as mãos em cuia escavei um buraco
Onde deitei a delicada semente
Posta com muito cuidado.

Com o indicador imergi no solo
O que haverá de ser a coisa mais linda
Que alguém possa imaginar
E a vesti sob um punhado de terra.

Todo dia, em visita ao jardim,
O aguava com sonhos cheios de cores
E nutria com abraços e sorrisos.

Ao canteiro onde estava a rosa
Dedicava especial atenção:
A medida de todas as coisas era sem fim;
Com toda visão que tive a adubei
E, durante a jornada do sol através do céu,
O suor do rude serviço lhe irrigou o solo
E as lágrimas em longas vigílias
Foram as chuvas em noites difíceis,
Noites velando, com os olhos pesados de sono, rasos d’água,
Aquela nesga de chão,
Que eu guardava como se fosse minha própria alma.

Mas foi tudo em vão

Nenhum ramo saiu da terra
Para beber da branca luz do sol.
Sequer um caule verdejante
Atravessou o ar a provar sua existência.
As outras flores já espalharam suas ramas,
Já estão quase nascendo...
A rosa ainda não veio à luz.

Apreensivo, cavei a terra e procurei a semente;
Sua aparência continuava inalterada:
Sem indícios de vida,
Nenhuma raiz rompeu sua casca.

Então por que ela não nasceu?

- Foi o solo?
A terra não sufocou seu ânimo de viver,
A terra era fecunda, água sobejou.

- Zelo Faltou?
Não, meu coração não me repreende,
Todas as gotas de lágrimas verti sobre o canteiro,
Tudo o que pude fazer foi feito.
Somente não pude realizar
O que somente o Espírito que dá vida pode fazer:
- torná-la viva.

Rosa-que-nunca-existiu, ouso te perguntar:
Quando será seu dia natalício?
Quando será o dia que a verei medrar
Sobre todo jardim
E presentear com alegria todos os que passam?

Mas rosas não falam,
E se falassem, permaneceriam mudas
Para não responder minhas questões.

Vê-la assim inerte
E tão indiferente às minhas preocupações
É ver espinhos nascendo para me sangrar.
Contudo, se nem espinhos deste,
O que me faz sangrar é meu próprio coração,
Estúpido auto-flagelador!

Enquanto lastimava pela semente sem vida,
Um aroma multicolorido penetrava minhas narinas.
Não, não era a semente que de súbito nasceu,
Mas havia centrado tanto meus olhos àquele anteprojeto de rosa
Que não percebi a miríade de flores ao redor.

Até as sementes jogadas nas pedras
Cresceram e suas raízes trincaram as pedras,
Outras nasceram no asfalto
E ainda outras enraizaram de uma forma
Que nunca mais poderão ser arrancadas.

As flores nas pedras e no asfalto decidiram nascer
Nada as impediriam de ter vida, somente elas,
Por isso irromperam quaisquer obstáculos.
Pois o grão só daria rosas
Se um dia quisesse morrer para ser uma.

Mas o que importa é que fiz de tudo
E sei que posso distribuir todo cuidado
Entre tantas flores.

Pois amizade é isso:
É plantar – e esperar crescerem,
Semear corações, esperançoso,
De que as plantas queiram viver.